Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Leon Eliachar (Dicionário de Bolso) Letras A até D



A

Adiar — é essa atitude que estamos sempre tomando daqui a pouco.

Adultério — é isso que liga três pessoas sem uma saber.

Agiota — é esse sujeito que ganha a vida alugando dinheiro.

Aliança — é isso que sai de uma mão para outra e consegue arrastar um homem.

Ama-seca — quem ama o molhado, seco lhe parece.

Aniversário — comemoração que sempre fazemos com menos um ano de entusiasmo.

Armário embutido — é um pedaço da nossa casa que entra pelas paredes.

B

Baliza — uma rede com goleiro e um fotógrafo atrás. O goleiro perde as melhores bolas e o fotógrafo as melhores chapas.

Biombo — é isso que separa uma curiosidade de um lado e um assustado de outro.

Biquíni — é um pedaço de pano cercado de mulher por todos os lados.

Boxe — é esse esporte em que um milhão de indivíduos brigam de graça por causa de dois sujeitos que brigam por dinheiro.

Boxeador — sujeito que se prepara durante oito horas por dia para se deitar na lona durante dez segundos.

Buzina — é esse ruído que irrita o motorista da frente quando o de trás já está irritado.

C

Cabeleireiro — é esse sujeito que primeiro muda a fisionomia da mulher e depois a do marido.

Cabotino — é esse sujeito que consegue transformar qualquer assunto numa autobiografia ou seja, sujeito que não encontra assunto para colocar entre dois eu.

Cadeira de balanço — é essa cadeira que a gente tem que ficar empurrando pra frente e pra trás para ter a sensação que está descansando. 

Camelô — um susto cercado de curiosidade por todos os lados. É esse sujeito que passa a metade do dia explicando aos curiosos como funciona o seu balangandã e a outra metade à polícia como funciona o seu negócio.

Canhoto — sujeito que só escreve direito com a mão esquerda.

Cartão de visita — pequeno mostruário de nossas vaidades.

Cartório — lugar onde se reconhecem firmas completamente irreconhecíveis.

Certidão de nascimento — documento que a gente é obrigada a mostrar para provar que nasceu.

Cigarro — é a única coisa que não acaba no fim.

Clips — é esse grampinho que ajuda a gente a perder mais de um documento.

Cobrador — é esse sujeito que nunca tem a sorte de encontrar alguém em casa.

Confidência — é isso que a gente diz a todo mundo pra não dizer a ninguém.

Confissão — limpeza que fazemos na nossa consciência tendo o cuidado de deixar sempre um pequeno saldo.

Convenção social — é o fato de um indivíduo segurar uma pequena todinha e depois ir ao pai dela pedir a sua mão.

Coquetel — grupo de pessoas dividido em vários grupinhos.

Corista — o mínimo de cabeça no máximo de pernas.

Crédito — é esse lucro que o comerciante divide em parcelas.

Cruzamento — sinal luminoso cercado de palavrões por todos os lados.

D

Datilografa — funcionária que tem agilidade nos dedos mas impressiona mais com os joelhos.

Delicadeza — quatro sujeitos cansadíssimos diante de uma cadeira vazia.

Democracia — é esse sistema de governo em que todos concordam em discordar um do outro.

Dentista — sujeito que ganha a vida com o suor do rosto alheio.

Desastre — encontro pontual de dois veículos.

Devedor — sujeito que tem a habilidade de nunca estar em lugar nenhum.

Discussão — é isso que começa quando duas mulheres chegam a um acordo e uma terceira está ouvindo.

Displicente — sujeito que passa o dia inteiro preocupado em aparentar displicência.

Dívida — é uma desculpa a longo prazo.

Fonte:
Leon Eliachar. O homem ao quadrado.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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