Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 23 de outubro de 2010

Sérgio Rodrigues e Antônio Xerxenesky (em Autores & Idéias, de Novembro)


SÉRGIO RODRIGUES
Sérgio Rodrigues, escritor e jornalista, é autor de diversos livros e titular de duas colunas no site Veja.com: Todoprosa, referência da blogosfera literária brasileira, e Sobre Palavras, que trata de questões polêmicas e curiosas da língua portuguesa. Como ficcionista, estreou em 2000 com o volume de contos "O homem que matou o escritor" (Objetiva), cuja história-título foi publicada também na revista literária americana "Words Without Borders", e lançou ainda os romances "As sementes de Flowerville" (Objetiva, 2006) e "Elza, a garota" (Nova Fronteira, 2009), além da coletânea de contos satíricos "Sobrescritos" (Arquipélago, 2010). Como cronista dedicado a assuntos linguísticos, publicou "What língua is esta?" (Ediouro, 2005). "Elza, a garota" e "What língua is esta?" foram lançados também em Portugal pelas editoras Quetzal e Gradiva, respectivamente. Em sua longa carreira jornalística, trabalhou como editor ou colunista nas principais empresas de comunicação do país. Hoje dedicado à literatura, colabora esporadicamente para publicações como "Bravo!", "Piauí" e a revista americana "Vanity Fair". Sérgio nasceu em 1962, é mineiro de Muriaé e vive há trinta anos no Rio de Janeiro.

ANTÔNIO XERXENESKY
Antônio Xerxenesky (Porto Alegre, 1984) é ficcionista, autor do romance Areia nos dentes ( Não Editora , 2008; Editora Rocco, 2010). Já publicou narrativas curtas em antologias como Ficção de Polpa e no momento finaliza o volume de contos A página assombrada por fantasmas , que será lançado pela Editora Rocco em 2011. Seu conto "O desvio" foi adaptado para a TV por Fernando Mantelli em 2007. Atua como editor na Não Editora , onde organiza a revista online de crítica literária Cadernos de Não-Ficção . Já colaborou com artigos para a revista Vida Simples e para os jornais Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora.
Site pessoal: www.antonioxerxenesky.com
Twitter: www.twitter.com/xerxenesky

Laíde Cecilia de Sousa
Assistente de Atividades
SESC- Maringá
(44) 3262-3232
Ramal - 2755
http://www.sescpr.com.br

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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