Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Olivaldo Júnior (O Coração que Deus lhe deu)

Está certo, há quem não acredite em Deus. Não, nem falo do Deus que as religiões monoteístas apregoam como o criador do Todo e de tudo. Mas do Deus que respira agora com você e comigo e, ao mesmo tempo, cuida de manter vivo o que existe no mundo. Foi esse Deus que lhe deu um coração, e o coração que Deus lhe deu não é o mesmo que o meu, nem é melhor nem é pior que o de ninguém, é apenas seu. O coração que Deus lhe deu não bate em vão. Varia de intensidade conforme a emoção que sente, mas bate, insiste para que o compreendamos como Deus o fez: perfeito.

É muito agradável assistir a uma missa, a um culto, participar de uma sessão espírita, de uma prática de meditação, enfim, é muito agradável tomar parte em qualquer forma de experiência religiosa. Porém, o coração que Deus lhe deu quer mais que isso. Ele quer amar, o que não se garante que aconteça ao se fixar em nenhuma religião do mundo, porque, para amar, é preciso se aceitar como se é, aceitar o outro como ele é e o mundo como ele é. Isso não quer dizer que não se queira mudar em si o que se perceba como desagradável, nocivo, mas quer dizer que aceitar é amar.

Não há verbo mais simples e mais complexo que o verbo amar. Já diziam os Beatles: tudo o que o mundo precisa é de amor. No entanto, cada vez mais fechados em nós mesmos, mal temos tempo de abrir um livro e pensar na vida, para, depois da leitura, contar a alguém, dividir o que se leu. Por quê? Porque, muitas vezes, no mundo de hoje, o que o outro nos diz não tem muita importância. Podemos acessar depois, numa página qualquer da Internet e ver a reprise. Mas o que diz o coração do próximo não está disponível para download. O coração que Deus lhe deu ouviu?

Seu coração não é igual ao meu, nem ao de ninguém. E ele bem sabe porque, como uma prece, uma oração, um silêncio, um mantra, uma invocação a Deus, bate e repete seu toc-toc. A pilha do coração que Deus lhe deu, assim como a do meu, não é alcalina. Ela se esgota. Um dia, quando menos esperar, ela parará, e o coração que Deus lhe deu cessará de bater. O que terá feito de sua vida, além do previsto, além dos esperados dormir, acordar, trabalhar, comer, dormir e novamente acordar? O verbo amar terá sido experimentado pelo coração que Deus lhe deu antes de partir? Ame.

Fontes:
O Autor
Imagem = www.reflexoesempoesia.blogspot.com.br


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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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