A quem possa interessar — ou melhor, a quem sobrar para ler.
Acreditei, por uma ingenuidade que não combina com minha idade, que poderia fazer alguma diferença. Que as medalhas e troféus que hoje acumulam poeira na minha sala eram prova de alguma dignidade. Mas as conquistas só existem se houver com quem partilhá-las, e o silêncio ao meu redor me diz que elas foram apenas uma doce ilusão solitária.
Na internet o que publico continuará entregue às moscas; as pessoas nem ao menos comentam ou curtem, as palavras lá escritas agora pertencem apenas ao vazio. Cansou-me o esforço de querer ser alguém que a sociedade insiste em ridicularizar. O desgaste do cérebro, da energia e do tempo não compensa o preço de ser maltratado pela arrogância de quem só valoriza o papel timbrado da universidade.
A partir de hoje, coloco-me no meu lugar — o lugar que escolheram para mim, mas que agora abraço por cansaço.
Abandonar o que eu acreditava não é uma derrota, é uma rendição necessária para ter paz. Meus poucos anos restantes não serão dedicados a tentar mudar um mundo que me ignora. Eles agora pertencem aos filmes na TV, às histórias em quadrinhos e à fidelidade sem julgamentos de quem se importa comigo e me respeita, da minha cadela.
Invertendo o que disse D. Pedro I: se é para o bem do meu resto de vida e para o silêncio geral da nação, diga a todos que fico... mas fico no meu canto. E daqui não saio mais para tentar provar nada a ninguém.
Ponto final.
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