Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 6 de setembro de 2009

Ana Maria Machado (1941)


Ana Maria Machado (Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 1941) é uma jornalista, professora, pintora e escritora brasileira.

Na vida da escritora Ana Maria Machado, os números são sempre generosos. São 33 anos de carreira, mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 17 países somando mais de dezoito milhões de exemplares vendidos. Os prêmios conquistados ao longo da carreira de escritora também são muitos, tantos que ela já perdeu a conta. Tudo impressiona na vida dessa carioca nascida em Santa Tereza, em pleno dia 24 de dezembro.

Ana Maria Machado nasceu em Santa Teresa, Rio de Janeiro, a 24 de dezembro de 1941. É casada com o músico Lourenço Baeta, do quarteto Boca Livre, tendo o casal uma filha. Do casamento anterior com o médico Álvaro Machado, Ana Maria teve dois filhos.

Estudou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no MoMa de Nova York, tendo participado de salões e exposições individuais e coletivas no país e no exterior, enquanto fazia o curso de Letras (depois de desistir do curso de Geografia). O objetivo era ser pintora mesmo, mas depois de doze anos às voltas com tintas e telas, resolveu que era hora de parar. Optou por privilegiar as palavras, apesar de continuar pintando até hoje.

Formou-se em Letras Neolatinas, em 1964, na então Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, e fez estudos de pós-graduação na UFRJ.

Deu aulas na Faculdade de Letras na UFRJ (Literatura Brasileira e Teoria Literária) e na Escola de Comunicação da UFRJ, bem como na PUC-Rio (Literatura Brasileira). Além de ensinar nos colégios Santo Inácio e Princesa Isabel, no Rio, e no Curso Alfa de preparação para o Instituto Rio Branco, também lecionou em Paris, na Sorbonne (Língua Portuguesa) e na Universidade de Berkeley, Califórnia – onde já havia sido escritora residente. Escreveu artigos para a revista Realidade e traduziu textos.

No final de 1969, depois de ser presa pelo governo militar e ter diversos amigos também detidos, deixou o Brasil e partiu para o exílio. Na bagagem para a Europa, levava cópias de algumas histórias infantis que estava escrevendo, a convite da revista Recreio. Lutando para sobreviver com seu filho Rodrigo ainda pequeno, trabalhou como jornalista na revista Elle em Paris e no Serviço Brasileiro da BBC de Londres, além de se tornar professora de Língua Portuguesa na Sorbonne. Nesse período, participou de um seleto grupo de estudantes na École Pratique des Hautes Études cujo mestre era Roland Barthes, e terminou sua tese de doutorado em Lingüística e Semiologia sob a sua orientação, em Paris, onde nasceu seu filho Pedro. A tese resultou no livro Recado do Nome, sobre a obra de Guimarães Rosa.

Como jornalista, trabalhou no Correio da Manhã, no Jornal do Brasil, no O Globo, e colaborou com as revistas Realidade, IstoÉ e Veja e com os semanários O Pasquim, Opinião e Movimento. Durante sete anos, chefiou o jornalismo do Sistema Jornal do Brasil de Rádio. Criou e dirigiu por 18 anos, com duas sócias, a primeira livraria do país especializada em livros infantis, a Malasartes. Também foi editora, uma das sócias da Quinteto Editorial. Há 25 anos vem exercendo intensa atividade na promoção da leitura e fomento do livro, tendo dado consultorias, seminários da UNESCO em diferentes países e sido vice-presidente do IBBY (International Board on Books for Young People).

Escondida por um pseudônimo, ganhou o prêmio João de Barro pelo livro História Meio ao Contrário, em 1977. Abandonou o jornalismo em 1980, para a partir de então se dedicar ao que mais gosta: escrever seus livros, tantos os voltados para adultos como os infantis. Sua filha Luísa nasceu em 1983. Em 1993 a acadêmica se tornou hors concours dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Recebeu vários prêmios no país e no exterior, entre eles o Casa de Las Americas (Cuba, 1980), o Hans Christian Andersen, internacional, pelo conjunto de sua obra infantil (2000), o Machado de Assis, pelo conjunto da obra, da Academia Brasileira de Letras (2001), o Machado de Assis da Biblioteca Nacional para romance. Foi também agraciada, em alguns casos mais de uma vez, com prêmios como: Jabuti, Prêmio Bienal de SP, João de Barro, APCA, Cecília Meireles, O Melhor para o Jovem, O Melhor para a Criança, Otávio de Faria, Adolfo Aizen, e menções no APPLE (Association Pour la Promotion du Livre pour Enfants, Instituto Jean Piaget, Génève), no FÉE (Fondation Espace Enfants, Suíça) e Americas Award (Estados Unidos).

Em 2003, após quatro meses de uma campanha trabalhosa, Ana Maria teve a imensa honra de ser eleita para ocupar a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras, substituindo o Dr. Evandro Lins e Silva. Pela primeira vez, um autor com uma obra significativa para o público infantil havia sido escolhido para a Academia. A posse aconteceu no dia 29 de agosto de 2003, quando Ana foi recebida pelo acadêmico Tarcísio Padilha e fez uma linda e afetuosa homenagem ao seu antecessor.

É membro do PEN Clube do Brasil e do Seminário de Literatura da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Recebeu a Ordem do Mérito Cultural, no grau de Grão-Mestre, a Medalha Tiradentes e a Grande Ordem Cultural da Colômbia.

Bibliografia

Ensaio
- Recado do Nome. 1976
- Esta Força Estranha. 1996.
- Contracorrente. 1997.
Texturas. 2001.
- Como e Por que Ler os Clássicos Universais desde Cedo. 2002.
- Ilhas no Tempo. 2004.

Romance
- Alice e Ulisses. 1983.
- Tropical Sol da Liberdade. 1988.
- Canteiros de Saturno. 1991
- Aos Quatro Ventos. 1993.
- O Mar nunca Transborda. 1995.
- A Audácia Desta Mulher. 1999.
- Para Sempre. 2001.
- Palavra de Honra. 2005.

Literatura infanto-juvenil

- Bento-que-bento-é-o-frade. 1977.
- Camilão, o Comilão 1977.
- Currupaco Papaco. 1977.
- Severino Faz Chover. Reunião de quatro contos, reeditados em separado a partir de 1993.
- História Meio ao Contrário. 1979.
- O Menino Pedro e Seu Boi Voador. 1979
- Raul da Ferrugem Azul. 1979.
- A Grande Aventura da Maria Fumaça. 1980.
- Balas, Bombons, Caramelos. 1980
- O Elefantinho Malcriado. 1980
- Bem do Seu Tamanho. 1980
- Do Outro Lado Tem Segredos. 1980
- Era uma Vez, Três. 1980.
- O Gato do Mato e o Cachorro do Morro. 1980
- O Natal de Manuel. 1980.
- Série Conte Outra Vez (O Domador de Monstros; Uma Boa Cantoria; Ah, Cambaxirra, Se Eu Pudesse...; O Barbeiro e o Coronel; Pimenta no cocuruto). 1980-81.
- De Olho nas Penas. 1981.
- Palavras, Palavrinhas, Palavrões. 1981.
- História de Jaboti Sabido com Macaco Metido. 1981.
- Bisa Bia, Bisa Bel. 1982.
- Era uma Vez um Tirano. 1982.
- O Elfo e a Sereia. 1982.
- Um Avião, uma Viola. 1982.
- Hoje Tem Espetáculo. 1983.
- Série Mico Maneco (Cabe na Mala; Mico Maneco; Tatu Bobo; Menino Poti; Uma Gota de Mágica; Pena de Pato e de Tico-tico; Fome Danada; Boladas e Amigos; O Tesouro da Raposa; O Barraco do Carrapato: O Rato Roeu a Roupa: Uma Arara e Sete Papagaios; A Zabumba do Quati; Banho sem Chuva; O Palhaço Espalhafato; No Imenso Mar Azul; Um Dragão no Piquenique; Troca-troca; Surpresa na Sombra; Com Prazer e Alegria). 1983-88.
- Passarinho Me Contou. 1983.
- Praga de Unicórnio. 1983.
- Alguns Medos e Seus Segredos. 1984.
- Gente, Bicho, Planta: o Mundo Me Encanta. 1984.
- Mandingas da Ilha Quilomba (O Mistério da Ilha). 1984.
- O Menino Que Espiava pra Dentro. 1984.
- A Jararaca, a Perereca e a Tiririca. 1985.
- O Pavão do Abre-e-Fecha. 1985.
- Quem Perde Ganha. 1985.
- A Velhinha Maluquete. 1986.
- Menina Bonita do Laço de Fita. 1986.
- O Canto da Praça. 1986.
- Peleja. 1986.
- Série Filhote (Lugar Nenhum; Brincadeira de Sombra; Eu Era um Dragão; Maré Alta, Maré Baixa). 1987.
- Coleção Barquinho de Papel (A Galinha Que Criava um Ratinho; Besouro e Prata; A Arara e o Guaraná; Avental Que o Vento Leva; Ai, Quem Me Dera...; Maria Sapeba; Um Dia Desses). 1987.
- Uma Vontade Louca. 1990.
- Mistérios do Mar Oceano. 1992.
- Na Praia e no Luar, Tartaruga Quer o Mar. 1992.
- Vira-vira. 1992.
- Série Adivinhe Só (O Que É?; Manos Malucos I e II; Piadinhas Infames). 1993.
- Dedo Mindinho. 1993.
- Um Natal Que não Termina. 1993.
- Um Herói Fanfarrão e Sua Mãe Bem Valente. 1994.
- O Gato Massamê e Aquilo Que Ele Vê. 1994.
- Exploration into Latin America. 1994.
- Isso Ninguém Me Tira. 1994.
- O Touro da Língua de Ouro. 1995.
- Uma Noite sem Igual. 1995.
- Gente como a Gente. 1996.
- Beijos Mágicos. 1996.
- Os Dois Gêmeos. 1996.
- De Fora da Arca. 1996.
- Série Lê pra Mim (Cachinhos de Ouro; Dona Baratinha; A Festa no Céu; Os Três Porquinhos; O Veado e a Onça; João Bobo). 1996-1997.
- Amigos Secretos. 1997.
- Tudo ao Mesmo Tempo Agora. 1997.
- Ponto a Ponto. 1998.
- Os Anjos Pintores. 1998.
- O Segredo da Oncinha. 1998.
- Melusina, a Dama dos Mil Prodígios. 1998.
- Amigo é Comigo. 1999.
- Fiz Voar o Meu Chapéu. 1999.
- Mas Que Festa!. 1999.
- A Maravilhosa Ponte do Meu Irmão. 2000.
- O Menino Que Virou Escritor. 2001.
- Do Outro Mundo. 2002.
- De Carta em Carta. 2002.
- Histórias à Brasileira. 2002.
- Portinholas. 2003.
- Abrindo Caminho. 2003.
- Palmas para João Cristiano. 2004.
- O Cavaleiro dos Sonhos. 2005.
- Procura-se Lobo. 2005.
- Coleção Gato Escondido (Onde Está Meu Travesseiro?, Que Lambança!, Vamos Brincar de Escola?, e Delícias e Gostosuras). 2004-2006..

Organização de Antologias
- O Tesouro das Virtudes para Crianças. vols. I e II em 1999 e 2000; vol. III em 2002.
- O Tesouro das Cantigas para Crianças. Vol. I em 2001; vol. II em 2002.

Poesia
- Sinais do Mar. 2009.

Fontes:
Academia Brasileira de Letras http://www.academia.org.br/
Site de Ana Maria Machado. http://www.anamariamachado.com/biografia/biografia.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Maria_Machado

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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