Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Érika Lourenço Jurandy (Querida Mãe)


Aqui sentada na varanda, olhando para as nuvens que correm sem parar, lembro-me de quando te senti, pela primeira vez, em minha vida. Foi quando passei a enxergar, ainda com tenra idade. Sem entender o que era aquela imensidão azul acima da minha cabeça, vi algo tão lindo que, mais tarde, descobri ser o céu. Quantas vezes depois, deitada na grama verde e junto às belas flores que você me deu, contemplei aquele azul sem igual, com os matizes que só você sabe como pintar. Vi, nas nuvens brancas e fofinhas, as formas e histórias que você decidia me contar. E todas as vezes que estive desanimada, você tratou de me fazer ver o lindo cenário que, de graça, me oferecia, para acalmar meu coração.

Nas noites, me deu a lua e as estrelas, a luz delas e a ciranda dos astros, me mostrando que seu amor por mim era infinito, tão infinito quanto aquelas luzes brilhantes lá em cima. Fez-me, além de feliz por ter tanta beleza ao redor, uma quase poeta, trazendo inspirações nas noites frias ou com belo firmamento, com lua nova ou minguante, não importa. Sempre me deu uma noite para poder ver, me inspirar e descansar.

Mesmo sabendo da minha fobia por ambientes com grandes extensões de água, não deixou de preservar minha saúde e vida, me dando os rios, os lagos, as cachoeiras, os mares. Apesar de nunca me obrigar a ir até esses belos locais, ainda assim, deixa-os por mim, pois sabe das minhas necessidades físicas e tem plena consciência de que necessito de água para manter-me viva! Como boa e zelosa mãe, me respeita e cuida de mim, aceitando minhas limitações com suas belezas naturais e gratuitas.

Tendo em mente que eu necessitaria de irmãos, me deu muitos, de diferentes tipos e comportamentos, que possuem o nome de animais, embora prefira chama-los de irmãos menores – ou nem tanto! – que ainda não aprenderam a falar. Com eles aprendi o valor da vida, do amor verdadeiro, da amizade e devoção. Aprendi a respeitar os diferentes, a ter delicadeza, a ser mais humana. Com eles estou sempre perto de você.

Para deixar meus ambientes coloridos, frescos e sempre com bom ar, livre de perigos respiratórios, fez nascer as mais belas plantas, árvores e flores. Todas com seus coloridos, com seus orvalhos, com suas sínteses e fotossínteses. Complexas, belas e plenas. Raras, fáceis de encontrar. Tamanhos e folhagens variados, tanta criatividade que nem sei como consegue tanto para me ofertar. Além disso, providenciou que muitas pudessem me oferecer alimentos, os frutos deliciosos, que ajudam na minha saúde e alimentação saudável. Por que só uma mãe zelosa como você pensa em tudo, nos mínimos detalhes.

A terra que existe, com todas as suas propriedades e camadas, com todo o poder de fazer nascer e crescer, demonstra a sua vontade de me fazer ver que tenho solo que me proporciona alicerce para construir minha vida, nos mais variados sentidos.

Não tenho palavras para descrever o quanto és maravilhosa e o quanto sou grata por ter nascido no seu seio, sendo um de seus filhos. Gratidão é pouco para dar-te, diante de tudo o que faz por mim. 

Infelizmente, nem todos os meus irmãos sabem o valor que possui e o quanto devem cuidar de ti. Destroem tudo o que oferece de bom grado e ainda reclamam quando, em determinados momentos, se insurge contra os danos que lhe propiciam. Aliás, você nunca revida o mal que te fazem; tudo de ruim que atribuem a você não passa de consequências dos malfeitos que realizam, acreditando que não haverá efeito colateral. Não pensam eles, os filhos ingratos, que são vítimas de suas próprias condutas maculosas, porque você é uma mãe sem igual e, como tal, ama seus filhos, mesmo os não merecedores.

Ah minha mãe Terra, minha querida Mãe Gaia. Aquela que cuida de mim até o fim, fazendo com que voltemos a seu seio quando acreditamos que chegamos ao nosso fim, a morte. É nela que nos unimos a ti novamente, mostrando que todos somos seus filhos, nem sempre tão gratos, mas seus.

(Medalha de Prata no V Concurso de Literatura da Natureza, Categoria Prosa)

Fonte:

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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