Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lou de Olivier (Poesias Avulsas)

O tempo e os funerais

O tempo que tudo apaga
E a todos arrasta
Que a beleza estraga
E torna impura a jovem casta...

Esse tempo comanda o vento
E tudo o que há na natureza
Seca a vida a cada momento
Deixa a morte como única certeza...

Cada segundo que se vai
Não volta mais em tempo algum
É sempre o vento que atrai
E repele sem remorso nenhum...

Família, amor, trabalho
Tudo o que se vive aqui
O tempo condensa no orvalho
Resta uma essência a reluzir...

Lágrimas, dores, perdas:
É sempre igual
Mudam só cenário e personagens
E assiste o soberano temporal
A mais uma das últimas viagens...

Da vida então resta nada
Os mortos viram antepassados
Só resta uma data comemorada
O tempo anuncia: É dia de finados...
********************
Demônios da paz

Que a luz da liberdade
Brilhe sempre em nós
Em qualquer cidade
Nunca estejamos sós...

Em meio aos bombardeios
Estejamos lúcidos e fortes
Sejamos, sem rodeios,
Maiores que a dor e as mortes...

Sejamos para o mundo a alegria
Buscando a paz ao Universo
Fazendo canto em harmonia
Semeando amor em versos...

Pensemos no futuro almejado
No conforto de um novo caminhar
Pois ser poeta é sonhar acordado
Entre tantos que dormiram sem sonhar...

Sejamos a harmonia que encanta
Certeza que a segurança traz
E, se esta guerra é santa
Sejamos nós, demônios da paz...
(escrita após o atentado de 11 de setembro de 2001)
********************
Brasil

Tempo louco que vivemos
Sem saber do futuro
Se na paz venceremos
Ou, para sempre, só escuro...

Vida contrária a que sonhamos
Num universo em chamas
Não temos quem amamos
Outros se deitam em nossas camas...

Máquinas param de funcionar
Trabalhadores vão-se embora
Desfaz-se a força para lutar
Para o bem de quem os explora...

Sobe e desce dos palanques
Dança em eterna harmonia
Arrasta o povo, suga seu sangue
Na brincadeira da politicaria...

Bons livros empoeirando-se em prateleiras
Esperam pela platéia selecionada
Em meio a um bando de asneiras
Elegem-se reis e rainhas do nada...

Se outros mundos eu visito
Tudo em ordem, sem igual
Sinto pena desse país
Decadente, em eterno carnaval...

E, se a rima me ajuda
Penso montar um grande musical
O tema: Deus nos acuda!
Elenco da beira do lamaçal...

Reunirei todos os desistentes
De todas as áreas e afins
Será a produção independente
Dos rejeitados tupiniquins...

Em letreiros coloridos
Veremos, finalmente, nosso nome
Expondo nossos sonhos doloridos
Ao público que passa fome...

No cartaz, escrito em anil
Ao público que lê meio tonto
Assistam todos: Nossa terra Brasil
Patrocínio: Lojas passa-se o ponto...
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Sobre a Autora
Lou de Olivier (1961)
Nasceu em São Paulo, em 21 de fevereiro de 1961. Psicopedagoga, Psicoterapeuta, precursora da Multiterapia. Pós-graduada em Medicina Comportamental e Psicopedagogia, Bacharel em Artes Cênicas, é também graduada em Educação Artística e tem extensões universitárias em Neuropsicologia e Musicoterapia. Especialista em distúrbios de aprendizagem e de comportamento. É também escritora, dramaturga e pesquisadora. Suas publicações e escritos lhe renderam dois prêmios na Inglaterra: "Award Echo of Literature", como uma das escritoras contempladas e Lancaster House Award, como pesquisadora. No Brasil, foi laureada com o prêmio "Mulher, Linda Mulher", entregue em solenidade na Câmara Municipal de São Paulo em 18/03/08

É autora de uma série de romances destacando-se "O preço de um sonho", "Paixão virtual", "Tua força é meu destino, teu destino é minha missão" e "Romance policial" e o inédito "Mística, perversa, sensual", que reúne o melhor de seus contos e crônicas.
Autora de quatorze textos teatrais/cinematográficos, destacando-se "Siga aquele voto", "Nunca em Los Angeles" , "Eu inteiro, metade de mim", "A Cinderela que não era Bela por que era Branca demais", já encenada em diversas cidades brasileiras, tendo recebido vários prêmios em festivais e "Os alienados", sendo este o mais conhecido, esteve em temporada profissional com grande sucesso e já foi montado por diversos grupos de teatro amador tendo sido aplaudido e premiado em festivais por todo o Brasil e na Europa, destacando-se a montagem em Portugal. Neste segmento, além da personagem Soraya Estrada, que encanta a todos com seus apimentados romances, destacam-se a sensitiva Ana, sempre envolvida em estórias belas e surpreendentes, Selena, uma verdadeira deusa grega...
E tantas outras personagens que emprestam a Lou suas estórias em contos e crônicas inesquecíveis, numa modalidade de escrita que, sem dúvida, a Lou domina como ninguém. É também autora de mais de seiscentas poesias, publicadas em várias coletâneas e, eventualmente em jornais como "Café Literário". Participou da coletânea UKBrazil - Antology of Poems na Inglaterra e, no Brasil, participou das Antologias Livre Pensador (Scortecci), Caminhos do amor (Oficina Editora) e quatro antologias pela REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), de onde foi Conselheira, exercendo cargo voluntário (não remunerado por varios anos). Atualmente, Lou não mais pertence a esta associação.
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Fonte:
http://www.loudeolivier.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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