Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Baptista Bastos (1934)

Armando Baptista-Bastos (1934), é considerado um dos maiores prosadores portugueses contemporâneos. Iniciou-se como jornalista no jornal “O Século”, tendo trabalhado também no”República,”, “Europeu”, “O Diário”, “Diário Popular” e nas revistas “Cartaz”, “Almanaque”, “Época” e “Sábado”. Foi, igualmente, redator em Lisboa da Agência France Press.

Usando o pseudônimo de Manuel Trindade, trabalhou na RTP – Rádio e Televisão de Portugal, nos tempos do governo de Marcelo Caetano. Foi despedido por ter sido considerado um “adversário do regime”. Porém, é no vespertino “Diário Popular”, onde trabalhou durante vinte e três anos (1965-1988), e no qual desempenhou importantes funções, que deixa sua marca,"com um estilo inconfundível" — no dizer de Adelino Gomes. Foi docente na Universidade Independente, onde lecionou a disciplina de Língua e Cultura Portuguesas. Percorreu, profissionalmente, todo o Portugal Continental e Insular, e viajou e escreveu sobre Espanha, Canárias, França, Itália, Bélgica, Irlanda, Brasil, Uruguai, Argentina, Suíça, Luxemburgo, Grécia, Áustria, Turquia, República Democrática Alemã, República Federal da Alemanha, Checoslováquia, URSS, Marrocos, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Nigéria, Angola, Moçambique, Cabo Verde, etc.

Baptista-Bastos recebeu, entre outros, os seguintes prêmios:

- Prêmio Feira do Livro de 1966.
- Prêmio Nacional de Reportagem / Prêmio Gazeta de 1985, atribuído pelo Clube de Jornalistas.
- Prêmio O Melhor Jornalista do Ano (1980 e 1983).
- Prêmio Porto de Lisboa de 1988.
- Prêmio Pen Clube de 1987 - «A Colina de Cristal»
- Prêmio Cidade de Lisboa de 1987 - «A Colina de Cristal» .
- Prêmio da Crítica 2002 (Atribuído, em 2003, ao romance “No Interior da Tua Ausência», e como consagração de uma obra literária).
- Grande Prêmio da Crônica da APE (Associação Portuguesa de Escritores), atribuído, em 2003, ao livro «Lisboa Contada pelos Dedos», publicado em 2001.
- Prêmio Gazeta de Mérito, atribuído, por unanimidade, pelo Clube de Jornalistas, em 2004.

Algumas obras do autor:

Ensaios:

- O Cinema na Polêmica do Tempo / 1959
- O Filme e o Realismo / 1962 / Duas edições

Ficção:

- O Secreto Adeus / 1963 / Seis edições
- O Passo da Serpente / 1965 / Duas edições
- Cão Velho entre Flores / 1974 / Oito edições
- Viagem de um pai e de um Filho pelas Ruas da Amargura / 1981 / Cinco edições
- Elegia para um Caixão Vazio / 1984 / Quatro edições
- A Colina de Cristal / 1987 / Quatro edições (Prêmio Pen Clube e Prêmio Cidade de Lisboa)
- Um Homem Parado no Inverno / 1991 / Quatro edições
- O Cavalo a Tinta-da-China / 1995 / Quatro edições
- No Interior da Tua Ausência / 2002 /Quatro edições

(Entre 2000 e 2002 as Edições ASA publicaram os nove volumes de ficção do autor, sob o título geral de Biblioteca Baptista-Bastos).

Jornalismo:
- As Palavras dos Outros / 1969 / Quatro edições
- Cidade Diária / 1972
- Capitão de Médio Curso / 1979
- O Homem em Ponto / 1984
- O Nome das Ruas / 1993 (Em colaboração com António Borges Coelho)
- José Saramago: Aproximação a um Retrato / 1996
- Fado Falado / 1999
- Lisboa Contada pelos Dedos (Edição do Montepio Geral) / 2001

Disco:

O Sinal do Tempo / 1973 / Crônicas ditas pelo Autor, com música especial do maestro António Victorino d’Almeida (Edições Zip)

Cinema:

Baptista-Bastos é o autor do texto e da entrevista do filme “Belarmino”, realização de Fernando Lopes, geralmente considerado como um dos clássicos do Cinema Novo português. Trabalhou com Rogério Ceitil e Fernando Matos Silva nos documentários “Ribatejo” e “Alentejo”.

Fonte:
http://www.releituras.com

Um comentário:

Anônimo disse...

Destacado autor luso

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to