Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Olivaldo Júnior (O diário)

   
Não, não era o diário da Anne Frank, a da Segunda Guerra, nem o da Helena, da novela Por Amor, de Manoel Carlos. Era o diário de uma moça que não tinha namorado, nem sabia se teria. Por isso, talvez muito por isso mesmo, enchia as bordas de cada página com mil anjinhos e florzinhas, corações e doces símbolos, como adolescente. Não, já não era mais mocinha. A mulher em que se tornara escrevia seu diário num papel rosado, como a dizer para si mesma, feito Edith Piaf, que "via a vida em rosa". Rosa. Eis a cor de que mais gostava. Por que a vida não podia ser só nessa cor?
  
  Noite a noite, chegava, tomava um coffe, comia uns biscoitos e já pegava seu "querido diário", louca para lhe contar as novidades!... O caso é que não havia muitas, não. Na verdade, quase nenhuma. Levava uma vida sem graça, previsível, presumível, resumível a poucas linhas inéditas, sendo que as sequentes poderiam conter apenas a expressão: idem às anteriores. Pode ser mais sem graça que isso? Perdera a conta de quantos romances tinha lido, de a quantas novelas e filmes tinha visto, sonhando, como a "rosa púrpura do Cairo", que o herói saltaria direto da tela para sua vida.
 
Nunca levava o diário para lugar nenhum. Mas houve uma vez... Vixi! Ela o levou. Estava com alguns minutos a mais de almoço, então aproveitaria o tempo com seus escritos. Pra quê! Não sei se foi quando se sentou no último banco do ônibus, mas ela o perdera... Um pouco de la vie em rose com que sonhava estava para sempre perdida!... Bem, às vezes o que se perde pode ser achado. Foi com esse pensamento que se pôs a divulgar o sumiço do diário. Passava noites navegando na Internet, para ver se alguém falava que tinha encontrado suas confidências por aí, sem saber.
 
    Desanimada, passado mais de um mês do sumiço do motivo de seus sonhos, decidiu se esquecer de que, um dia, tinha tido um diário. Aproveitando, limpou as gavetas, jogou uns papéis fora, amassou lembranças que não lhe faziam (nem fariam) bem. A gente acumula coisas e, quando vê, parece uma mula, um burrinho de carga, com o mundo nas costas. Ser leve era bom. Não mais encontraria o diário de sua vida. Pronto. Aceitava. Mas, ao puxar a última gaveta do armário para limpá-la, notou um velho livro e, logo abaixo, uma pequena florzinha à mostra. Puxou o livro de cima e... voilà! Era o danado do diário, que ela escondera na noite anterior ao "sumiço", com medo de que o sobrinho, que a visitaria com sua irmã no dia seguinte, arteiro como o quê, rasgasse o querido diário de sua alma. Nunca mais o largou. Seu príncipe nerd viria.

Fontes:
O Autor
Imagem - http://diariodoiniciante.blogspot.com

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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