Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 15 de março de 2014

Fernando Bevilacqua (Árvores)

Árvores são como pessoas – quase sempre melhores.

Alguns, que afirmam se comunicar com elas, garantem que, embora não falem, entendem e respondem aos tratos carinhosos. Outros asseguram (coincidência ou não) que outras são fulminadas por olhares impregnados de ódio, inveja e frustração (isto vale mais para plantinhas frágeis).

Não fossem as camadas atmosféricas que envolvem o planeta, a Terra teria coloração verde e não azul, tal a presença massiva das árvores.

As árvores são vaidosas, não fossem elas do sexo feminino. Quantas são vistas com seus corpos retorcidos, em poses sensuais, até mesmo as que demonstram indisfarçável e assumida obesidade. E as que se enfeitam de flores, em flagrante exibição, aguardando, sem falsa modéstia, olhares extasiados e perplexos? Vaidosas sim, vulgares quase nunca. Expõem seus adereços sazonalmente, provocando a ansiedade da próxima vez. O que dizer do Ipê, a produzir “orgasmos visuais” e não mais do que durante parcos sete dias de exposição? Embora vaidosas e sensuais, nunca se apresentam despidas de suas roupagens, modestas que sejam. Os corpos lisos, “depilados”, culminam com cabeças coroadas por “cabeleiras” de várias tonalidades, tipos e volumes pilosos. Não abrem mão de suas vaidades: à medida que envelhecem, perdem suas melenas, veem seus “membros” fraturados por pequenos traumas (como se tivessem osteoporose, à semelhança dos humanos), e como não suportam se mostrar feias, com corpos esquálidos e sem viço, secam; preferem a morte e assim serem lembradas por suas exuberâncias da juventude. Quanta sabedoria, quanto desprendimento!

As árvores são temperamentais – mulheres como nunca! Plantadas em locais onde não poderão expandir suas raízes ou seus galhos ( no sonho de alcançar o firmamento), destroem calçadas, derrubam muros, danificam telhados, entopem bueiros e calhas, em avisos contra aqueles que pretendem domá-las. Respondem às amputações de seus membros (as podas) enchendo-se de novas energias, robustecendo-se, numa advertência de como resistem às agressões. Bem tratadas, acariciadas, adubadas com amor, fornecem de tudo o que se lhes pedir: a sombra para momentos de descanso e reflexão, ramos emplumados para proteger os viajantes dos mistérios da noite, palha para forrar o solo e acolher corpos apaixonados em delírios silvestres, casca e raízes para alívio e tratamento de dores e doenças, troncos para fabricação de sua jangada que o levará de volta ao lar, aquele mesmo construído com a madeira por elas fornecida. E mais: um galho bem apontado pode servir de arma de defesa ou de caça, a salvar sua vida ou matar sua fome.

As árvores são imprevisíveis. Vão ser femininas no inferno! Vistas de longe, há sempre a expectativa de momentos alvissareiros. Nem todas, contudo, irão participar de boas lembranças. Espinhos deixam arranhões dolorosos, folhas aveludadas escondem ardências, pruridos e inchações inesquecíveis, frutos atraentes e de aparência hipnótica e ingênua intoxicam, quando não matam. Fica aqui um alerta: árvores são fantásticas, mas nem sempre confiáveis. Com quem parecem esses seres, filhas de Deus, como nós?

Árvores são necessárias, indispensáveis, da mesma forma que pensam os homens (só os mais sábios) sobre as mulheres; sendo assim, precisam ser preservadas – árvores e mulheres. Deixem que as árvores morram espontaneamente. Não as matem. Elas têm a sabedoria do adeus.

Oh! mundo insensível, oh! pessoas insanas! No encontro de uma “árvore – mulher”, proteja-a, adube-a e regue-a sem cessar.

Eis a possível salvação!

Fonte:
IV Troféu Literatura da Natureza, in http://www.reinodosconcursos.com.br

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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