Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 17 de março de 2011

Carnaval em Versos (Organização de Heloísa Crespo) Parte III


Organização: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ.
heloisacrespo@gmail.com
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Sonia Vasconcelos

A vida, palco ilusório,
cada qual se faz artista...
E Momo em seu repertório,
agrada a perder de vista.

Carnaval: corso, confete,
serpentinas no ar, no chão...
Colombinas bem coquetes,
Arlequins em profusão!
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José Lucas de Barros

No desfile da avenida
já perdi a fantasia,
mas no carnaval da vida
sou folião da poesia.

Maria Virgínia Claudino

Nesses dias de folia
Todos podem se alegrar:
Quem brinca, quem fantasia,
Quem fica pra descansar...

Cidinha Frigeri.

Sim, abraços coloridos
de serpentinas envoltos,
nos salões bem construídos
com confetes bons e soltos...

Olympio Coutinho

No Carnaval, meus amores,
eu busco outros carinhos:
o remelexo das flores,
o canto dos passarinhos.

Carlos Augusto Souto de Alencar

Carnaval, festa bonita,
mas não custa sugerir:
não abuse da "birita"
se você vai dirigir.

José Fabiano

Em nossa vida normal,
não há muita hipocrisia?
É durante o carnaval
que se tira a fantasia...

Laérson Quaresma

Dos folclores da Nação,
este aqui não tem rival,
causando espanto, emoção:
"festança do Carnaval!"
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Amilton Maciel Monteiro
MINHA FANTASIA


Eu brinco o Carnaval só com você,
Vestida de cigana ou colombina;
Seu eu for com outro alguém, não sei por que,
O meu entusiasmo desafina!

A minha fantasia “démodé”,
De traje de capiau e até botina,
Espero não causar nenhum auê
Em meio dessa gente tão grã-fina!

Não consegui comprar meu abadá,
O uniforme caro dos baianos,
Se eu não for de caipira então não dá...

Com essa vestimenta já faz anos
Que eu brinco em quase todo Carnaval.
Tomara que você não leve a mal!
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Armonia Gimenes de Salvo Domingues
“QUANTO RISO, OH, QUANTA ALEGRIA”

Carnaval no interior. Quanta saudade!
Ainda menininha ganhava meu lança-perfume.
Só os amigos seriam batizados por ele,
Para os demais um lança água de cheiro
Desempenhava a função e era
Inofensivo para o bolso dos pais.

Hoje o instinto maléfico se soltou e desandou
A receita da inocência carnavalesca.
Agora lança-perfume adulterado
Faz ver o sol nascer quadrado.
Os palhaços pintavam o rosto e seu lado lúdico fazia rir.
Hoje são lobos travestidos de palhaços para tumultuar.

O tempo era mais honesto e paciente até com o pierrô
Entre “riso e alegria” ele relembra à sua colombina
“Foi bom te ver outra vez, está fazendo um ano,
Foi no carnaval que passou, eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou, meu amor...
Vou beijar- te agora, não me leve a mal, pois é carnaval”.

A delicadeza entre seres tão diferenciados
Só faz aumentar o respeito mútuo, o que se via
Até nos dias de Rei Momo de outrora,
Hoje os carnavais se prostituíram em bacanais.
Se fosse só saudosismo seria uma dor só do poeta,
Pena é que se tornou fatalidade.
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Nilton Manoel

O coroa num salão
faz o carnaval da vida;
e o jovem com emoção
quer a farra da avenida..

Meio-dia...quarta feira,
com os meus passos ranzinzas,
no trabalho, que canseira...
estou coberto de cinzas...
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Paulo Walbach Prestes

Meu cordão da poesia
vai unido com o seu,
pelas trilhas da magia...
e no sonho de Orfeu.

Que saudade dos confetes,
serpentinas e pierrôs,
colombinas, marionetes,
das vovós e dos vovôs.

Fonte:
Heloisa Crespo

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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