Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mário Prata (1946)


Mario Alberto Campos de Morais Prata é natural de Uberaba (MG), onde nasceu no dia 11 de fevereiro de 1946. Foi criado em Lins, interior de São Paulo. Com 10 anos de idade já escrevia "numa velha Remington no laboratório de meu pai (...) crônicas horríveis, geralmente pregando a liberdade e duvidando da existência de Deus". Nesse período de sua vida era o redator do jornalzinho de sua classe na escola. Sendo vizinho de frente do jornal A Gazeta de Lins, com 14 anos começou a escrever a coluna social com o pseudônimo de Franco Abbiazzi. Passou, com o tempo, a fazer de tudo no jornal, desde editoriais a reportagens esportivas e artigos de peso. O escritor Sérgio Antunes, seu amigo nessa época, disse que Mário era um molecote de "voz de taquara rachada e aparelho nos dentes ".

Além de escrever Mário se dedicava ao tênis e, defendendo o Clube Atlético Linense, acabou sendo o campeão noroestino infantil na década de 60. Lia tudo o que lhe caia nas mãos, em especial as famosas revistas da época "O Cruzeiro" e "Manchete", que traziam em suas páginas os melhores cronistas da época como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Henrique Pongetti, Rubem Braga, Millôr Fernandes e Stanislaw Ponte Preta, uma vez que em Lins, naquela época, "não chegavam os grandes clássicos", como disse o autor. Daí a forte influência que os citados cronistas tiveram em seu estilo.

Aos 16 anos recebe um convite de Roberto Filipelli, que foi depois diretor da Globo em Londres, para fazer com ele o "Jornal do Lar ". Samuel Wainer, vislumbrando seu grande talento, levou-o, nessa época, para escrever no jornal "Última Hora". Mário comenta: "Meus pais chamavam aquilo que eu escrevia de bobageiras e me previam um péssimo futuro. Medicina, Engenharia, Direito ou Banco do Brasil (eles queriam). E nada de estudar filosofia ou letras: coisa de veado". O autor acabou trabalhando 8 anos no Banco do Brasil, a exemplo de Jaguar e Stanislaw Ponte Preta — dentre outros, como auxiliar de escrita.

Na década de 60, em plena revolução, inicia o curso de Economia na U.S.P. Desse tempo relembra: "a gente se orgulhava: a gente era comunista! (...) um dia o DOPS chegou lá e levou a gente. Todo mundo preso, orgulhoso ". Apesar da opinião contrária dos familiares e dos amigos, e movido pela vontade cada vez maior de ser escritor, resolveu pedir demissão do Banco do Brasil e abandonar a faculdade de Economia.

A partir de então vem obtendo sucesso com inúmeros livros, novelas, peças, roteiros, etc., tendo sido agraciado com diversos prêmios nacionais e internacionais.

Sua estadia em Portugal, onde morou por 2 anos, deu origem a um de seus grandes sucessos no Brasil, o livro Schifaizfavoire — um tipo de dicionário do português falado pelos portugueses. Lá, nesse período, realizou diversos trabalhos para a RTP (Rádio e Televisão Portuguesa). Atualmente mora em São Paulo e diz que gosta de escrever de manhã e "careta", uma herança adquirida nos tempos em que trabalhou no Banco do Brasil.

Escreveu, semanalmente, na revista "Época" e no jornal "O Estado de São Paulo" por vários anos.

LITERATURA ADULTA

O MORTO QUE MORREU DE RIR - 1969
PRETO NO BRANCO - 1978, coletânea de contos cariocas, com vários autores.
FÁBRICA DE CHOCOLATES - 1980
CONTOS PIRANDELLIANOS - 1984, com vários autores.
RITOS DA INFÂNCIA - 1985, texto de vários autores,
BESAME MUCHO -1987, texto da peça e do roteiro cinematográfico, em parceria com Ramalho Jr.
SCHIFAIZFAVOIRE, DICIONÁRIO DE PORTUGUÊS - 1993
JAMES LINS, O PLAYBOY QUE NÃO DEU CERTO - 1994
FILHO É BOM, MAS DURA MUITO, 1995
MAS SERÁ O BENEDITO?, 1996
O DIÁRIO DE UM MAGRO, 1997
100 CRÔNICAS, 1997, crônicas
MINHAS VIDAS PASSADAS (A LIMPO),1998
MINHAS MULHERES E MEUS HOMENS, 1999
OS ANJOS DE BADARÓ, 2000
MINHAS TUDO, 2001
BUSCANDO O SEU MINDINHO, 2002
PALMEIRAS: UM CASO DE AMOR, 2002
DIÁRIO DE UM MAGRO 2 - A VOLTA AO SPA
CEM MELHORES CRÔNICAS, 2007

LITERATURA INFANTO-JUVENIL

CHAPEUZINHO VERMELHO DE RAIVA - 1970
O HOMEM QUE SOLTAVA PUM - 1983
SEXTA-FEIRA, DE NOITE - 1984
A VIAGEM DE MEMOH - 1987
AS MENINAS DE VINTE ANOS - 1989
E O ZÉ REINALDO, CONTINUA NADANDO? 1989
QUADRILHA - 1990
LOVE STORY - 1990
TA ME OUVINDO, FREI VICENTE? - 1990
VESTIBULANDO - 1990
Nota: os seis últimos títulos fazem parte dos seis volumes da coleção QUEM CONTA UM CONTO, organizada por Samir Meserani, adotada em várias escolas públicas e privadas no Brasil.

TELEVISÃO

BANG BANG - 1989, projeto de novela
ELA TEM UMA PULGA ATRÁS DA ORELHA - 1974, Caso Verdade. Rede Globo.
ESTÚPIDO CUPIDO - 1976, novela, Rede Globo
SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO - 1978, novela, Rede Globo
XICO REY - 1978, minissérie em 13 capítulos para o Canal 1, ARD da Alemanha Ocidental
DINHEIRO VIVO - 1979, novela, Rede Tupi
O RESTO É SILÊNCIO - 1981, tele-romance, baseado em Érico Veríssimo, TV Cultura.
O VENTO DO MAR ABERTO - 1981, tele-romance baseado em Geraldo Santos, TV Cultura.
MÚSICA AO LONGE - 1982, tele-romance baseado em Érico Veríssimo, TV Cultura.
O HOMEM DO DISCO VOADOR - 1983, Caso Verdade, Rede Globo
DEVOLVAM MEU FILHO - 1983, Caso Verdade, Rede Globo
AVENIDA PAULISTA - 1983, minissérie em 20 capítulos. Rede Globo.
A MÁFIA NO BRASIL - 1984, minissérie em 20 capítulos com vários co-autores, Rede Globo
UM SONHO A MAIS - 1986, novela em co-autoria com Lauro César Muniz e Dagomir Marquesi, Rede Globo
HELENA - 1987, novela em co-autoria com Dagomir Marquesi e Reinaldo Moraes, Rede Manchete. Exibida em Portugal e Alemanha Ocidental
O TESTAMENTO DO SENHOR NAPOMUCENO DA SILVA ARAÚJO - 1991, minissérie em cinco capítulos, baseada no romance do caboverdeano Germano Almeida, para a televisão portuguesa.
HOTEL EUROPA - 1991, projeto de seriado para Herman José, em Portugal.
VIVA A VIDA - 1991/2, assessoria de teledramaturgia para programa da RTP Internacional, de Portugal, para os Palop.
UM SÉCULO E SETE MULHERES - 1992, inspirada na "Trilogia do Café" de Álvaro Guerra, em 13 capítulos, para a RTP, de Portugal.
O CAMPEÃO, 1996, novela para a Rede Bandeirantes, produzida pela TVPlus.
BANG BANG - 2005, novela para a TV Globo.

TEATRO

O CORDÃO UMBILICAL - 1970
E SE A GENTE GANHAR A GUERRA? - 1971, em São Paulo
FÁBRICA DE CHOCOLATES - 1979, em São Paulo
DONA BEJA - 1980, em Belo Horizonte
BESAME MUCHO - 1982
SALTO ALTO - 1983
PURGATÓRIO, UMA COMÉDIA DIVINA - 1984
PAPAI & MAMÃE, CONVERSANDO SOBRE SEXO - Em parceria com Marta Suplicy em 1984
O CAMINHO DA ROÇA - 1990, inédita.
PILATOS: VIDA E OBRA - 1991, adaptação livre do livro homônimo de Carlos Heitor Cony. Inédita.
EU FALO O QUE ELAS QUEREM OUVIR - 2001

CINEMA

O JOGO DA VIDA E DA MORTE - 1971, diálogos
XICO REY - 1978
BESAME MUCHO - 1987
BANANA SPLIT - 1987, roteiro
O BEIJO 2348/72 - 1987
O TESTAMENTO DO SENHOR NAPUMOCENO DA SILVA ARAÚJO - 1991, baseado no romance do caboverdiano Germano Almeida, para a Opus Filmes de Portugal

JORNALISMO

A GAZETA DE LINS (colunista social, aos 14 anos; redator; editor)
ULTIMA HORA (repórter, redator, editor do UH Revista, com Samuel Wainer)
FOLHA DE S. PAULO (colaborador, cronista, repórter)
O PASQUIM (colaborador entre 72 e 73)
ISTOÉ (resenhista de literatura)
AQUI, SÃO PAULO (colaborador)
JORNAL DA TARDE, cronista, articulista, contista.
O ESTADO DE S. PAULO, cronista, articulista e autor da minissérie "James Lins", publicada em capítulos, entre novembro de 93 e fevereiro de 94)
PLAYBOY, HOMEM, LUI, STATUS, SAQUE, AZ, ÍCARO, CRIATIVA, PLACAR, MOTORSHOW, CAROS AMIGOS (artigos e contos).
ÉPOCA (cronista)

VÍDEO-FICÇÃO

ASSALTO -1987
E O ZÉ REINALDO, CONTINUA NADANDO? -1989. Exibido em Cuba, Nova Iorque, Milão, Amsterdã, Paris.
OS DOIS. 1990
SEXTA-FEIRA, DE NOITE. 1994

Fontes:
http://www.releituras.com/
Imagem = http://veja.abril.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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