Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Gérson César Souza (Poemas Escolhidos)



ISABEL

Eu vejo teu ventre crescendo, menina,
Semente que a gente plantou.
Teu jeito de “mãe aprendendo”, menina,
me ensina que a vida mudou.

Eu vejo em teus olhos de espera, menina,
a paz de quem faz o depois,
e a flor que trará primavera, menina,
germina o amanhã de nós dois.

Menina, teus sonhos também são meus sonhos,
são teus o meu som, minha voz,
e com paciência tu geras a essência
do amor que se fez entre nós.

Ficar em teu colo dormindo, menina,
é um bem que não tem outro igual.
Teu rosto tão lindo sorrindo, menina,
termina de vez com o mal.

Menina, teus sonhos também são meus sonhos,
são teus o meu som, minha voz,
é lindo, te juro, menina, o futuro
do amor que se fez entre nós.
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QUIMICAMENTE FALANDO

Quimicamente falando
nós vivemos reagindo,
somos átomos se unindo,
compostos se combinando.
Falando quimicamente
somos soluto e solvente,
comburente e combustível.
Viver sem ti é impossível,
quimicamente falando.

Quimicamente falando
nós temos grande entalpia,
a nossa estequiometria
está sempre balanceando.
Falando quimicamente
o nosso calor latente,
mantém essa ebulição.
Somos dupla ligação,
quimicamente falando.

Quimicamente falando
Tu és a equação direta,
o íon que me completa,
o amor se catalisando.
Falando quimicamente
Esta paixão entre a gente
jamais será diluída
Eu te entrego a minha vida
quimicamente falando.
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DEUSA DA NOITE

Quando a noite se fez pela estrada
surgiste do nada, vieste da rua.
Uma deusa perfeita e formosa,
coberta de rosas, vestida de lua.

Como que compensando o sol posto,
a luz do teu rosto brilhou no caminho,
preenchendo o vazio do leito,
enchendo o meu peito de paz e carinho.

Tua boca sorriu, me tocou,
num beijo mandou para longe a saudade,
e, de amor, nossos corpos se uniram
e então descobriram a felicidade.

Vendo agora esta noite findando
fico te observando, com medo no olhar,
de que sejas um sonho somente,
e que, de repente, eu precise acordar...
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CIDADE AMADA

Nasci longe daqui, porém aconteceu
que a vida assim quisesse me ver perto de ti.
E então, Cidade Amada, cheguei... te conheci...
e este teu povo alegre logo me recebeu.

Provando a erva mate que o solo ofereceu,
amando o jeito alegre deste povo daqui,
na beira do Iguaçu, pescando um lambari,
depressa eu me senti igual a um filho teu.

Desejo, minha terra, toda a felicidade,
e que tu sigas sempre sendo a linda cidade
na qual eu vim morar, por vontade de Deus.

E que todos escutem o que o meu verso diz:
não há outro lugar para ser mais feliz
do que a cidade amada, chamada São Mateus!!!
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VEREI QUE É PRIMAVERA

Verei que é primavera se o poente
cobrir com raios rubros nosso leito,
e a flor do nosso amor (que era perfeito)
surgir desabrochando lentamente.

Verei que é primavera se meu peito
Sentir brotar o ardor que estava ausente,
e, então, tendo-te perto novamente,
unir as partes do que foi desfeito.

Verei que é primavera se chegares
e o teu perfume em todos os lugares
vier recompensar tão longa espera.

O inverno da saudade irá sumindo,
deixando, em seu lugar, o amor florindo,
e ao ser feliz verei que é primavera...

Poesia premiada no concurso de sonetos de Pouso Alegre/MG
  ___________
LEMBRANÇAS

Nas horas em que bate uma incerteza,
em que meus pés não pisam com firmeza,
eu busco, pai, a força dos teus passos.
Como se eu fosse ainda uma criança
que tenta caminhar... treme... balança...
mas sabe que ao cair, cai em teus braços.

Nas horas em que eu erro (e eu erro tanto)
para acalmar as dores do meu pranto
eu tento recordar cada lição...
E então, como num toque de magia,
eu volto a ver o olhar que corrigia
e a ouvir a voz que dava o teu perdão.

Nas horas em que eu busco mais coragem,
ao reencontrar, na mente, a tua imagem,
com ela, os meus temores eu reparto.
E eu sinto que tu segues ao meu lado
me protegendo, como no passado,
afugentando os monstros do meu quarto...

Pai, eu cresci... E o teu menino agora
não pode te chamar sempre que chora
e nem pedir teu colo quando cai.
Porém eu sou, no mundo das lembranças,
a mais feliz de todas as crianças
por ter um grande amigo, herói e pai!

Fonte: SOUZA, Gerson César. Dons DiVersos. Cachoeirinha/RS: Texto Certo, 2012.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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