Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 22 de outubro de 2011

Ialmar Pio Schneider (Homenagens em Soneto VIII)


SONETO A CAMILLE SAINT-SAËNS
– In Memoriam –
Nascimento do compositor em 9.10.1835 - Paris

Posso escutar de Camille Saint-Saëns,
a Sinfonia de número três,
depois vem Sansão e Dalila ardente,
preenchendo o dia claro, resplendente...

Ainda Marcha Militar Francesa,
peça musical de rara beleza,
e Dança Macabra, finalmente,
e o meu lazer se torna transcendente.

Vocação precoce, pois aos dois anos
e meio, interessou-se por pianos,
e como havia um em seu doce lar,

gostava de com as teclas brincar;
aos sete já compunha, com talento,
pequenas peças de enternecimento...

SONETO A GIUSEPPE VERDI
– In Memoriam –
Nascimento do compositor italiano em 10.10.1813

Hoje quero escrever um verso nobre
que celebre o genial compositor;
advindo de uma infância humilde e pobre,
à sua arte dedica todo o amor...

Bem cedo, sua vocação descobre
e põe-se à luta com viril ardor;
por isso, a enfrenta, sem que força sobre
para desempenhar outro labor !

Giuseppe Verdi, de Nabuco e Aída,
Rigoletto e Traviata, Trovatore,
as quais glorificaram sua vida...

Ninguém atinge tanto aos corações,
como essas óperas pienas d´ amore,
suscitando as mais altas emoções...

SONETO A VINÍCIUS DE MORAES
– In Memoriam –
– Nascimento do poeta em 19.10.1913

Quando nasceu Vinícius de Moraes
trouxe consigo a chama da poesia,
pra celebrar as musas, dia a dia,
até o fim com versos geniais...

Poeta da Paixão e da magia
de conquistar mulheres especiais,
compondo seus sonetos sensuais,
viveu intensamente na boemia.

Nesta data do seu aniversário
há que lembrar-se: “Eu sei que vou te amar...”
E assim nesse romântico cenário

ouvir “Soneto da Fidelidade”,
na voz do poetinha a declamar
com tanto romantismo e intensidade !

SONETO A ARTHUR RIMBAUD
– In Memoriam –
– Nascimento do poeta em 20.10.1854 –

Jovem poeta que parou bem cedo
de fazer versos plenos de emoção...
Soneto de “Vogais” em cujo enredo
cada uma tem a significação.

Sua obra não foi simples arremedo
de alguém que pensa apenas na ilusão;
não se sabe do enigma nem do medo
de a poesia dar continuação...

O certo é que depois, quando indagado
se era parente de Rimbaud, dizia:
“Eu nunca ouvi falar !” E assim calado

continuou pelo resta da vida, só,
com sua nova e vã filosofia
em que se sabe que seremos pó !

SONETO A ALPHONSE DE LAMARTINE
– In Memoriam –
– Nascimento do poeta em 21.10.1790 –

Recordo-me do seu poema “Outono”,
que o Irmão Érico, enfaticamente,
lia alto, na aula, com tamanho entono,
que despertava a comoção na gente...

Saudava a natureza, tristemente,
como se a visse ficar no abandono
pela queda das folhas, de repente,
ao reclinar pra o derradeiro sono!

Nesse cálice em que bebia a vida,
talvez, houvesse uma gota de mel,
após ter sorvido néctar e fel...

Na multidão uma alma desconhecida,
quem sabe, o compreendesse com bondade
e lhe desse, afinal, felicidade !...

Fonte:
Sonetos enviados pelo autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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