Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 10 de outubro de 2010

Roberto Pinheiro Acruche (Meus Poemas n. 5)

AMOR ETERNO

Foram tantas, as juras que trocamos,
com suaves palavras e verdade,
que firmados nesta sinceridade...
Em nosso caminho continuamos!

Os cruzamentos e nossos enganos,
cada tropeço e adversidade,
fizeram de nossas juras, saudade...
Nada mais restando do que sonhamos.

Temendo submergir na memória,
os lindos momentos de nossa história...
Guardei-os, escritos, neste caderno...

E ao relê-lo, o que faço lentamente,
com os olhos molhados e um tanto ardente,
jurando-te o meu amor eterno.

DESVENTURA

Este silêncio, este vazio
deixa uma interrogação,
um sentimento de tristeza
de dúvida, incerteza,
mexe com a minha alma,
rasga-me o coração...
Como dói e machuca a solidão!
É tudo tão isolado, distante
uma ansiedade, um estado ofegante,
uma inquietação...
Até o ar que tanto preciso
não está mais comigo, também me abandonou
deixando-me sem respiração.
E o sono que não chega, o telefone que não toca,
ninguém bate em minha porta; só eu grito;
grito sem pronunciar uma só palavra...
A lágrima cai incontida,
como mudou a minha vida,
a minha alegria de existir e cantar.
Já estão pesados os meus passos,
estão vazios os meus braços
sem ninguém para abraçar.
Estou agora confinado neste quarto
que é toda a extensão do meu mundo
Não vejo mais nada lá fora,
nada que brota e que aflora...
Sou prisioneiro da lembrança... Da saudade!...

DIFERENTE

Queria um poema que fosse diferente,
que falasse de povo... de gente!
Não de rosas, de lua cheia,
nova, minguante ou crescente.
Nem de dores... Sequer de amores,
desejos ou de um beijo ardente.
Muito menos de lembranças ou paixão,
saudade, tristeza e traição.
Quero um poema que fale de gente,
de povo... Que trabalha, que luta, que sua...
Que peregrina pela rua,
enfrenta o campo, conduz o gado,
que prepara a terra,
pega no arado,
aduba e planta, sorri, chora e canta,
pesca, cai e levanta,
nunca se entrega, não perde a esperança,
leva a vida com altivez...
dignidade e perseverança.

EM VOCÊ

Em seu olhar encontrei a luz
que clareia os meus passos e meus caminhos.
Em seus braços encontrei o calor
que me aquece e me conforta.
Em seus lábios encontrei o doce
encanto do amor.
Em sua voz o prazer de ouvir.
Em seu perfume o cheiro das flores
que me embriagam.
Em suas mãos a suavidade dos seus carinhos
e o apoio.
Em seus ombros o amparo e o consolo.
Em você encontrei a vida.

ÊXTASE

Sinto uma exaltação mística
quando te vejo!
Me transporto para fora do mundo...
Você me enlouquece de desejo.
Navego pelo espaço da imaginação
e do sonhos
e flutuo magicamente pelo sobrenatural...
É uma sensação deslumbrante,
imaginar você nos meus braços.

Fonte:
O Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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