Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Olivaldo Júnior (Liberdade)

Ulisses era um menino de oito anos e meio que morava perto de casa. Cabelo nos olhos, sorriso nos lábios e pés firmes no chão, aprontava com os meninos da rua. Era um menino mágico, livre, que queria voar. Não voava, mas pensava que, se corresse muito, mas muito mesmo, nasceriam asas em suas costas e ele veria o mundo de outra forma. Ora, ele sonhava! Sonhar é voar?

Acontece que, em nossa rua, tinha um velho que não me lembro o nome, bem turrão, criador de passarinhos. "Um dia solto todos eles!", dizia para si mesmo o garoto com nome heroico, tão forte quanto os sonhos que ele tinha. Sonhar é para os fortes. Ouça.

O velho tinha treze gaiolas no quintal caipira, coberto de flores e de ervas daninhas, que ele não fazia separação entre as plantas. Não era um mau homem, mas tinha o mau hábito de cerrar os passarinhos em prisões, gaiolas que luziam o triste olhar de Ulisses assim que ele passava em frente à casa do velho. Ah, por que não se deixava livre um ser de asas, um sol a pino, um céu aberto?

Eram quase seis horas da tarde. Tinha chovido. A rua brilhava com as poças d'água que o choro da chuva formara. Os meninos estavam em casa. Menos um. Sabendo que o velho tinha saído, Ulisses, pé ante pé, pulou o muro da casa das aves e, com as mãos em fúria de quem toca os sonhos, soltou os pássaros ao céu azul, amarelo e rosa de um fim de tarde imenso, intenso, quase tão grande quanto a alma daquele "El Niño" que, radiante, em suas costas sentia o nascer das asas com que sempre sonhou. Um a um, ganhavam o mundo, pedindo licença para ser o que um dia foram: livres. Ulisses, um menino de oito anos e meio, voava com eles, partia com os pássaros rumo ao sem-fim! Libertava alguém e se libertava também, pode haver coisa melhor que aquela? Pulando em volta das grades, cabelo nos olhos, sorriso nos lábios e pés livres do chão, aprontava sua maior travessura. Era um menino mágico, livre e que fazia voar.

Fonte:
O Autor

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to