Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Antonio Brás Constante (O Sofredor)

Ser goleiro não é fácil. É uma posição que exige um certo talento, ou ao menos alguma técnica. Enquanto todos os demais jogadores torcem para que a bola venha para o seu lado. O goleiro reza para que ela permaneça sempre o mais distante possível dele.

Nas partidas ele sempre fica atrás. Sozinho. Esperando que o pior aconteça. E o pior vem de forma redonda e rápida. A bola é a arquiinimiga do goleiro. Parece uma serpente, pronta para dar o bote através dos pés adversários, acertando, ou melhor, desviando do pobre goleiro para se acomodar junto à rede.

Pior ainda é a situação dos goleiros de fim de semana (como no meu caso). Onde a destreza com a “redonda” é quase nula. Ficamos lá no fundo da quadra. Vítimas de goleadores habilidosos. Sendo apelidados de peneiras, ou ouvindo chamarem nossas goleiras de aviários (já que elas vivem recebendo frangos).

Muitos de vocês sabem como é este sentimento. Pois também se arriscam no gol. Quando defendem, os outros insinuam que foi pura sorte. Mas quando ela passa, as expressões de reprovação na face de seus colegas são as piores possíveis.

Imagine-se em sua partida semanal. Os últimos três jogos perdidos. A culpa pelas derrotas, colocada sobre seus ombros. Não com palavras, mas com olhares. Aqueles olhares fulminantes. Esmagando-o como se fosse uma barata asquerosa.

“Mas aquele jogo será diferente”, você pensa. Irá provar que tem seu valor. O jogo vai seguindo. Algumas boas defesas. Várias desastrosas falhas. Porém seu time continua na frente por um gol.

Então acontece. Faltam poucos minutos para o jogo acabar. O goleiro adversário – aquele que defende melhor que você, e por isso mesmo você o odeia com todas as suas forças – recebe uma bola, chutando-a em sua direção. Um chute forte, que executa um arco perfeito, passando pela cabeça de todos (inclusive a sua), entrando com graça dentro de sua goleira.

O gol do empate. Todos do seu time querendo matá-lo, como se a culpa fosse sua. Você grita com eles. Agora é tudo ou nada. O jogo está para acabar. Um dos zagueiros lhe recua a bola (mais por falta de opção do que por vontade). Os jogadores do seu time prendem a respiração. Você só tem uma fração de segundo para se livrar daquele perigoso globo.

Resolve se vingar. Reúne todas as suas forças e chuta aquela esfera com ódio e determinação. Vai devolver na goleira adversária o gol que acabou de levar. Ao chutar se desequilibra caindo de joelhos. Os braços abertos tal qual um mártir que pretende se redimir de seus pecados.

A bola sobe. Mas não sobe o suficiente. Bate nas costas do zagueiro e volta. Miseravelmente volta de onde partiu. Você impotente vendo a trajetória da maldita, que poderia ter ido para qualquer lugar dentro da enorme quadra, mas preferiu adentrar com uma maldade cruel em seu próprio gol.

A campainha toca. Final de jogo. Seu time sai de cabeça baixa. Nem sequer lhe olham. Mas no fundo você está tranqüilo. Sabe que na próxima semana voltará a atacar no gol. Como foi dito no inicio do texto, alguns jogadores têm talento, outros têm técnica, e você...Bem...Se você for como eu, possuíra aquilo que se considera essencial em qualquer partida: você terá a bola.

Fonte: O Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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