Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 21 de outubro de 2012

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 703)


Uma Trova de Ademar  

Ao criar os Trovadores 
onde o verso prolifera; 
para adorná-lo com flores, 
Deus criou a primavera! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  

A mais cruel solidão 
é a do cego (sina triste), 
vivendo na escuridão, 
sabendo que a luz existe. 
–Gilvan Carneiro da Silva/RJ– 

Uma Trova Potiguar  

Se o tempo me desse tempo, 
de fazer mais do que faço, 
queimava a sobra do tempo 
no calor do teu abraço! 
–Prof. Garcia/RN– 

Uma Trova Premiada  

2005   -   ATRN-Natal/RN 
Tema   -   FÉ   -   7º Lugar 

Meu filho, que Deus te ajude
e a tua fé te incentive
a plantar o que eu não pude
e a colher o que eu não tive! 
–José Ouverney/SP– 

...E Suas Trovas Ficaram  

O maior sonho de enleio, 
o melhor sonho sonhado, 
é aquele que em devaneio 
a gente sonha acordado. 
–Marisol/RJ– 

U m a P o e s i a  

Quando Deus me chamar eu vou partir. 
Deixarei o meu nome aqui na terra; 
quem passar em Santana irá ouvir 
o meu verso ecoar no pé da serra. 
E como os grandes poetas de outrora 
nestes meus versos que componho agora, 
deixo um pouco da minha inspiração... 
Pra ninguém esquecer-me no futuro, 
eu deixo escrito um verso em cada muro 
e nas paredes de cada coração! 
–Ademar Macedo/RN– 

Soneto do Dia  

O ESPANTALHO. 
–Reginaldo Albuquerque/MS– 

Sempre inerte naquele cruzamento, 
a figura alegórica e isolada 
de um espantalho erguendo as mãos ao vento 
nos êxtases de eterna gargalhada. 

Sem lembranças, idade ou pensamento,
sob a carícia estúpida do nada 
apenas o nariz de um cão sarnento 
ousa roçar-lhe a calça amarrotada. 

Que faz ali alheio à plantação
em lugar tão contrário à enxada e ao grão,
nessa matéria seca e vã de agora?

Sabe-se que ele tem o dom fantástico
de retirar de um embornal de plástico,
lumes que alvejam os vitrais da aurora...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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