Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 13 de janeiro de 2019

Fortuna (1931 - 1994)


Reginaldo José de Azevedo Fortuna nasceu em São Luís/MA, em 1931 e faleceu em São Paulo, em 1994. 

Caricaturista e jornalista. 

Em 1947, muda-se para o Rio de Janeiro, onde inicia sua carreira publicando trabalhos nas revistas infantis Sesinho, Vida Infantil, Vida Juvenil e Tico-Tico. Usa na época o pseudônimo de Chico Forte.

Na década de 1950 realiza desenhos para a revista A Cigarra. 

Em 1957, obtém o primeiro prêmio de desenho humorístico em concurso organizado pela Copa Aeroclube de Bordighera em San Remo, na Itália.

Em 1959, desenha para a revista Senhor, em que conhece o cartunista Jaguar (1932). 

Na primeira metade da década de 1960 edita, com Ziraldo (1932), a seção de humor publicada na revista O Cruzeiro, intitulada O Centavo. 

No ano de 1964, trabalha como diretor de arte na revista Pif-Paf, dirigida por Millôr Fernandes (1923). 

Entre 1965 e 1968, edita o caderno de charges políticas O Manequinho, no jornal Correio da Manhã. 

Depois de dirigir a equipe editorial da Enciclopédia Barsa, integra, em 1969, o grupo de fundadores do jornal O Pasquim. 

No início dos anos 1970 a barra pesou e Fortuna mudou-se do Rio para São Paulo e assumiu o posto de diretor de redação da revista Cláudia, onde passou a dar conselhos às leitoras sob o pseudônimo Ana Maria. Em seguida tornou-se editor de arte e capista da Veja, onde ficou até 1975.

Em 1975, edita pela Codecri a revista O Bicho, em suas páginas, Fortuna lançou o quadrinho mais surreal já produzido por aqui, “Madame e seu bicho muito louco”, onde uma matrona histérica contracenava com o absurdo cachorro de bigodes em diálogos do mais puro nonsense. O Bicho teria vida curta. Muda-se para São Paulo, onde dois anos depois trabalha com Tarso de Castro (1941 - 1991), no suplemento Folhetim, publicado pelo jornal Folha de S.Paulo. 

Ainda sob a direção de Tarso de Castro, trabalha no semanário Enfim (1979) e na revista Careta (1980). 

Em 1988, torna-se diretor de arte no jornal Softpress, onde permanece até 1990. 

Como escritor, publica os livros Hay Gobierno! (1968); Aberto para Balanço (1980), em que apresenta uma seleção de seus trabalhos no jornal Correio da Manhã; Diz, Logotipo (1990); e Acho Tudo muito Estranho (Já o Prof. Reginaldo, Não), em 1992. 

Para o estudioso Herman Lima, na maior parte de seus trabalhos e como acontece com os desenhos dos humoristas brasileiros atuais, Fortuna não utiliza legendas, deixando que a imagem expresse seu conteúdo. Em suas composições ocorre um humor espontâneo, marcado também por um pouco de sarcasmo. Lima ressalta o fato de que o artista não ficava antecipadamente elaborando seus desenhos, gostava de criá-los de improviso, quase no momento do fechamento da matéria no jornal.

Para o jornalista e cartunista Gilberto Maringoni, o desenho de Fortuna mantém diálogo com o trabalho da geração de cartunistas europeus surgidos na esteira do pós-guerra, como Saul Steinberg (1914 - 1999),  Jean Jacques Sempé (1932) e André François (1915). Para Maringoni, o rompimento com a caricatura clássica, quase acadêmica, e a aproximação do desenho de humor com as artes plásticas seduziu os humoristas brasileiros dessa geração, como, por exemplo, além de Fortuna, Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Claudius (1937) e Borjalo (1925-2004).

Reginaldo José de Azevedo Fortuna morreu aos 63 anos de um fulminante ataque cardíaco, em 5 de setembro de 1994, em São Paulo.

No 22º. Salão de Humor de Piracicaba, realizado em 1995, foi criada e concedida a Medalha "Reginaldo Fortuna" aos maiores destaques do humor da cultura do país, entre eles os cartunistas Jaguar, Claudius, Ziraldo e Millôr Fernandes; o palhaço Arrelia e a comediante Dercy Gonçalves.

Fontes:

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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