Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ademar Macedo (Mensagens Poética n. 493)


Uma Trova de Ademar

O Pantanal se engalana,
mas eu mesmo desconfio;
que até a própria chalana
sente ciúmes do rio.
–ADEMAR MACEDO/RN–

Uma Trova Nacional

Pela janela indiscreta,
ante uma cena de amor,
a lua, sem ser poeta,
tenta um poema compor!
–CAROLINA RAMOS/SP–

Uma Trova Potiguar


Para salvar inocentes
das garras dos marginais,
Deus põe traços diferentes
nas impressões digitais.
–WELLINGTON OLIVEIRA/RN–

...E Suas Trovas Ficaram


Ao partir para a outra vida,
aquilo que mais receio,
é deixar nessa partida,
tanta coisa pelo meio ...
–LUIZ OTÁVIO/RJ–

Uma Trova Premiada

1983 - Nova Friburgo/RJ
Tema: QUASE - Venc.


Retratando o que hoje somos,
vejo agora que restou
do quase dois que nós fomos
o quase nada que eu sou.
–SARA M. KANTER/SP–

Simplesmente Poesia

O Que Tu És Para Mim
–WELTON MELO/PE–


Sou tão feliz por estar contigo,
és meu abrigo, meu porto seguro,
és meu descanso quando estou cansado
és meu passado, presente e futuro.

És na partida a dor da saudade,
és liberdade quando estou detido,
tu és o sopro que me deu a vida
és a saída quando estou perdido.

tu és precisa numa precisão
és a razão por que mudei tanto,
tu és o manto que cobriu Maria
és calmaria que acalmou meu pranto.

Tu és o tudo quando estou no nada
és alvorada pra o amanhecer,
tu és a barra do final da tarde
e Deus me livre de perder você!

Estrofe do Dia

Remexendo os cascalhos da lembrança
pra saber o que eu tinha na verdade,
vi que resta bem menos da metade
do que eu tinha no tempo de criança;
até mesmo um restinho de esperança
meu ingrato destino carregou;
a minha perna esquerda gangrenou
transformando um atleta em aleijado,
quando volto um minuto no passado
vejo tudo o que o tempo me tomou...
–ADEMAR MACEDO/RN–

Soneto do Dia

Maldição
–OLAVO BILAC/RJ–


Se por vinte anos nesta furna escura
deixei dormir a minha solidão
hoje velha e cansada de amargura
minha alma se abrirá como um vulcão.

E em correntes de cólera e loucura
sobre tua cabeça ferverão
vinte anos de silêncio e de tortura,
vinte anos de agonia e solidão.

Maldito sejas pelo ideal perdido
pelo mal que fizestes sem querer,
pelo amor que morreu sem ter nascido,

pelas hora vividas sem prazer;
pela tristeza do que eu tenho sido,
e pelo esplendor que deixei de ser.

Fonte:
Textos enviados pelo Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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