Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

J. G. de Araújo Jorge (Líricas) 2


LÍRICA Nº 13
   
Afinal me surpreendo
de que ainda insista,
ainda tente.
O que? Se nada adianta.
Se tudo se desfigura
nem bem arranco do coração
e exponho em palavras...
__________________________
LÍRICA Nº 14
   
Exatamente neste instante, que farás? Estarei em ti,
envolvendo-te e conduzindo-te, como estás em mim
neste halo de angústia que é a tua falta ao meu redor?
__________________________
LÍRICA Nº 15
   
Ficaste nua em meus sentidos.

Lembro-me que eras friorenta
e sinto frio por ti.

Em vão tento cobrir-te com a saudade,
falta o amor.
__________________________
LÍRICA Nº 17
   
Se não mentes, como não minto
quando te tenho nos braços
- chega! Para que mais "por quês"?

Para que culpar a Deus
se do mesmo barro nos fez?
__________________________
LÍRICA Nº 18

Não. Não te entenderei. E na verdade
já nada mais importa.

A vida para mim é um intérmino solo...

Como poderei te entender, se me trazes agora
morto, nos braços,
o mesmo amor que há pouco, em beijos, embalavas,
e aconchegavas ao colo?
__________________________
LÍRICA Nº 21

I
Difícil compreender
como se acidulou o que era puro mel...
Tu que eras toda amor, ternura e sonho,
num momento te tornaste
fria, cruel.

II
(Em vão tento gritar ao sofrimento
que me suplicia: basta!)

Até hoje me pergunto a razão por que tu, que eras
a crente humilde e fiel,
de repente, te tornaste a iconoclasta?
__________________________
LÍRICA Nº 23
   
E quem diria, amor, que ao amanhecer
não nos reconheceríamos,
nós que até como cegos
antes nos encontrávamos…
__________________________
LÍRICA Nº 26
                                                      
Não te desejo a felicidade.

Resta-me a inútil convicção
de que já a colhemos.
__________________________
LÍRICA Nº 27
   
Mereço tudo. Tinha de acontecer.
curvei-me tanto a este amor

que passaste por cima,
sobranceira,
e acabaste por nem me perceber...
__________________________
LÍRICA Nº 28
   
Desmemoriados, enterramos este amor
em que lugar?

E ainda bem. Era amor que nasceu só para se viver,
não, para se lembrar.
__________________________
LÍRICA Nº 29
   
No fundo, não acredito que nos despedimos.

Apenas nos afastamos um do outro
por algum tempo,
para darmos ao destino a alegria de nos reencontrar.
__________________________
LÍRICA Nº 30
   
Em vão tento vingar em outras
o amor perdido.

Só consigo ir multiplicando
a tua falta.

Fonte:
J. G. de Araújo Jorge. Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou. vol. 3. SP: Ed. Theor, 1965.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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