Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 22 de março de 2011

Ialmar Pio Schneider (Outra Época e um Poeta Inesquecível)

Pedra do Segredo
Esses dias estava percorrendo os livros de minha biblioteca nas prateleiras e encontrei um volume de saudosa memória, autografado pelo autor, intitulado Bom Dia, Juventude ! Trata-se da obra do inspirado poeta de Caçapava do Sul – RS, hoje falecido, Francisco Guarany De Bem. O autógrafo é de 17 de maio de 1982, quando ele já andava beirando os 80 anos, pois sua data natalícia é 16 de abril de 1903.

Lembro-me que o conheci na sede da Casa do Poeta-Riograndense, que naquela época funcionava nos Altos do Mercado Público, Sala nº 119, que bem poderia continuar até hoje naquele local, s.m.j., pois ele já escreveu naquela ocasião: “Em agradecimento aos relevantes serviços prestados pelo nosso incansável Fachinelli, inclusive a sua incessante batalha para que tenhamos um salão próprio, e que este salão nos seja doado pela Prefeitura de Porto Alegre. Espero que muito em breve vejamos a nossa bandeira tremulando sob o caloroso aplauso dos Srs. Vereadores e hasteada pelas mãos do nosso digno Prefeito.”

Todavia, como escreveu no prefácio o literato Hugo Ramírez, ilustre membro da Academia Rio-Grandense de Letras, a respeito, num texto lapidar, o seguinte: “São versos tocados de simplicidade e pureza de alma. Inspirados por distintos momentos e motivos, inebriam-se de romantismo e saturam a atmosfera de todo o volume com seu aroma amoroso. Os versos de amor são os mais significativos do caráter e da experiência do autor. Atingir a seu estágio com esta exuberância de bem querer é privilégio que Deus a poucos concede, tão sáfaros são freqüentemente os corações que muito viveram, eivados de amargura.”

O ponto máximo de sua criação literária, está nas páginas 34 e 35, que aqui transcrevo como uma homenagem ao saudoso poeta amigo:

“Pedra do Segredo – Prólogo –
“Lá na escarpada da serra, ao lado da altaneira cidade de Caçapava do Sul, meu querido torrão natal, há uma pedra lendária em seus assombros. Lembro-me, quando pequenino ainda, passava as noites sem poder dormir pelo medo que eu sentia, horrorizado das assombrações que no galpão um pardo velho me contava dela. Hoje, para me redimir do mal que ela me fez sem ter nenhuma culpa, aqui estou eu convidando a todos para oportunamente se dignarem conhecê-la. E, tenho a certeza absoluta que, ao defrontarem-se com aquela grandiosidade que lá está encravada, assim como eu o fiz quando a conheci, também todos vós ao conhecê-la primeiro se curvarão, respeitosamente, para depois beijá-la.””

E para complementar, transcrevo abaixo também, o soneto que ele dedicou ao saudoso amigo poeta e declamador Hugo Britto, e com o qual ficou conhecido como o poeta da Pedra do Segredo:

“Muito longe daqui, lá em Caçapava,
Há uma pedra lendária em seus assombros.
Ouviam nela um arrulhar de pombos,
Ou os gemidos de uma antiga escrava.

Na medida que a serra se desbrava,
A lenda morre num montão de escombros.
Sonhando, um peso me saiu dos ombros:
A história dela mal contada estava.

E lá está a pedra majestosa e bela !
Ninguém sabe dizer que pedra é aquela,
Todos a chamam Pedra do Segredo.

É um diamante engastado lá na serra,
Que Deus, olhando para minha terra,
Deixou por gosto lhe cair do dedo.”

Hoje, decorridos tantos anos, ainda me assaltam aqueles dias em atropelo na lembrança do que não volta mais. Mas este viver me ensinou que a convivência poética permanece, como naquele autógrafo:
“Para o prezado amigo..., com um caloroso abraço, subscrevo-me. Ass. ... Porto Alegre, 17-5-82”, em sua letra tremida e miúda prestes a octogenário. Que Deus vele por ele, enquanto eu recito minha quadra:

Os versos que a gente escreve,
mesmo que sejam banais,
é um pouco da vida breve
que não volta nunca mais !

Até outra oportunidade.

Fonte:
http://ialmarpioschneider.blogspot.com/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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