Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 10 de janeiro de 2009

Contos do Folclore Português (A Mulher do Mercador)



Havia numa terra um mercador casado com uma formosa mulher.

Todos os dias erguia-se o mercador muito cedo da cama, ia visitar uma propriedade, voltava, ia ao quarto beijar a esposa, e dirigia-se para o seu estabelecimento.

As casas do mercador eram pegadas a um jardim, que comunicava com o paço. O príncipe ouvia falar muito da formosura da mulher do mercador e, sabendo que este ia todos os dias visitar a sua propriedade, ficando a mulher deitada, combinou com um crido desta entrar no quarto da ama, quando o mercador saísse.

Entrou o príncipe no quarto, onde dormia a formosa mulher, abriu os cortinados do leito, mas nessa ocasião veio à pressa o criado participar-lhe que o mercador vinha próximo. Então o príncipe safou-se apressadamente, deixando cair uma luva.

O mercador entrou no quarto da esposa e viu a luva no chão.

Voltou para trás e foi para o estabelecimento sem beijar a mulher. Nesse dia não lhe falou apesar da mulher lhe perguntar a razão. Soube o príncipe, por via do criado, do que se passava entre o mercador e a esposa, e desejou congraçá-Ios. Fez-se amigo do marido e foi um dia convidado por este a jantar em sua casa. Ao jantar assistiram o príncipe, o mercador e a esposa. No fim pediu o príncipe ao mercador que lhe contasse alguma história e como este se recusasse, instou com a mulher. Esta disse apenas:

Eu já fui querida, amada,
Agora sou desprezada
Sem contudo fazer nada.

Respondeu o marido:

Eu à minha vinha fui
Rastos de ladrão achei
Se comeu uvas ou não
Isso não vi nem eu sei.
Então observou o príncipe:

Eu à tua vinha fui
Parras verdes eu abri
Como príncipe aqui juro
Que das uvas não comi.

Houve depois todas as explicações entre os três, e o marido congraçou-se novamente com sua. esposa, visto estar esta completamente livre de qualquer censura ou da mais mínima culpa.
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Este conto você pode encontrar narrado por Luiz Gaspar (em português de Portugal), em seu site, indicado abaixo.
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Fonte:
PEDROSO, Consiglieri. Contos tradicionais do Algarve.
http://www.truca.pt/raposa_textos/historia_76_mulher_do_mercador.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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