Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 22 de agosto de 2010

Folclore Brasileiro (A Cuca)


A Cuca ou a Coca é um ente velho, muito feio, desgrenhado, que aparece no meio da noite para levar consigo crianças inquietas, que não dormem ou falam muito. Para muitos, a Coca ou Cuca, é apenas uma ameaça de perigo sem forma. Amedronta pela deformidade. Ninguém sabe ao certo que aparência tem esse fantasma.

A maioria, no entanto, identifica-a como uma Velha, muito velha, enrugada, de cabelos brancos e assanhados, magríssima, corcunda e sempre ávida pelas crianças que não querem dormir cedo e fazem barulho. É um fantasma noturno. Figura em todo Brasil nas cantigas de ninar. Não está localizado em nenhuma região específica, mas em toda parte. Atua em todos os lugares mas nunca se disse quem carregou e como o faz. Conduz a criança num saco e some imediatamente depois de fazer a presa, sem deixar vestígios.

Em Portugal chama-se Coca, e possui uma forma de Dragão. Lá, na província do Minho, no meio da procissão de Corpus Christi, a figura de São Jorge a ataca com sua lança.

Mas no Brasil, ela não é monstruosa, tem forma humana, tanto que se confunde com o Preto Velho, ou a Negra Velha das histórias.

Vem ainda de Portugal, um espantalho que seguia a Procissão dos Passos. No Brasil, este chamava-se Farrinoco, era conhecido como A Morte e amedrontava as crianças que atrapalhavam o cortejo.

Literalmente quer dizer, entidade fantástica, com que se mete medo às criancinhas. A Cuca Paulista parece o Negro Velho de Minas, o Tutu de outros estados, e o Papão de Portugal. Em Pernambuco significa mulher velha e feia, espécie de feiticeira, também Quicuca, ticuca, rolo de mato. Há uma quadrinha mineira, que se originou de uma criada para o Papão Português. Na versão mineira, a palavra Papão é Coca.

Vai-te, Coca, sai daqui
para cima do telhado;
deixa dormir o menino,
seu sono sossegado.

E há a versão nordestina, a mais comum dessa cantiga:

Durma, nenê,
Senão a Cuca vem,
Papai foi à roça,
Mamãe logo vem.

Informações complementares:

Nomes comuns: Cuca, La cuca, Cuco, Coca, Coco, Santa Coca, Farrinoco, Papão.

Origem Provável: Européia. Possui elementos da Mitologia Grega e agregou alguns vestígios da Mitologia africana, como, por exemplo, O Negro Velho, Negro de Angola.

Na Espanha há a Coca, serpente de lona e papelão que sai no dia de Corpus Christi. A Coca é apenas um dragão gigante, com patas de grilo, cauda de serpente e um par de asas.

A palavra castelhana Coco, viria do Grego Kakos ou Cacos, um monstro meio homem, meio animal, feio, feroz e bruto. Este representaria uma entidade fantástica, que se julga habituada a devorar criaturas humanas, como faz o Papão. Na Espanha era um fantasma para assombrar as crianças e já era citado nos séculos XVI e XVII.

Há também a tradição de uma Coca humanizada. Na Vila Nova de Portimão, no Algarve, as crianças portuguesas correm apavoradas por causa de um espantalho que segue a procissão dos Passos. Este veste uma túnica amortalhada, cabeça com um capuz afunilado onde os olhos espreitam por dois buracos, que se encarrega de afastar os meninos para que não perturbem a marcha.

Em Portugal, no Minho, chamam de "coca", uma abóbora vazia, cortados os lugares da boca e olhos, com uma luz acesa dentro, que colocam em lugares desertos, à noite, para amendrontar crianças e aldeões distraídos.

Há ainda o elemento africano que, no Brasil, ajudou a dar a forma atual do mito. No idioma nbunda, Cuco ou cuca, quer dizer avô e avó. Simboliza a velhice, a melancolia física. É assim que surge o "negro Velho" de Minas, um Cuca Angolês. No Nordeste, o "negro de Angola" vale pela "Coca" e pela "Cuca" do Sul do Brasil, que assusta as crianças que se julgam espertas.

Coca serve de prefixo para outros bichos fantásticos, como a Cocaloba, espécie de Cabra Cabriola de Portugal, que cerca as casas onde as crianças dormem, procurando incansavelmente raptá-las. A Cocaloba não veio para o Brasil com os emigrantes.

Em Tupi, cuca, significa trago, o ato de engolir, de onde vem a ideia de voracidade. Em resumo, "Coca" e "Cuca", resumem espécimes africanos, europeus e ameríndios. Assim, como fantasma, herdou do Coco, sua aparência demoníaca; da Coca, o ar de monstro, e do Cuco negro, a aparência misteriosa e antropófaga.

Fonte:
http://sitededicas.uol.com.br/cfolc.htm

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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