Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Navegando nas Ondas da Poesia do Ceará


(Nilto Maciel)
NEM SEI DOMAR MEUS PRÓPRIOS CÃES

Para imitar o imortal Camões,
precisaria ser, meus cidadãos,
mil seres juntos, ter mil corações,
hidra gentil – cabeça, tronco e mãos.

Porém sou pobre, sem nenhuns tostões,
vivo perdido em devaneios vãos,
e sem botinas, becas e botões,
como esses loucos que se creem sãos.

E velho estou, cabeça toda em cãs,
como meus pais, avós, as minhas mães,
as utopias, ancestrais e vãs.

Talvez pudesse ser padeiro – pães –,
tecer mortalhar – panos – doutras lãs,
porém domar nem sei meus próprios cães.

(Pedro Ernesto)
O POETA INSONE

Sou apenas um poeta
Que não dorme
Pois o sono lhe somente

Que não respira
Pois o ar se retirados

Que não bebe
Pois a água se esvai

Que não tem visão
Pois seus olhos se cansam

Que não escuta as palavras
Pois elas se emudecem

Que não sente o cheiro
Pois o perfume se extingue

Sou apenas um poeta
Sem nome, sem sono
Sem fome, sem dono
Sem pranto, sem canto

Sem mim, não sou nada
Comigo, sou menos
Não sou da manada
Nem sou tão pequeno

Sou forte, valente
Escrevo – sou gente
Escravo – contente
Das palavras amenas
E dos doces poemas.

(Antonio Ximenes)
DOMINGOS RETIRANTES

Eu estava perdido antes
Antes da primeira colheita
Durante a minha guerra
Depois da minha morte sugerida.

Dividi meu prato com todos
Na manhã do café com leite
Pão com manteiga e desenho animado
Na tarde preguiçosa dos rádios AM
Filmes antigos e sucos em pó

Eu estava bêbado antes
Antes de acordar naufragado
Isolado no sofá da sala
Derrotado e cabisbaixo
Destruí minha vida e meu fígado

Digo adeus ao meu copo de alumínio
Com meu nome gravado em baixo relevo
Nas madrugadas de Lucélia Santos nua
No alvorecer das minhas andanças
Na eternidade de minhas esperas sem, sentido

Eu estava sozinho antes
Antes da última ceia desesperada
Amargurado de pão e lágrima
Fadigado de mentiras e cream-crackers
Empanzinei-me de rum e solidão.

Termino aqui o meu recomeço
Acuado num curral de analgésicos
Na ressaca de mil domingos retirantes
Aprisionado neste mundo hermético

Eu queria ter sabido de tudo isso…antes.
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Fonte:
Colaboração de Nilto Maciel com doação do Periódico Bimestral
V.O.L.A.N.T.E. (Veiculo Original Litero Alternativo Nascido Totalmente Emancipado)
Ano 1 – n.5 . Fortaleza/CE. Setembro-outubro 2009.

Um comentário:

Valdecy Alves disse...

Visite o meu blog: www.valdecyalves.blogspot.com e leia poesia vencedora de concurso homenageando o Estado do Ceará, Brasil. intitulada: CANTO AO CEARÁ. Coletânea lançada em 21 de janeiro de 2010. A partir do meu blog pode acessar páginas de outras poesias de minha autoria e vários documentários postados em minha conta no youtube. Grato!

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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