Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

José Feldman (Sofrimento)

Sou um pirata moderno, navegando a esmo num mar de solidão. Minúsculo grão de pó soprado pela tempestade de incertezas. Há um vazio dentro de mim, um buraco em minha alma. Persegue-me e me assusta, mas não sei seu nome. Ás vezes se vai, mas depois volta como algo horrível para acontecer e eu, só me sinto só. Eu estou só e o que fizer será só.

Às vezes gostaria de não ter um monte de sensações.

Percorri o arco-íris em busca do pote de ouro...o pote estava vazio. Olhei em volta e...não vi mais o arco-íris, só a noite - minha eterna companheira. Nela está o meu refúgio, pois é a noite que me abraça e me acolhe com amor.

Vivo um grande espetáculo neste imenso cirso e, a atração principal sou eu, o palhaço. Visto a fantasia para fazer os outros rirem e para eu próprio rir, dando a mim uma falsa alegria para esconder o terrível sofrimento e o vazio de minha vida. Essa areia que me engole pouco a pouco.

Perco-me novamente no desespero dos sonhos que vibram de fantasias incontidas, mergulhado em uma nuvem de ilusões que se formam cada vez mais e mais. Triste destino de um ser que erra o limbo, sem esperança. Esperança esta, perdida em algum ponto do deserto - areia e areia, este é o meu destino.

Sou o príncipe da noite, o conde das trevas.

Sigo sonhando, cavalgando meu corcel negro cravejado de diamantes, cortando com minha espada as procelas, capa tremulando ao vento, saltando riachos, sempre em frente, atrás de um futuro incerto.

Cavalgo de um passado negro para um futuro fantasma, por sobre a miragem do presente.

Fonte:
Imagem = http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/

Um comentário:

Irene disse...

José me encantó... ¿quién no ha sido "un pirata moderno"? La vida nos lleva a serlo y nos dejamos llevar envueltos en soledades y muchas veces sin esperanzas... Pero la palabra nos salva y nos eleva hacia nosotros mismos...
Irene

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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