Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 12 de março de 2014

Lygia Fagundes Telles (Verde lagarto amarelo)

Este conto está inserido na obra Antes do baile verde, de Lygia Fagundes Telles.

Em Verde Lagarto Amarelo, escrito em 1969 e inédito até a publicação de Antes do baile verde, o tema desenvolvido no conto está relacionado à importância da infância e às consequências dos dramas infantis na vida de duas personagens adultas.

O espaço empregado para o desenvolvimento da história é tipicamente urbano, com o predomínio de cenas transcorridas no interior das residências das personagens.

Em Verde Lagarto Amarelo o tempo da história abrange um período de algumas horas.

O título do conto não fornece pistas ao leitor sobre o tema que será desenvolvido na narrativa. É transmitida apenas uma breve sensação de ambiguidade, pela citação de duas cores, verde e amarelo. Afinal, de que cor é o lagarto? O título talvez tenha sido escolhido com a intenção de despertar a curiosidade do leitor: apenas por seu intermédio não é possível a formação de um projeto virtual sobre o conto.

A narrativa é subjetiva, pois existe no discurso a presença de um “eu”, Rodolfo, o narrador autodiegético. O texto tem início com a utilização de discurso avaliativo, pelo narrador, para caracterizar a outra personagem, Eduardo. Os adjetivos empregados para se referir à maneira do rapaz andar são positivos, o passo é “macio”, o andar é “discreto”, “polido” (p. 8). E completa: “não chegava a ser felino” (p. 8). Esse esclarecimento feito pelo narrador parece servir para reforçar a impressão positiva sobre Eduardo. Assim, se ele anda sem fazer ruído, é com a intenção de não incomodar, e não para surpreender Rodolfo sorrateiramente, como faz um felino ao caçar uma presa.

Na sexta linha do conto, observa-se o emprego do discurso objetivo, “Ele sabe muito bem que estou sozinho, ele sabe que sempre estou sozinho” (p. 8). A opção do narrador pelo verbo “saber”, é significativa, pois o saber é inquestionável, faz parte de um discurso de autoridade. Na mesma frase verifica-se o advérbio “sempre”, que caracteriza o discurso iterativo, demonstrando para o leitor que a situação de Rodolfo não se altera com o passar do tempo, a solidão da personagem é permanente.

A narrativa tem focalização interna, o que quer dizer que o grau de informações do narrador é igual ao da personagem, ou seja, será narrado aquilo que a personagem sabe. A focalização é fixa – o leitor tem acesso aos pensamentos e sentimentos de Rodolfo. A outra personagem é focalizada, externamente, pelo narrador. É por meio do monólogo interior de Rodolfo que o leitor recebe informações sobre Eduardo. Assim, percebe-se que Eduardo é perspicaz, “Nada lhe escapava” (p. 8), bondoso, “Acabava sempre por me oferecer seu tesouro” (p. 9), preocupado com o bem-estar de Rodolfo, “Dizia isso para me poupar, estava sempre querendo me poupar” (p. 9). Pode-se, ainda, observar o emprego do advérbio, novamente a utilização do discurso iterativo, reforçando para o leitor que o comportamento de Eduardo em relação a Rodolfo é constante, previsível, conhecido.

Com o sorriso de Eduardo (pág. 9), têm início as recordações da infância, para Rodolfo. E o leitor recebe a informação que Eduardo é irmão de Rodolfo. A partir desse momento, o conto passa a ser construído com a intercalação de trechos que representam o passado das personagens, com outros que se situam no momento presente da narrativa, na cena que se desenvolve no apartamento de Rodolfo. O passado é composto por recordações da infância, nas quais Rodolfo faz conjeturas sobre o próprio comportamento e o dos outros membros da família, especialmente o do irmão e o da mãe. O presente é construído por meio dos diálogos entre as duas personagens, estratégia que proporciona ao leitor a sensação de contemporaneidade.

O diálogo entre os irmãos transcorre normalmente, com a evocação das qualidades de Eduardo por parte do narrador. A começar pela aparência. O leitor recebe a informação de que Eduardo é um homem bonito – tem “o cabelo louro, a pele bronzeada de sol, as mãos de estátua” (p. 9); “olhos cor de violeta” (p. 9); “os braços musculosos de nadador. Os pêlos dourados” (p. 10). Além disso, preocupa-se com o irmão, é sincero e generoso. Pela forma como Eduardo é apresentado, percebe-se que existe um engajamento afetivo do narrador em relação a essa personagem e que, aparentemente, o narrador procura fazer com que o leitor sinta simpatia por Eduardo.

Entretanto, a partir do trecho citado a seguir, o drama de Rodolfo passa a ser apresentado para o leitor:

Respirei de boca aberta agora que ele não me via, agora que eu podia amarfanhar a cara como ele amarfanhara o papel. Esfreguei nela o lenço, até quando, até quando?!... E me trazia a infância, será que ele não vê que para mim foi só sofrimento? Por que não me deixa em paz, por quê? Por que tem que vir aqui e ficar me espetando, não quero lembrar nada, não quero saber de nada!... (Telles, 1982, p. 10)

A ambiguidade presente no título do conto volta, agora, a aparecer. A surpresa e a curiosidade do leitor são desencadeadas pelo desabafo do narrador-personagem, feito por meio do emprego do monólogo interior. O que terá acontecido na infância para deixá-lo assim, sufocado, pela presença de um irmão que ele mesmo apresentou ao leitor como uma pessoa boa e sensível? As indagações presentes no discurso do narrador-personagem estão dirigidas a si próprio ou ao narratário? Essas perguntas podem servir como lacunas a serem preenchidas pelo leitor. Entretanto, até o momento em que aparecem na narrativa, o leitor não possui elementos suficientes para responder aos questionamentos lançados pelo narrador.

O leitor acompanha o drama de Rodolfo, que desde criança esconde-se da vida como “um lagarto no vão do muro” (p. 14), daí o título do conto. Parecendo-se com um jacaré em miniatura e tendo a cabeça semelhante à das serpentes, o lagarto possui aspecto assustador, o que faz com que grande parte das pessoas mantenha distância desse animal.

Entretanto, é inofensivo. Rodolfo identifica-se com o réptil. Possui aspecto desagradável e uma sudorese excessiva, que mancha “a camisa de amarelo com uma borda esverdinhada, suor de bicho venenoso, traiçoeiro, malsão” (p. 11). A camisa, molhada e manchada, “era uma pele enrugada aderindo à minha com meu cheiro, com a minha cor” (p. 11), o suor em excesso provocava a metamorfose metafórica de Rodolfo em lagarto.

Rodolfo afirma ser “um tipo meio esquisito”, “meio louco” (p. 12) o que parece ser uma máscara que utiliza para esconder a tristeza que sente, a amargura que traz dentro de si. Eduardo é diametralmente oposto ao irmão. A começar pela aparência. É um homem bonito, tem “o cabelo louro, a pele bronzeada de sol, as mãos de estátua” (p. 9); “olhos cor de violeta” (p. 9); “os braços musculosos de nadador. Os pêlos dourados” (p. 10). Eduardo preocupa-se com o irmão, é sincero e generoso.

Além de Rodolfo ser o narrador, é também seu o ponto de vista que orienta a perspectiva narrativa. Assim, as informações que o leitor recebe correspondem à imagem que ele tem de si mesmo e das outras personagens. A cada detalhe fornecido, percebe-se que Eduardo só possui qualidades, enquanto Rodolfo só tem defeitos. Parece que o narrador deseja, dessa maneira, promover a simpatia e a aversão do leitor pelas personagens citadas, respectivamente.

Ao visitar o irmão, Eduardo traz um pacote de uvas e uma outra “coisa”, uma “surpresa”, que ele só quer mostrar “depois” (p. 9). Esse é um índice de antecipação de desfecho, uma prolepse implícita.

Ao experimentar a uva, Rodolfo faz uma digressão, em discurso indireto livre. Nesse trecho, reproduzido a seguir, a metalinguagem é utilizada, o escritor reflete a respeito do processo de criação literária:

(...) Era enjoativo de tão doce mas se eu rompesse a polpa cerrada e densa, sentiria seu gosto verdadeiro. Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto. (Telles, 1982, p. 9)

Durante a visita de Eduardo a Rodolfo, os dois conversam sobre trivialidades e relembram o passado, o que, para Rodolfo, é uma verdadeira tortura. A presença do irmão incomoda Rodolfo, principalmente por trazer de volta as lembranças dolorosas da infância, “será que ele não vê que para mim foi só sofrimento?” (p. 10). Eduardo era perfeito e a convivência com ele fez de Rodolfo um perdedor. Tudo o que Rodolfo quis na vida, Eduardo conquistou, foi assim com o amor da mãe, foi assim com Ofélia. Aparentemente, os acontecimentos se deram de modo natural, sem maldade por parte de Eduardo, o que não diminui a frustração de Rodolfo.

Aos poucos, a relação dos irmãos vai sendo exposta para o leitor. Ser obrigado a conviver com Eduardo é o pior castigo para Rodolfo. Ter que encarar o que poderia ser, mas que nunca alcançará. É um lagarto que observa com inveja um pássaro de plumagem colorida. As escamas nunca se transformarão em penas. O bicho está condenado a rastejar até o fim dos dias, nunca conseguirá voar. Não será olhado com admiração pelos outros, não será desejado, não será amado.

Eduardo machuca o irmão sem perceber. Convida-o para ser o padrinho de seu filho, que nascerá em breve, mas ao invés de Rodolfo ficar feliz, esse gesto só serve para aumentar o desespero. “Senti-me infinitamente mais gordo. Mais vil. Tive vontade de vomitar” (p. 13). Depois da angústia, a ironia: “Não pudera ser pai, seria padrinho. Não era ser amável? Um casal amabilíssimo” (p. 13). Rodolfo não queria um prêmio de consolação. Queria estar no lugar de Eduardo. Queria ser Eduardo.

A competição desigual que Rodolfo enfrenta desde o nascimento de Eduardo torna-se ainda pior porque o irmão o ama. “Desde menino eu já estava condenado ao seu fraterno amor” (p. 14), lamenta Rodolfo. O que deseja é que o irmão desapareça de sua vida: “Não precisaria me odiar, eu nem pediria tanto, bastava me ignorar, se ao menos me ignorasse” (p. 13). Eduardo tem a função de espelho para Rodolfo, é a partir da imagem do irmão que Rodolfo toma consciência da própria identidade. Olhando para as plumas do pássaro é que o lagarto percebe que as escamas que possui não são belas; tocando-as, perceberá que a pele é áspera. Conviver com os próprios defeitos e deficiências não é fácil. Mas, torna-se insuportável se, além disso, é necessário aguentar o sucesso do outro, assim tão próximo.

A consciência da diferença sufoca Rodolfo. Para resolver o problema, pensa em morrer, “Era menino ainda mas houve um dia em que quis morrer para não transpirar mais” (p. 11). Posteriormente, acredita que a solução seria a morte de Eduardo. Mas não tem a coragem de Caim. Apenas consegue torcer para que Júlio, um menino que desafia Eduardo para uma briga, o atinja mortalmente com o canivete, durante uma briga. Entretanto, arrepende-se: “E de repente me precipitei pela rua afora, eu o queria vivo, o canivete não!” (p. 15). Talvez Rodolfo tenha percebido que a morte de Eduardo não seria a solução para o seu problema. A ausência do irmão não faria com que ele, Rodolfo, ganhasse o amor e a admiração dos outros, instantaneamente. Depois da briga, Rodolfo carrega o irmão machucado nas costas, de volta para casa. Eduardo era um peso imenso para Rodolfo. Mas, se a situação era ruim com a presença dele, talvez só piorasse com a sua morte. Afinal, pelo menos Eduardo amava Rodolfo.

A convivência sufocante com Eduardo faz com que Rodolfo se torne cada vez mais introspectivo. Rejeitado pela mãe, acumulando anos de raiva e frustração, conscientizando-se de sua aparência repugnante, o que resta a Rodolfo é esconder-se, isolar-se do convívio social, transformar-se num eremita urbano. E adotar a função solitária de escritor – “Era o que me restara: escrever” (p. 16). Rodolfo é um escritor bem-sucedido. Seus livros vendem muito mas, apesar disso, não se sente completamente satisfeito. “Escritor, sim, mas nem aquele tipo de escritor de sucesso, convidado para festas, dando entrevistas na televisão: um escritor de cabeça baixa e calado, abrindo com as mãos em garra o seu caminho” (p. 14).

Chega-se ao clímax do conto. Rodolfo adivinha o motivo da visita do irmão. O impacto da descoberta faz com que ele sinta uma dor “quase física” (p. 16). A única coisa que era verdadeiramente sua, o único talento que sobrara para Rodolfo, seu único canal para se expressar e conseguir um pouco de admiração, era o ato de escrever, agora também “roubado” por Eduardo. A surpresa e a decepção são grandes demais. “Senti meu coração se fechar como uma concha” (p. 16). Eduardo tornar-se escritor, o que é sugerido pelo conto, cujo final permanece em aberto, sem a confirmação de Eduardo – é o golpe de misericórdia na tentativa de Rodolfo de manter a compostura.

A intertextualidade está presente no conto em pelo menos dois momentos distintos. Primeiramente, como já mencionada, com o drama entre os irmãos Abel e Caim, descrito na Bíblia. Caim sente inveja do outro, que é o predileto do Senhor, e a ira cresce a tal ponto que o leva a assassinar Abel. A intertextualidade é bastante explícita, podendo ser confirmada, inclusive, pela comparação do trecho bíblico no qual Deus pergunta a Caim: “Onde está teu irmão Abel? E ele respondeu: Não sei. Porventura sou eu o guarda de meu irmão?” (Dalbosco, 1980, p. 29), com a parte do conto em que a mãe interroga Rodolfo, “‘(...) onde está seu irmão?’ Encolhi os ombros, não sei, não sou pajem dele.” (p. 15).

A segunda intertextualidade, também bastante explícita, está presente na fala do pai dos rapazes: “Laura é como o rei daquela história (...) Só que, ao invés de transformar tudo em ouro, quando toca nas coisas, transforma tudo em beleza” (p. 14). A comparação é com o rei Midas, figura da mitologia greco-romana, que transformava em ouro tudo o que tocava. Nesse momento do conto, Rodolfo aproxima-se da mãe, ficando ao alcance das mãos; quer ser tocado pela mulher “com um pouco de amor” (p. 14), possivelmente acredite que esse toque terá o poder de transformá-lo.

Além do relacionamento de amor e ódio existente entre os dois irmãos, outro aspecto importante de Verde Lagarto Amarelo é a relação entre a mãe e os filhos. Laura não consegue disfarçar a predileção que sente pelo caçula, o que se torna a principal causa do sofrimento de Rodolfo. A mãe não se conforma com o fato de Rodolfo transpirar tanto, critica-o por estar sempre comendo. Não consegue ter um gesto de amor para com o primogênito. O comportamento de Laura, aliado à sua morte, ainda na infância dos meninos, tem reflexos negativos em toda a vida de Rodolfo.

Fonte:
Biblioteca Digital da UNESP

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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