Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Carlos Lúcio Gontijo (Pedra Literária)

Gosto de ler artigos de opinião e creio que eles nos conduzem à reflexão tão necessária em nosso dia a dia. As opiniões nem precisam estar de acordo com o que defendemos, pois o que importa é promover a evolução de nossa forma de pensar. Em 2007, quando o “Diário da Tarde”, fundado no dia 14 de fevereiro de 1931, fechou as portas e pôs fim a uma página em que desfilaram articulistas como Paulo Francis, Professor Aluísio Pimenta, Celso Brant, Professor Silveira Neto, poetisa e escritora Regina Morelo, Mário Clark Bacelar, Barbosa Lima Sobrinho, Fábio P. Doyle, Floriano Nascimento, José Carlos Alexandre e tantos outros, aos quais tive o prazer de editar e estar entre eles às quintas-feiras quando publicava o meu artigo na democrática e eclética página de opinião do velho, bom e saudoso DT, como era popularmente denominado pelos leitores.

Hoje, deleito-me com as edições do jornal “O Trem Itabirano”, onde posso encontrar muitos artigos semeadores de novas luzes em minha mente, carente do alimento proporcionado por considerações bem colocadas e que têm o mérito de me fazer situar diante de questões importantes para o desenvolvimento da coletividade como um todo. Confesso-me orgulhoso de estar entre os articulistas que compõem as linhas gráficas de “O Trem Itabirano”, que indubitavelmente representa uma publicação diferenciada, uma vez que, com o advento dos tabloides, os espaços para a inserção de matérias de opinião foram diminuídos, existindo publicações que abrem mão até do editorial, no qual poderiam expressar a sua visão socioeconômica.

A cultura de facilidades, em perfeita sintonia com o fast-food, incute-nos a ideia de que tudo deve vir embalado e pronto para consumo, erigindo entre nós a indústria de entretenimento, que pouco ou quase nada tem a ver com a definição de produto ou bem cultural de antigamente, pois dentro do prisma vigente não há lugar extenso para elementos culturais mais complexos, ainda que simples, como solicita a arte de qualidade e raiz. Não é à toa, portanto, que estejamos embebidos em tanta música ruim e tanta poesia desprovida de metáfora, que é a essência estrutural da arte poética.

Itabira tem tudo para se transformar em cidade literária, grafando nas pedras que o poeta Carlos Drummond de Andrade detectou existir nos caminhos da trajetória humana toda palavra e toda arte de sua gente e, claro, do povo mineiro. Explicitamente, a filosofia editorial do jornal “O Trem Itabirano” está dentro desse destino natural impregnado na atmosfera da cidade de Itabira, que tatuou nas páginas petrificadas de seu solo o desejo de manifestação e opinião sincera, tendo como meta elevar o nível de conscientização e cultura dos cidadãos, que então, por si mesmos, partirão em busca de dias melhores e, certamente, mais próximos da verdadeira materialização, pois dependentes da união construtiva entre irmãos dispostos a tomar em suas mãos o enredo da projeção do futuro que almejam para suas vidas.

Fonte:
O Autor
site: www.carlosluciogontijo.jor.br

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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