Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 23 de janeiro de 2010

Izabel Leão (O Galo Chico)



Recolhendo fragmentos no baú de minhas memórias fui trazendo lembranças a tanto esquecidas que foram narradas por meu pai, ainda vivo, e que tem muita coisa pra contar.

Sempre que o visito em Bauru, cidade onde nasci e por lá fiquei até meus trinta e pouco anos, ele passa a rememorar seus arquivos antigos e me brindar com histórias que só quem viveu é capaz de contar.

A que mais me recordo é sobre um tal galo de estimação, que tanto ele gostava e que para sua tristeza era manco com defeito em uma das pernas.

Foi em São Manoel, cidade próxima a Bauru, que papai nasceu e lá viveu sua infância simples e humilde. Ele conta que sempre que voltava da escola correndo e esbaforido gritava já da calçada: Chico, cadê você? Vem cá Chico!!!!! Chico! Chico! E lá vinha o Chico correndo e mancando pelo quintal atrás daquele que o chamava e ele nem sabia o porquê.

Papai tinha certeza que ele era o único na família que prezava tanto o Chico. “Eu tinha dó do pobre galo. Peguei carinho por ele”, diz condoído.

Como nada na vida que a gente ama dura pra sempre, assim também foi com o querido galo Chico.

Um dia papai chega da escola e grita: Chico! Vem cá. Grita mais uma vez: Chico! vem cá. Cadê você!!! E grita mais uma centena de vezes e nada do Chico aparecer. Ele achou estranho, e preferiu pensar que o galo estivesse em algum momento melancólico e não quisesse brincar. Exclamou: “Deixa pra lá!”

Na hora do jantar, o cheiro apetitoso da comida da vovó Izabel, do qual o meu nome originou-se, faz meu pai sair correndo para a mesa garantir um naco daquilo que parecia estar muito gostoso. Eis que para a sua surpresa era um ensopado de frango.

Desconfiado lhe vem a mente, mais que de repente, a lembrança do galo Chico, correndo pelo quintal e atendendo ao seu chamado.

Naquela noite papai não quis comer o ensopado. Perdeu a fome. Nem quis perguntar pra vovó de onde vinha aquele frango. Ele conta que ela era brava demais e com certeza ia lhe dar uma bronca. Só sabe que o galo Chico nunca mais apareceu. E ele não quis nem ouvir o lhe era difícil e dolorido de aceitar.
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(*) Izabel Leão é jornalista em São Paulo, SP.

Fontes:
Jornal Guata. Foz do Iguaçu.
Imagem =
http://sotaodaines.chrome.pt

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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