Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 9 de outubro de 2010

Nilton Manoel (Pelo chão preto, novas paisagens)

1
O ônibus vai pela estrada,
a quase oitenta por hora;
da janela,curioso,
observo no percurso,
o cenário verdejante.
com a lavoura que garante,
a troca, Brasil afora.
2
De trânsito, no caminho,
os sinais de acostamento,
trazem toda a orientação,
pondo o motorista atento,
nos veículos à distância,
alertando a estravagância,
que só traz constrangimento.
3
Apesar de todo o aviso,
não se respeita a lombada,
os motoristas à esmo,
com os sinais, em disparada,
na banguela sem limite,
costuram sempre o grafite,
mas a polícia é alertada.
4
Sobre o chão preto que pulsa,
o sangue deste Brasil,
conduções rodam contentes,
com nosso povo gentil,
plantando tudo dá pé,
quando o trabalho é de fé,
a riqueza é senhoril.
5
Eucaliptos nos caminhos...
Cana,arroz,café... Valores
da geografia humana,
braços de trabalhadores,
dos campos que não conheço,
de São Paulo que enalteço
nos meus versos de louvores.
6
Ao longe num pasto rico,
esparsas vão as boiadas,
´por vaqueiros à cavalo,
de perto sendo cuidadas;
uma imagem de poesia
com toque de valentia,
ao viajante das estradas...
7
Ao pé da cerca farpada,
árvores de nossa flora,
pássaros de nossa fauna.
um João de Barro que chora
a traição de sua amada
que, ele fechou na morada.
são coisas que o povo adora.
8
Da terra pelos traçados]
feitos pela agrimensura,
a rigor coloca a lida,
curvas de níveis,á altura,
planejando a plantação;
da colheita a proteção
garante a sua fartura.
9
Enquanto os quadros mudam,
com as belezas naturais,
de uma repreza, uma praia,
com gente por todo o canto...
ao longe uma garça voa
com medo de uma canoa
que, rasga da água um recanto..
10
Num trecho da rodovia,
no saibro cresce o capim...
até uma árvore erótica,
tão nova e frondosa, assim...
com a previdência do aceiro,
queimadas feitas com esmero
varrem da terra o ruim...
11
Duas horas de viagem,
logo mais, uma parada
para esticar-se as pernas,
tirando o pó da estrada,
passando água pelo rosto,
comer o que for de gosto,
tomando uma laranjada.
12
Ao longe uma casa velha,
de adobo ... Parece foto,
encaixada na colina...
É de um passado remoto,
cheira a terra, mato e sol,
mercerizado lençol...
fico ao cenário, devoto.
13
Sinto-me até pioneiro,
envolvido em tal beleza
do reinado sertanejo.
Convenções da natureza:
bica dágua, cruz da estrada...
pela noite enluarada,
assombrações com certeza
14
Placas falam de distâncias,
com suas nomenclaturas
indicam quaisquer contornos,
só da vida nas agruras,
não se tem caminho de volta,
não adianta ter revolta,
nos dias de desventuras.
15
À beira da estrada, uma casa
com plantação no quintal,
em água de irrigação
que, serpenteia corrente,
enquanto um galo em pampeiro,
com a franga do terreiro,
desperta a atenção da gente.
16
A chaminé fumegante,
em fumaça de primeira.
Ah! Panelas no fogão,
talvez água na chaleira
e um forno sempre presente,
cheirando tudo o que a gente
tem saudades sem canseira.
17
Do galinheiro,ovos frescos,
o frango morto no dia.
A horta, o pomar, tudo o mais,
cuidado com alegria.
O cultivar com carinho,
o chão como se toca o pinho
de manhã ao fim do dia.
18
A porcada no chiqueiro,
cada um com data certa,
Para uma recepção.
um pra casa, outro de oferta...
O toucinho não congelado,
no feijão tão procurado
na casa de porta aberta.
19
De repente o solo muda,
É barro a dar com pau.
vejo uma cidade obreira
de cerâmica especial;
tijolos,telhas e piso,
fazem tudo o que é preciso
para o consumo geral.
20
Pelo trânsito da viagem,
de uma cidade, na entrada,
uma torre de tevê.
também a roda dentada
do Rotary Internacional;
vejo o que disse um jornal,
a cidade é bem cuidada!
21
Nessa rápida passagem
pelas ruas do lugar,
até a rodoviária,
procuro bisbilhotar,
pelo meu rádio “Parceiro”
amazonense matreiro,
que do mundo põe-me a par.
22
Logo mais já prosseguindo,
limpa, apesar da poeira,
uma casa de colônia,
antiguíssima e faceira...
Além, a igreja imponente
para receber toda gente,
para a missa domingueira.
23
Torres de eletricidade
por cima do canavial
é uma corrente que enfeita
a geografia local,
demonstrando que o progresso
da hidroelétrica é sucesso
pelo Brasil atual.
24
Olho e fico encantado
com esta jornada e até berro:
-fios de telégrafo no espaço?
Não vi estrada de ferro!
poucas mantém a rigor,
a tradição e valor
neste estado, se não erro.
25
Em meio a longas viagens,
quanta história, geografia
E, contatos sociais...
problemas de todo o dia
desta terra que progride,
mesmo que alguém duvide,
com trabalho,noite e dia.

26
É pena que o progresso,
sacrifique a geografia
e tire dos olhos da gente
Sete Quedas de poesia,
riqueza do paisagismo
que propicia turismo
em grande romaria.
27
Afinal a vida é curta
quem vive parado é ´poste
diz um ditado popular
eu não conheço quem goste
de viver mau e sem sorte,
esperando pela morte
como qualquer barbalhoste.
28
Por isto, tenho certeza
que pelo norte e nordeste
vou conhecer os sertões.
quero andar pelo agreste
pelas vilas e cidades,
conhecendo à vontade
como a geografia se veste.
29
Quanta gente pela vida
vive longe de emoção,
do trabalho para casa,
servo da televisão.
aí logo cai o sonho,
deixando-se no abandono
longe de outra distração.
30
Feliz daquele que pode
viajar, constantemente,
Conhecer novos lugares,
conhecendo nova gente,
mesmo sendo de excursão.
Viagem traduz emoção
fazendo a vida contente.
31
As cenas são fulgurantes
como um filme especial,
são arquivadas na mente
para a consulta informal
de quem nos cobra noticiais
das possíveis delícias
de um mundo sensacional.
32
Voltei a cidade em que moro!
como o verde anda ralinho.
tudo o que há é ornamental...
a habitação de mansinho,
enveredou-se pelos campos
e as casas são pirilampos...
e a saudade é o lume e o espinho!
________________________
Via Anhanguera, set. 1981

mais Literatura de Cordel declamada pelo próprio autor, neste domingo, em Ribeirão Preto

Fonte:
O Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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