Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Maria Thereza Leite (Passagem Secreta para Rua)

“Passagem secreta para a rua”, obra de Maria Thereza Leite está situado dentro do que podemos classificar de literatura contemporânea, e nos dá uma ideia do teor literário dos escritores da atualidade.

O conto “Passagem secreta para a rua”, traz uma característica forte dos contos contemporâneos que é a exploração de um tempo interior psicológico. A narração em 3º pessoa existente no conto nos permite entender todo o drama que se passa com os personagens, o sofrimento interior, casos densos de significação humana, indagações próprias da introspecção, formando contextos trágicos, enigmáticos que favorecem o crescimento da narrativa.

A escrita de Maria Thereza é dotada de detalhes, porém não deixam o conto exaustivo, ao contrario prende o leitor faz criar imagens, sons, cores, clima inebriante quase palpável, levando comoção e compaixão ao leitor. O olhar da narradora sobre os fatos detalhados no enredo não é um olhar preconceituoso, mas se derramam em contextos densos, dramáticos, porém suaves, rompendo com qualquer estrutura opressiva, sua linguagem coloquial apresenta vocabulários atuais, inerente a abordagem da atualidade.

Dentro deste contexto faz também uma analise da vida urbana dos grandes centros, de modo poético, sensível e quase imperceptível aborda temas como o crescimento das cidades, a violência, poluição e o estresse criado por tudo isso e a busca neste meio de uma existência um pouco mais satisfatória mudando o modo de viver das pessoas gerando o aprisionamento das mesmas enraizadas na preservação de si e dos entes em suas próprias residências, como deixa transparecer o enredo de “Passagem secreta para a rua”.

As narrativas de Maria Thereza, como podem observar tomando por base o conto analisado deixa entrever a dúvida nos atos dos personagens que dá ao leitor múltiplas significações e entendimentos além texto, o que parece ser uma característica utilizada em recorrência pela autora, destacando em uma leitura limpa e inebriante o brilhantismo da mesma.

Fonte:
artigo publicado por Kercya Nara Felipe de Castro, sob o título Literatura cearense e contemporaneidade:a atualidade expressa no conto de Maria Thereza Leite. Disponível em Brasil Escola

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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