Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 15 de novembro de 2008

Adriana Lisboa (Contos Populares Japoneses)



Quando esteve no Japão pesquisando sobre a obra do poeta Matsuo Basho para escrever o romance Rakushisha, lançado em 2007, a premiada escritora carioca Adriana Lisboa trouxe na mala - e na memória e no coração muito mais do que os haicais do poeta do século XVII. Grande admiradora da cultura oriental, ela mergulhou fundo também nas lendas e na tradição popular da terra do sol nascente, e apresenta aos leitores brasileiros uma seleção de histórias que sobrevivem ao tempo e fazem parte da milenar cultura popular nipônica na coletânea Contos populares japoneses, ilustrada pela sansei paulista Janaina Tokitaka.

O livro reúne seis contos que estão entre os mais conhecidos da cultura japonesa e são também os preferidos da autora. As narrativas falam sobre gente simples, mas cheia de esperança e valores, sobre animais encantados e seres fantásticos, e constituem belas metáforas do comportamento humano, de nossos sonhos, alegrias, angústias e medos. Com graça, leveza, alguns toques de suspense e muita imaginação, os contos são uma amostra vívida da força da literatura popular japonesa e sua capacidade de cruzar fronteiras.

O primeiro conto do livro, "A história de Urashima Taro", relata a aventura de um jovem e bondoso pescador que embarca numa doce, mas irreversível, viagem rumo às profundezas do mar; "Chapéus de bambu" mostra que ajudar o próximo sem esperar nada em troca é a melhor forma de ser recompensado pela graça divina; já "A mulher da neve" é uma lenda ao mesmo tempo bela e sombria sobre uma misteriosa mulher que detém o poder da vida e da morte, e mostra a importância de se cumprir a palavra dada a alguém; "O grou" narra a história de um mágico e talentoso pássaro branco salvo da morte por um solitário casal de velhinhos; "A chaleira da sorte" fala da amizade profunda entre o texugo encantado, um funileiro e sua esposa, e mostra que nem tudo na vida é apenas o que parece ser; por fim, "A história de Momotaro" conta a saga de um menino que nasceu de um suculento pêssego com a missão de combater o mal e levar alegria a um pobre lenhador e sua esposa.

No ano em que se celebra o centenário da imigração japonesa no Brasil, Contos populares japoneses presta uma homenagem ao Japão e à riqueza de sua literatura, deixando ao alcance de leitores brasileiros de todas as idades narrativas que constituem a identidade da gente japonesa e refletem sobre temas universais, como honra, amor, generosidade, saudade, gratidão, compromisso e solidariedade. Um passeio pelas mais belas histórias dessa literatura conduzido pelo olhar sensível e a escrita refinada de Adriana Lisboa, em sintonia com as ilustrações cheias de graça e leveza de Janaina Tokitaka capaz de aquecer o coração.

Fonte:
http://www.adrianalisboa.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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