Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 30 de maio de 2010

Silviah Carvalho (Sonoridade Poética)


VENTO DA MUDANÇA

Sinto o vento da mudança em meu rosto,
uma troca de pele fora de tempo,
sendo o vento a trazer o perfume desconhecido,
tornando as águas dentro de mim em lamento.

Como se eu pudesse controlar as estações,
misturo lugar e tempo, algo que não entendo...
acima do alcance da minha mente, da minha visão
mas que faz pulsar vorazmente meu coração.

Inquietude vã, pois o vento sopra onde quer,
e eu só diminuo a força do lume,
(querendo na verdade extingui-lo), move o meu
ser em discórdia com tempo, não remo contra a maré.

Aceito de bom grado a solidão... Novamente (!)
companheira e amiga da minha fé
dou a carta de alforria ao amor, porém, tristemente.

Peço que vá, é livre! leve seu amor e não lamente,
vives-te em mim o tempo necessário,
para não ser esquecido, infelizmente.

Deixe o frescor deste vento que me muda,
amadurecer dentro de mim a sua ausência,
sem lágrimas nem retorno... E sem clemência.

AS MÃOS E O FRUTO

Como olhar numa tela uma paisagem, ver-se dentro dela,
Fazer dela tua morada, ali tudo poderá acontecer,
Seremos marionetes na sua mão... Até quando!
O fruto maduro caiu da árvore, esmagou-se ao chão,
Quem se importa? O poder te enaltece,
Tens mais que uma vida, a minha. Quantas mais te fartarão?

Era só uma imitação, não era para vê-lo, nem amá-lo,
Nem confundi-lo com um menino? Sua fome era grande,
Quem poderia contê-lo? Alimentou-a, hoje ela vive morta!
As águas passam o rio não! A cor dos olhos não muda,
No lavar de nossas lágrimas. É tempo de recomeçar,
Seguir novo rumo. Simplesmente, muda seu destino.

Não acredite em seus sonhos, melhor mudar de plano,
Assim pusestes um fim. Temor? Talvez, pensava que era
Só um sonho de menina, mais um sonho... Outra menina!
Não era! É amor verdadeiro, Você se entristece ao vê-la de
Novo vivendo sem vida? Não deixe que eu creia no que penso,
Pois penso que tua verdade, não é ponto de partida.

Vem a tempestade, o vento sopra forte,
O Carvalho, porém, aprofunda suas raízes no chão,
Um fato. Tome como lição, tire proveito disto, finca tuas raízes
Na realidade, faz nela morada. Deixe de construir castelos na areia,
Pois, ainda há quem crer em contos de fadas.

Sou um carvalho, mas não tenho a força dele,
Sou só um galho agora preso ao seu coração,
Planta-me, deixe que eu aprofunde minhas raízes,
São raízes de amor sincero que não terminam nunca,
Ainda que caia o tronco, elas ficam numa eterna espera.

Será que as chuvas do amor sobre elas cairão, regando-as
Para que se vistam na primavera? Será que deixará que
Eu morra aos teus pés, será que sua estiagem matará seu coração?
Eu pensei que houvesse sentimento, que houvesse verdade nessa ilusão.
...Mas agora, você é o fruto, eu as mãos.

QUEM DERA...

Ah, alma, pode ser que você chegue às margens do pior
antes de ser libertada e, em uma síncope não voltes mais,
... Quem dera dominar o tempo e as estações!
contar meus dias, mudar de pele, dominar minhas emoções.

Quem dera poder voltar atrás, fazer outras escolhas, consertar
meus erros, eu escolheria não amar mais. Não é o amor que me
assusta e, sim, as conseqüências do amar desesperadamente...
Um amor plenamente possível morre, inconseqüentemente.

Não posso dizer que haja chance, ou que a vida faz sentido,
pois o fardo do sofrimento parece uma pedra pendurada
em meu pescoço, é ela que faz o peso necessário para conservar
no fundo o meu querer...talvez assim nunca mais me faça sofrer.

Na tempestade vi o quanto era frágil minha embarcação,
observei a Águia quando rasgava as alturas e não se inquietava
a respeito de atravessar o rio, enquanto que, o só imaginar, dentro
de mim desfalece o coração... Esvazio-me nesta triste e fria canção.

Descubro que nada é em vão, mas que tudo é propicio a mim,
o sofrimento me põe à parte na vida como um decreto de morte,
ausente de tudo que me faz bem, abatida, me entrego resignada,
esperando as palavras certas para, enfim, ser libertada.

Fonte:
http://www.silviah.net/

5 comentários:

Erasmo Shallkytton disse...

As composições da poeta Silviah, são repletas de sentimentos que enaltecem a nossa literatura Nacional. contudo, as linhas magistrais deste belíssimo trabalho abre na cultura uma ampla dosagem de enriquecimento. Bravo!

Arnoldo Pimentel disse...

Esses poemas são lindos, e repletos de sentimentos e de inspiração, assim é a poesia de Silviah Carvalho, que sempre escreve de forma verdadeira e única, uma poesia que nos invade e emociona em cada verso, em cada palavra.Arnoldo Pimentel

Unknown disse...

Ulá lá!, sua desenvoltura é excelente, trabalhar com imagem poética não é nada fácil, fiquei encantado com o desfecho de "As mãos e o fruto"
A maneira que impõe seus versos como:
"sem lágrimas nem retorno... E sem clemência" me dá a idéia de uma mulher forte e decidida.
"enfim ser libertada", mais liberdade é impossivel, pelo menos com as palavras.
Beijão Garota.

Sol disse...

Quantas maravilhas! seus poemas mexem com a gente, tocam o leitor, por isso admiro seu trabalho e valorizo o que você cria.
Excelentes.

Marcos disse...

Seus rastros, como bem escrito sua Sonoridade poética encanta.
Bela poetiza.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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