Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Napoleão Valadares (1946)

NAPOLEÃO VALADARES, filho de João Valadares Carneiro e de Maria Cordeiro Valadares, nasceu em Arinos (MG), a 6 de fevereiro de 1946. Depois de freqüentar escolas rurais, estudou no Grupo Escolar Major Saint-Clair, em sua cidade natal. Mudou-se com a família para Formosa (GO), no início de 1958, completando o curso primário na Escola Paroquial Nossa Senhora da Conceição, que funcionava no Ginásio Arquidiocesano do Planalto. De 1962 a 1965, fez o curso ginasial no Ginásio São João, da cidade são-franciscana de Januária (MG). Concluído o curso ginasial, partiu para Brasília, cursando o científico no Centro de Ensino Médio Elefante Branco. Ingressou na UnB (Universidade de Brasília), onde fez o curso de Direito, colando grau em 20 de dezembro de 1972.

Ainda quando universitário, fundou, com alguns colegas, o periódico “Correio do Vale”, que circulou nas cidades de Arinos e Buritis, de maio de 1971 a dezembro de 1972. Um dos fundadores e presidente da Associação dos Urucuianos em Brasília, que fez editar o “Jornal do Urucuia”, de junho de 1984 a abril de 1986. Presidiu também a Associação Nacional de Escritores.

Exerceu os cargos de Assistente Jurídico da União, Diretor de Secretaria da Justiça Federal, Assessor de Juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e Advogado da União.

Pertence à Associação Nacional de Escritores, ao Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, à Academia de Letras do Brasil, à Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco.

Participa da Antologia de Contos Alberto Renart, 1994; Cronistas de Brasília, 1995; De Mãos Dadas, 1995; O Prazer da Leitura, 1997; Poesia de Brasília, 1998; Poetas Mineiros em Brasília, 2002; Antologia Literária – Aclécia, 2003; Antologia do Conto Brasiliense, 2004; Chuva de Poesias, Cores e Notas, 2005; Todas as Gerações, 2006.

Autor dos livros: Os Personagens de Grande Sertão: Veredas, 1982; Planalto em Poesia (organização e participação), 1987; Contos Correntes (organização e participação), 1988; Urucuia (romance), 1990; Dicionário de Escritores de Brasília, 1994; Resposta às Cartas Chilenas, 1998; De Gregório a Drummond (organização), 1999; Remanso (romance), 2000; Pensamentos da Literatura Brasileira, 2002; Chuvisco, 2003; Antologia de Haicais Brasileiros (organização e participação), 2003; Descendentes de Pedro Cordeiro, 2004; Campos Gerais, 2004; Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal – Patronos (organização e participação), 2007; Passagens da Minha Aldeia (crônicas), 2007; Delírio Lírico (poema), 2008.

Premiado no Concurso Petrobrás de Literatura, no Concurso de Contos Cidade de Cataguases, no Concurso de Contos Cyro dos Anjos (Academia Montesclarense de Letras), entre outros.

Fonte:
Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco.
http://www.aclecia.art.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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