Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 22 de novembro de 2008

Os escritores de hoje acham que literatura é só contar uma história, e não é



Eu acho que não são os tempos mais ricos que o Brasil já teve, em termos de qualidade. O país já teve Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos... Por outro lado, hoje existe um mercado editorial muito sólido, cada vez chegando a mais pessoas, inclusive fazendo livros de bolso, de banca, publicando mais e mais livros por ano... Acho também que há bons escritores, que muitas vezes não recebem a devida divulgação”. Essa é a opinião sobre literatura contemporânea do jornalista Daniel Piza, que esteve em Sorocaba no dia 30 de outubro, quando proferiu a palestra “Machado de Assis - Um Gênio Brasileiro”.

Daniel faz questão de destacar o trabalho de Milton Hatum, autor de “Dois Irmãos”. “Esse é um dos maiores livros publicados nos últimos 15, 20 anos. Também quero ressaltar o trabalho de Carpinejar, que é o melhor poeta de sua geração. E mesmo fora da ficção, do romance, da poesia, você tem grandes historiadores e ensaístas, como o Elio Gáspari, o Ruy Castro... É um momento bom, mas tem de ser lido com a devida serenidade”.

Para ele, a internet veio para acrescentar. “Qualquer coisa relacionada ao mundo da informação está lá, na internet. Mais do que nunca, hoje em dia, e graças a Deus! Quem não gosta de informação é ditador. A primeira coisa que o ditador faz é controlar a informação. A informação está lá e eu celebro isso, evidentemente, mas a grande questão nossa é o que fazer com essa informação”, reflete.

A literatura na internet, conforme Piza, está aumentando. “Tem blogs, muitas obras disponíveis graças à tecnologia dos livros digitais, que está melhorando, e isso não significa que veio acabar com o livro e sim vem acrescentar ao livro. Tem sites de jornais, enfim, muita coisa que dá força para a literatura. Na escola, os professores têm de ajudar os alunos a distinguir o que é uma boa informação, como trabalhar essa informação, contextualizar, debater”.

Ainda de acordo com o jornalista, a reportagem que incorpora recursos literários é uma coisa que tem reaparecido no Brasil nos últimos tempos. “Seja em jornais como o Estadão, revistas como a Piauí, ou ainda livros-reportagem”, afirma. Apesar disso, para ele ainda há uma falha no que se refere ao jornalismo sobre a literatura. “Esse tipo de reportagem perdeu espaço, acredito que pela guerra que existe entre outras áreas como o cinema e a música, que chamam mais a atenção do que a literatura. A crítica ou o debate em torno dos livros, e a sua própria divulgação, como matérias sobre os escritores e reportagens sobre as tendências literárias brasileiras são poucas. Temos bons escritores não conhecidos e temos muitos escritores conhecidos que não são bons”, diz.

Sobre a contemporaneidade na obra de Machado de Assis, Daniel Piza observa que existe muita coisa. “A criatividade verbal dele, com seu texto que mistura humor, filosofia, romance e milhões de recursos lingüísticos, acho que é muito atual, e principalmente pelo que ele diz, literalmente. O Machado tem a bossa da ilegalidade. Ele sempre teve a visão que o Brasil não tem de se dividir entre dois projetos, o europeu e o americano, que o país tem de encontrar o seu próprio caminho como nação”, reflete.

Piza ainda ressalta que a obra de Machado tem uma inquietude muito grande. “Os escritores de hoje acham que literatura é só contar uma história, e não é. Tem de colocar a reflexão filosófica e existencial da época. Dom Casmurro, por exemplo, não é apenas o relato de um suposto adultério. Essa obra reflete o mundo na psicologia de um homem chamado Bentinho e de uma mulher chamada Capitu, com uma profundidade intelectual. Essa inquietude filosófica de Machado é uma coisa que está faltando na literatura de hoje”.

Fonte:
Reportagem de Daniel Jacinto para o Caderno de Domingo do Jornal O Cruzeiro do Sul, pag.2. 16 de novembro. http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=86&id=136902

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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