Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 7 de julho de 2018

Darcy Pinheiro (Atitude Revolucionária)

Darcy é de Cruz Alta/RS
O texto abaixo da imagem é Medalha de Prata no V Concurso de Literatura da Natureza (organizado por Oliveira Caruso em 2015), Categoria Prosa
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Em época não muito distante, havia um proprietário de vasta área de terra, sendo  vinte por cento de campo e restante de mato, nativo formando uma floresta na qual habitavam animais de diversas espécies.

O campo era utilizado parte em agricultura e parte em pecuária. Com o passar do tempo, visando aumentar a área agricultável, deu-se,  início à derrubada da floresta. Consequentemente aumentou também a pulverização na lavoura, com a utilização de agrotóxicos.

A mata abrigava rico ecossistema: fauna e flora nativas habitada por animais de várias espécies, flores naturais, silvestres, abelhas em ocos de árvores,  pássaros, em grande quantidade completavam a beleza do local.  Com uso de agrotóxicos, nas pulverizações, as abelhas e pássaros começaram a morrer.

Sabe-se que na hierarquia das abelhas, as obreiras (soldados), são responsáveis pela  segurança, alimentação e higiene de todo o enxame, inclusive pela alimentação da rainha.

Uma obreira vendo as companheiras morrerem envenenadas ao coletarem o  néctar das flores, resultado do veneno utilizado na pulverização,  pressentiu que os enxames  corriam  risco de extinção. Sendo uma das responsáveis pela segurança do enxame, contatou com as companheiras de trabalho, sugerindo reunião com outras colmeias, a fim de estudarem providências a serem tomadas, para terminarem com o ato responsável pelo extermínio de abelhas.

Enxames organizados surgiram várias propostas para ação. Grupos queriam iniciar o protesto, picando o tratorista, quando este estivesse pulverizando. A revolucionária alertou-os,  que seria  suicídio coletivo, porque aquelas que fossem picar acabariam mortas.

Apresentou então, seu plano de ação:  Primeiro – começariam  voando,  em pequenos grupos,  sobre a cabeça do tratorista, para assustá-lo; Segundo:  não obtendo êxito, o enxame continuaria voando e uma abelha, apresentar-se-ia como voluntária, mesmo sabendo que morreria  ao executar a picada no tratorista; Terceiro – caso não lograssem êxito, dois ou mais enxames, pousariam no corpo do tratorista, iniciando pela cabeça até o cobrirem totalmente; Quarto: se  assim mesmo, não obtivessem vitória, mais obreiras iriam para o suicídio, com a finalidade de salvarem as irmãs e companheiras, Assim o ato de picar seria em grupos.

Decidiram em assembleia que o protesto continuaria até suspenderem a aplicação de veneno. Caso houvesse necessidade, convocariam outros animais e aves da floresta para participarem do ato. Designou-se também um pequeno grupo para repassar a ideia aos animais,   para em conjunto e demonstrando força, impedirem que mais habitantes da floresta continuassem morrendo pelo veneno utilizado nas pulverizações. 

Dias depois, mal clareado o dia, tratoristas e seus companheiros chegaram na lavoura, com  pulverizadores puxados por tratores. Ao iniciarem o trabalho,  um enxame revoou suas cabeças. Todos,  apavorados correram para se abrigarem. Passado certo tempo, voltaram para reiniciarem o trabalho. Então os enxames,  em prontidão, retomaram suas atividades e como combinado as voluntárias os picaram, enquanto que  o  restante do enxame continuou revoando e aumentando os zumbidos, fazendo-os   novamente saírem apavorados.

No dia seguinte, os enxames, avisados pela abelha de plantão, souberam de que os colocadores de veneno, voltaram à pulverizar. A abelha líder autorizou o início do terceiro plano. Ao  ligarem os tratores, todas as abelhas voaram em grupo,  em cima dos operários. Os enxames pousaram na cabeça dos tratoristas, e em seguida cobriram todo o corpo. Todos desesperados retornaram à granja, deixando o maquinário na lavoura.

Mais um dia se passou. Armados de foices, facão e motosserra,  se dirigiram para a floresta. Sempre vigiados, iniciaram a derrubada de árvores. As abelhas em permanente sobreaviso, partiram para o ataque. Agora um número maior de operárias se apresentou como  voluntárias, ao sacrifício. As picadas foram tantas que desnorteados os destruidores mais uma vez,  abandonaram as ferramentas indo  para a sede da granja. 

A abelha, revolucionária, solicitou ajuda aos tatus: que durante a noite cavaram buracos ao redor do trator, fazendo o mesmo afundar e impossibilitando-o de  operar por alguns dias.

Os trabalhadores não se davam por vencidos, voltaram  para destruírem a mata. Antes de iniciarem a derrubada de árvores, enquanto discutiam, como proceder, começou o ataque das pequenas formigas, ardedeiras, que os esperavam, alojadas nas proximidades das ferramentas. Mais uma vez vencidos tendo em vista que as pequenas formigas entraram, dentro das roupas, picando-os por todo corpo,  desistiram de executar o trabalho, ficando ausente, por algum tempo. O proprietário entendeu que não venceria por terra os animais da floresta. Resolveu que a única maneira de salvar sua lavoura seria com pulverização aérea e assim foi decidido. As abelhas ao avistarem um avião aterrissar perto da lavoura contataram os outros animais, em prontidão. Após escurecer vários animais de grande porte entraram em ação. Primeiramente viraram o avião, deixando-o com as rodas para cima, em seguida amassaram o tanque de combustível, inutilizando-o.

Quando o piloto e seus auxiliares chegaram, se surpreenderam com o estado da aeronave: incapacitada para o serviço.

Desesperado o granjeiro desistiu e procurou um especialista, para obter informações sobre outros meios para combater as lagartas que dizimavam a lavoura. .

No período interrompido, cada animal comprometeu-se a mostrar sua capacidade de ação. Todos os pássaros da floresta passaram a se alimentarem de lagartas,  demonstrando assim serem capazes de acabar com elas. As demais aves também comiam os insetos que prejudicavam a plantação.

Quando o agricultor verificou a grande quantidade de pássaros revoando e pousando em sua lavoura desesperou-se. Sem saber o que fazer, reuniu os empregados e batendo em latas, percorreram a lavoura na tentativa de espantá-los. Vendo que o método era  ineficiente, desistiu e ficou na espera do prejuízo.

Sem obter resultado com este método o agricultor decidiu conceder aviso prévio aos empregados com a justificativa de que não mais plantaria.

Esperando completar o aviso, um empregado, por curiosidade, foi examinar a plantação, verificou que não existiam lagartas. O número de vagens nos pés de soja era surpreendente. O milho também estava com ótimas espigas, sem nenhuma praga. Imediatamente contou ao proprietário, que não acreditando,  verificou pessoalmente. Constatada a veracidade, comentou com seus vizinhos, os quais confirmaram o não ataque de lagartas, resultando em boa produção.

O fazendeiro suspendeu a dispensa dada aos empregados, que iniciaram a preparação das máquinas para a colher e fazer nova plantação.. Após a colheita, mais uma surpresa, a produção superou as expectativas, muito superior as de anos anteriores.  Calculado  o lucro obtido pelo aumento da produção, acrescido à economia dos agrotóxicos,  verificou-se um aumento bastante significativo no lucro.

Suspenso o uso de agrotóxicos dois anos depois, a produção continuou aumentando. Desmontou o pulverizador utilizando algumas peças em outras máquinas e o vendeu como ferro velho. Designou os empregados para reflorestarem, parte da floresta que havia sido devastada.

                Com produção crescendo e despesas  diminuídas, foi possível aumentar o reflorestamento. Com a ausência de produtos químicos, os pássaros, abelhas e outros predadores dos inimigos das lavouras, aumentaram e se tornaram verdadeiros protetores das plantações.

Salienta-se: as abelhas, ao retirarem o néctar das flores, pousando e levantando voo contribuem com a polinização das plantas.

A partir desse acontecimento, o granjeiro passou a utilizar somente produtos orgânicos. Aumentou o numero de empregados contratados para recolherem no campo, esterco do gado, depositando-os em local apropriado, onde eram misturados com os dejetos dos suínos. Esse passou a ser o único adubo utilizado.

Por outro lado, costumava-se banhar o rebanho para terminar com os carrapatos, pelo menos duas vezes por ano. Quando chegou a época do banho de carrapaticida, mais uma vez agradeceu à cadeia alimentar tão necessária, visto que a própria natureza se encarrega de que haja seu crescimento. O gado passou a não ter nenhuma infestação de carrapatos. O ganho econômico aumentava.

Junto aos empregados, olhou para o céu e agradeceu pela ajuda dos pássaros. Afirmou aos empregados que principalmente os bem-te-vis, as garças e outras aves, estavam livrando o gado dos carrapatos. Assim a economia aumentava.   

        Em menos de cinco anos a granja foi a primeira na região, a obter reconhecimento e certificado, como produtora de cereais cem por cento orgânicos, elevando seus produtos a obterem maior preço no mercado internacional.

Outro setor foi desenvolvido, além dos produtos agrícolas: a produção de mel em grande escala, superando em valores a renda obtida com a plantação de milho. Seus vizinhos também entraram nesta nova atividade, tornando a região conhecida como produtora e exportadora de mel orgânico. Assim,  tudo que era produzido na região, recebia o rótulo: e/ ou selo de produtos orgânicos.

A nova técnica, foi expandida para outros produtores que  tomando conhecimento da atitude positiva deste produtor, respeitando todo o tipo de animais, iniciaram reflorestamento e diminuíram aplicações de produtos nocivos.

Em palestras, para as quais era convidado, o amigo da natureza, sempre afirmava que respeitando a natureza, ela sempre retribui. Provava que toda árvore derrubada destrói o habitat dos amigos e dos parceiros agrícolas, como costumava dizer, ao se referir aos animais da floresta, estes eram os melhores amigos dos agricultores, principalmente uma certa colmeia que comandada por valentes abelhas, revolucionaram a parceria entre todos os setores da agricultura regional e a natureza.    

Fonte:

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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