Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 11 de janeiro de 2009

Pearl S. Buck (1892 - 1973)



Pearl Sydenstricker Buck, nascida Pearl Comfort Sydenstricker (Hillsboro, 26 de junho de 1892 – Danby, 6 de março de 1973), também conhecida por Sai Zhen Zhu foi uma sinologista e escritora estado-unidense, ganhadora do Prémio Pulitzer de 1932 e do Prémio Nobel de Literatura de 1938.

Biografia

Filha de pais missionários presbiterianos, foi levada em 1892 com eles com apenas três meses de idade e criada na China, país cuja vida e ambiente evoca em suas obras. Estudou em Xangai até os quinze anos, tendo um preceptor confucionista, e trabalhou em um abrigo chinês para mulheres escravas e prostitutas.

Foi estudar Psicologia nos Estados Unidos, em 1910, onde se formou em 1914, para depois retornar à China para lecionar na Escola Presbiteriana e cuidar da mãe doente. Casou-se com um especialista americano em agricultura que lá trabalhava. Sua primeira filha nasceu deficiente mental. Viveu na China até a Guerra Civil no fim da década de 1920, quando, em 1934 foi removida para o Japão e de lá para os Estados Unidos da América, nunca mais retornando à China, tendo ficado desgostosa da política chinesa após a guerra.

Mestre em Literatura pela Universidade de Cornell em 1926, escreveu em 1930 Vento Leste, Vento Oeste, que obteve grande reconhecimento da crítica. Sua obra A Boa Terra, de 1931, vendeu 1,8 milhão de cópias somente no primeiro ano e, por ela, recebeu o Prémio Pulitzer em 1932. Venceu também o Prémio Nobel de Literatura em 1938.

Escreveu mais de 110 livros e várias novelas de rádio. Era contemporânea de Sinclair Lewis e Eugene O'Neil, dois grandes escritores norte-americanos. Era tão prolífica que em 1945 escreveu cinco livros e duas novelas de rádio. Muitos de seus livros foram transformados em filmes. Seu estilo combinava prosa bíblica com a saga narrativa chinesa, cuja vida e ambiente eram constantemente presentes em suas obras. Seu tema mais recorrente era sobre o amor interracial. Seu livro A Flor Escondida tem o mesmo insight da ópera Madame Butterfly, pois a história narra os problemas de uma família japonesa cuja filha se enamora por um soldado americano. Vários de seus livros foram escritos sob o pseudônimo de John Sedges.

Amiga de Eleanor Roosevelt, advogou muito pelos direitos que deveriam ser concedidos às mulheres e pela igualdade racial bem antes dos movimentos dos direitos civis, nos Estados Unidos. Fundou e dirigiu o "Movimento de Auxílio à China". Pearl S. Buck fez com que a China moderna se tornasse compreensível para os povos ocidentais. Morreu em 1973, aos oitenta anos.

Informações recentes dão conta que, na verdade, nunca conseguiu voltar à China, porque até poucos meses antes de sua morte, o governo chinês ainda lhe negava um visto de entrada, por ela ser considerada 'agente imperialista', e a queda de Mao ocorreu em 1976. Seus livros mostram aquilo de que os próprios chineses ainda não tocam bem: A China rural, de estrutura ainda medieval, na época, o desdém pelas mulheres, a hierarquia da vida em família. Atualmente, os chineses se empenham na sua reabilitação, tanto que em sua antiga residência, na cidade de Zhenjiang, próximo de Xangai, o governo chinês forma um museu em sua homenagem.

Obras principais
Romances:
East Wind: West Wind(1930) (Trad. "Vento Leste, Vento Oeste")
The House of Earth (Trad. "A Casa da Terra") - formado pela trilogia:
The Good Earth (1931) (Trad. "A Boa Terra" ou, no Brasil, "Terra dos Deuses")
Sons (1932) (Trad. "Os Filhos de Wang Lung")
A House Divided (1935) (Trad. "A Casa Dividida")
The Mother (1933) (Trad. "A Mãe")
Fighting Angel (1935) (Trad. "O Anjo Guerreiro") - biografia de seu pai Absalom Sydenstricker
The Exile (1936) (Trad. "A Exilada") - biografia de sua mãe Caroline
The Patriot (1939) (Trad. “O Patriota”)
This Proud Heart (1938)
Other Gods (1940)
China Sky (1941)
Dragon Seed (1942) (Trad. “A Estirpe do Dragão) (Filmado em 1944, sob a direção de Harold S. Bucquet e Jack Conway, tendo no elenco Katharine Hepburn, Walter Huston, Akim Tamiroff, Agnes Moorehead)
The Promise (1943)
The Townsman (1945) – sob o pseudônimo de John Sedges
Portrait of a Marriage (1945) (Trad. "Retrato de um Casamento")
Pavilion of Women (1946) (Trad. "Pavilhão de Mulheres")
The Angry Wife (1947) – sob o pseudônimo de John Sedges
Peony (1948)
The Big Wave (1948)
A Long Love (1949) – sob o pseudônimo de John Sedges
God's Men (1951)
The Hidden Flower (1952) (Trad. “A Flor Escondida”)
Come, My Beloved (1953)
Voices in the House (1953) – sob o pseudônimo de John Sedges
My Several Worlds (1954) (Trad. "Meus Diversos Mundos")- autobiografia.
Imperial Woman (1956) (Trad. "A Mulher Imperial")
Letter from Peking (1957) (Trad. "Cartas de Pequim")
Command the Morning (1959)
Satan Never Sleeps (1962)
A Bridge for Passing (1962) - autobiográfico
The Living Reed (1963)
Death in the Castle (1965) (Trad. “Morte no Castelo”)
The Time Is Noon (1966)
Matthew, Mark, Luke and John (1967)
The New Year (1968)
The Three Daughters of Madame Liang (1969) (Trad. “As três filhas da Sra. Liang”)
Mandala (1970)
The Goddess Abides (1972)
All Under Heaven (1973) (Trad. “Debaixo do Céu”)
The Rainbow (1974)
Não ficção:
Of Men and Women (1941)
How It Happens: Talk about the German People, 1914-1933, com Erna Pustau (1947)
The Child Who Never Grew (1950) (Trad. "A Criança que nunca cresceu") - sobre a filha excepcional.
For Spacious Skies (1966)
The People of Japan (1966)
The Kennedy Women (1970)
China as I See It (1970)
The Story Bible (1971)
Pearl S. Buck's Oriental Cookbook (1972)
Contos:
The First Wife and Other Stories (1933) (Trad. “A Primeira Mulher e outras Histórias”)
Today and Forever: Stories of China (1941)
Twenty-Seven Stories (1943)
Far and Near: Stories of Japan, China, and America (1949)
Fourteen Stories (1961)
Hearts Come Home and Other Stories (1962)
Stories of China (1964)
Escape at Midnight and Other Stories (1964)
The Good Deed and Other Stories of Asia, Past and Present (1969)
Once Upon a Christmas (1972)
East and West Stories (1975)
Secrets of the Heart: Stories (1976)
The Lovers and Other Stories (1977)
Mrs. Stoner and the sea and others works (1978) (Trad. "A Sra. Stoner e o mar (Livro de contos onde figura seu último conto, escrito em janeiro de 1973, dois meses antes de morrer, The Miracle Child ("A Estrela do Menino"))
The Woman Who Was Changed and Other Stories (1979)

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pearl_S._Buck

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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