Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Alberto Araújo (O Poeta no Papel)


A última canção

Fazer não sabe a hora,
Cantar não sabe o momento,
Lançar não sabe a corrente,
Amar não sabe o instante,
Sofrer não sabe o tormento.

Cantar não sabe a hora,
Viver não sabe a vida,
Sorver não sabe a fonte,
Comer não sabe o trigo,
Correr não sabe a estrada.

Chegar na madrugada,
Descer no arco-íris,
Fugir no pé-de-vento,
Vingar no pé-de-morro,
Crescer sem esperança.
––––––––––––––––––––––-

Ampulheta do tempo

Escorre inclemente
Grão por grão,
No espaço-tempo,
De uma existência.

Qual dormente
De vagão em vagão
Passam os trens, no templo,
Do planeta substância.
––––––––––––––––––––––––-

As canções eternas

Certas canções que ouço
Parecem-me impregnadas do aroma
que a suave brisa perfuma
as tardes outonais
feito ainda moço
em acordes politonais

Certas melodias que ouço
Parecem-me vir de um veio que emana da terra
sussurro e soluço
de ritmos tribais
feito ainda como fera
em vocálicos ancestrais

Certas harmonias que ouço
Parecem-me ter um ritmo
que tem vida própria
como um algoritmo
feito ainda como cria
provoca ondas e rebuliço

Certas músicas que ouço
Parecem-me vir de um tempo distante
Em que as asas da imaginação
as lançam no poço
feito ainda como vibração
em busca de alegro e andante
–––––––––––––––––––––––––-

Cenas Infantis

Crianças brincam, sorriem
Emotivas, altivas, vibram
Navegam em seus barcos de papel, sonham
Artistas, pintam, a vida colorem
Sábias, criativas, inventam

Inocência, doce ingenuidade curtem
Novelo de linha e o horizonte, pipa soltam
Felicidade não ter idade ou maldade, vivem
Aventuras, jogos, tramas, brincam
Nos jardins se misturam às flores, perfumam
Trinam feito passarinho, cantam
Imagens de ternura e peraltice encantam
Sementes, fruto do amanhã, descobrem...

Dedicado a Schumann (ouvindo Cenas Infantis para Piano.),
–––––––––––––––––––

A Curva do Rio

Nas curvas do rio Araguaia
Muitas histórias de botos encantados
Habitam as margens e os sonhos
De mulheres ribeirinhas, em doce magia

Nas curvas do rio Amazonas
Encontram-se o rio Negro e o Solimões
Águas lado a lado no contraste das cores
No mistério das grandes florestas

Nas curvas do rio São Francisco
Do vale do Jequitinhonha a Juazeiro
As carrancas retratam mitos e crenças
Do povo que deposita no velho Chico suas esperanças.

Nas curvas do rio de nossas vidas
Nascentes são como capilares
Afluentes são como veias
Bacias são como artérias

Nas curvas do rio, etérea viagem
Navegando em nossa natureza interna
Ou nas corredeiras da natureza externa
Há sempre um sinal, um rito de passagem
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Sobre o Autor
Alberto José de Araújo é natural de Santanésia, distrito de Piraí, Rio de Janeiro. Tem por ofício a medicina, vive no RJ, dedica-se a cuidar das pessoas vítimas do tabaco e doenças respiratórias ocupacionais. Escreve desde os 12 anos sobre temas humanistas: espiritualistas, ambientais, político-sociais e românticos. É ativista dos movimentos sociais, atuando na Aliança de Controle do Tabagismo. Busca fazer da arte do verso uma ferramenta crítica que propicie reflexão e tomada de consciência para as mudanças sociais. Escreve sobre temas dentro do contexto histórico, social e político em que vive e labuta. Sonha ver a humanidade caminhar para um futuro de maior compromisso planetário, solidariedade e desenvolvimento da espiritualidade. O blog pessoal: http://ajaraujopoetahumanista.blogspot.com/

Fontes:
http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/
http://ajaraujopoetahumanista.blogspot.com/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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