Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 22 de março de 2011

Ialmar Pio Schneider (Livro de Sonetos III)


TERZA RIMA

Tarde fria... O vento passa
Fino e leve pelas ruas,
Uma brandura sem graça...

Lembro-me das faces tuas
Descoradas levemente
E também das coxas nuas

Desenvoltas, num repente,
À beira d´água azulada,
De teu olhar inocente.

Não tive a glória nem nada
De curar a minha mágoa,
Sorvendo em tua boca amada
Longo beijo à beira d´água...

CANÇÃO AMARGURADA

A realidade cruel
Me conduz ao esquecimento,
Antes não provasse o fel
De saber teu fingimento.

Davas-me certa esperança
Em que até acreditava;
Vejo, agora, sem confiança,
Que és uma simples escrava.

Também não sei o que pensas
De manhã quando despertas,
As mágoas são mais intensas
Nas aventuras incertas.

E tarde, quem sabe, um dia
Ficares só... renegada;
Em tua vida vazia
Terás desprezo... mais nada.

Então, aflita e sozinha,
Nem mesmo serás escrava;
E puderas ser rainha
De um poeta que te amava.

POEMA DE AMOR EM FORMA DE SONETO

Quero inventar palavras que nunca disse a outra mulher,
para falar do amor que despontou, enfim,
em nossa vida num momento qualquer
e veio transformar nossos destinos assim...

Quero inventar palavras que te agradem e sintas por mim
tudo o que teu desejo de sensação romântica puder,
enquanto eternamente tua paixão me quiser...
E que nosso bem-querer continue até o fim...

Quero inventar palavras de esperança e ternura
que nos permitam uma convivência tranquila
embora sabendo que nem tudo são apenas flores.

Mas, se mais tarde nos visitar um pouco de amargura
saibamos com discernimento e paciência distingui-la
e saber que também faz parte de todos os amores...

SONETO

Não tenho o que fazer por esses dias,
A não ser assistir ao que aparece
Em meu televisor. Noites sombrias
Em que vou meditando a longa prece...

Você já foi o tema das poesias
Que eu compunha, a sós, quando a tarde desce,
Hoje vejo que foram fantasias,
Os versos que minh´alma não esquece...

Outro motivo leva-me por diante
E vou seguindo assim o meu caminho
Com minhas horas mortas nebulosas...

Ainda a vejo em sonhos, linda amante,
E recordando seu gentil carinho,
Também relembro o olor daquelas rosas...

MUSA CONSOLADORA

Foge-me a inspiração levada pelo vento
e junto vais, oh musa ardente e sedutora,
deixando-me sozinho envolto em meu tormento
e a se desesperar minh’alma sofredora !

Foste minha ilusão e meu contentamento,
a luz que prende a alma e a torna sonhadora,
e se hoje tua ausência em vão choro e lamento,
é porque te perdi, fada consoladora !

Aguardo teu retorno, encantada revinda,
pra que volte a cantar e a bendizer o amor...
Na noite mais atroz te concebo mais linda

e necessito, enfim, de teu magno esplendor
que me faça entender, talvez um pouco ainda,
o sonho genial de ser poeta e cantor...

ERA MEU DESEJO...

Talvez soubesses
Talvez não
Eu sonhava contigo
E muitos versos fiz em teu louvor

Hoje confesso
Sou teu ainda
Digo mais sou teu agora

Que bom seria se não houvesse a
Distância
Nos separando nem a timidez
Que é minha

Porém não sou culpado
Muitos versos fiz em teu louvor
Era meu desejo
Haver-te confessado
Há muito tempo o meu amor

Fontes:
http://ialmar.pio.schneider.zip.net/
http://ialmarpioschneider.blogspot.com/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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