Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 7 de setembro de 2008

Gcina Mhlophe (Histórias da África)

Contos africanos para os quatro cantos do mundo

Histórias da África, de autoria de Gcina Mhlophe, reúne alguns contos africanos bastante tradicionais. Mais do que entreter, as dez histórias apresentadas nesta obra têm a função de transmitir ensinamentos e lições de vida e de moral.

“Sabe ... essa história me fez pensar que as respostas que procuro para minhas perguntas estão dentro de mim, lá no fundo. Sinto que estão nas profundezas do oceano, do oceano que é meu coração e a minha alma.”

Do contato com sua avó, a netinha Gcina Mhlophe, hoje renomada escritora, aprendeu muito cedo a gostar de histórias fantásticas e dos contos infantis que marcaram tantas gerações dos povos africanos. Guardadas na lembrança, algumas destas histórias serviram para que Gcina elaborasse sua mais recente obra: Histórias da África, publicada pela Paulinas.

São dez histórias que trazem nas entrelinhas exemplos de valores supremos, aqueles que regem a vida do ser humano em qualquer parte do planeta, como justiça, ética e respeito.

Despertando a curiosidade e o sentimento lúdico infantis, a autora demonstra, em todos os seus textos, o respeito à oralidade, condição que torna a leitura mais agradável e, ao mesmo tempo, fácil para a compreensão do leitor.

Escritos para depois serem “partilhados”, ou melhor, “recontados” para outras pessoas, os contos encantam pelas mensagens e capacidade de despertar a reflexão de adultos e crianças: por que o Crocodilo queria o coração do Macaco? Como a Tartaruga conseguia ser respeitada? E a inimizade entre o Leão e a Lebre, como surgiu? O poder de cura do velho leopardo Filani ... o casamento de Lungile, a moça bonita da aldeia que amava tanto os pássaros ... entre tantas outras histórias do folclore africano.

As ilustrações, de cinco artistas residentes na África do Sul, foram feitas com diferentes técnicas (pintura a óleo, artesanais tradicionais, imagens computadorizadas, xilogravura e aquarela) e trabalhadas em variados estilos; juntas, porém, complementam e enriquecem as histórias contadas por Gcina.

A autora :

Gcina Mhlophe é uma das mais populares contadoras de história da África do Sul. É também atriz e produtora. Nascida em KwaZulu-Natal, atualmente vive em Johannesburg.

Os ilustradores:

As ilustrações são de um grupo de cinco artistas (Kalle Becker, Jeannie Kinsler, Kim Longhurst, Lalelani Mbhele e Junior Valentim), que possuem diferentes formações e usam, neste livro, as mais diversas técnicas. Ao exibirem juntos suas obras, colaboram para enriquecer Histórias da África com um rico mosaico artístico.

Título: Histórias da África
Autora: Gcina Mhlophe
Editora: Paulinas
Tema: Livros infanto-juvenis, Literatura, África , Fábulas e lendas, Folclore
Público-alvo: leitor fluente
Coleção: Tecendo histórias
Formato: 21,0 x 28,0
Páginas: 60

Fonte:
http://animalivre.uol.com.br/home/?tipo=noticia&id=2426

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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