Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Poesia Africana (Poesia Sem Fronteiras I)


ANA DE SANTANA – Angola
Música Sanguínea


No cimo do tambor
continuar brincando, queria,
mas não,
Cantar o belo,
mas as mãos, os olhos, a carne?
(quanto sofre a carne inconfor-mada)
ter olhos passando tempo
pelo imediato,
eu passo
por aqui, sempre
(como não encontro o infinito)
a angústia no caso
que não há.
Como romper, rasgar
para essa lua entrar,
que luz?
Aonde o sol
e o tempo para soltar a voz,
a fórmula do amar
à força de estar, quem entende?
Oh, discreto riso,
suave tristeza,
olho molhado, olhando-se,
amor fardado (falhado?)
o que será dessa
música sanguínea?
AGNELO REGALLA – Guinéu-Bissau
O Eco do Pranto


Não me digas
Que essa é a voz de uma crian-ça
Não...
A voz da criança
É suave e mansa
É uma voz que dança...
Não me digas
Que essa é a voz de uma criança
Parece mais
Um grito sem esperança
Um eco
Partindo de fundo de um beco
Não me digas
Que essa é a voz de uma criança,
Essa é doce e mansa
É uma voz que dança...
Esta parece mais
Um grito sufocado sob um manto
– O Eco do Pranto.
MIA COUTO – Moçambique
Poeta

(ao José Craveirinha)

Escreveste
e toda a tua vida
se tornou um livro.
As páginas
das nossas mãos
são o rio de tuas palavras.
Choveu,
tu não pediste protecção.
A tua boca
encheu-se de raízes
e nós fomos camponeses
lavrando entre sonhos e parágrafos.
Sangraste
mas escondeste a ferida,
recolheste a dor e cantaste.
Agora
ninguém mais
encerra os poços onde bebeste.
Eterna e a água.
Breves são os lábios
que nela humedecem.
AMÉLIA MATAVELE- Moçambique
Insinuados Astros


Deixaram – me muito mais indecisa
Quando os três decididos me vieram disputar
Insinuados astros de mim querendo desfrutar

Cada vez mais decididos
Me deixam sem fôlego mas com vontade
Vontade de me deixar levar e não me conter de verdade

Comecei pelo mar
Sua robustez assustadora
Sua imensa grandeza sedutora, será ele?
Descartei o, de certo modo é tenebroso

Pensei no sol
Este que me aquece os cabelos
Me levanta e me acorda, pode até ser ele

E a lua?
Que exibe o seu bailado mensal
Ilumina e apaixona corações, será?

Como escolher?
Tenho que fazer justiça
Como?

Será o sol? Que vem quando quer e depois de doze
horas desaparece?

Ou se é a lua? Que depois de doze horas desaparece?
CELSO MUNGUAMBE – Moçambique
Solidão


Menino solitário
Seu único amigo é a solidao
Menino solitario
Seu tormento é tristeza
Menino solitario
Seu lar é a solidão

Sua vida sao lamurias
Seus amigos são a dor e a tristeza
Seus conselheiro é a vida

Olhos tristes, de quem
Clama por companhaia
De quem quer que seja
Menos da solidão

Um olhar solitario, sombrio
Uma vida insignificante
Onde a morte parece aproximar-se

E a solidao a estender- se.
NICO TEMBE- Moçambique
Quero Amar-te


Eu sinto-o profundo e forte,
Sinto-o muito real.

Eu sinto-o sem defunto na morte,
Pois é vivo e imortal.

Esta guardado em minha mente,
Neste presente futuro,
Nunca esteve ausente,
Pois a muito procuro-o.

Quero AMAR-TE loucamente,
Na poesia dessa musica,
AMAR-TE simplesmente,
Sem abrigar-me na duvida.

Tu és meu ancestral,
Meu presente e futuro,
Deste AMORimaturo.

Tu és fenomenal,
Minha luz no escuro,
AMO-TE, meu porto seguro!
---
Fontes:
Literatas. Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona.
Maputo, 17 de Fevereiro de 2012 - Ano II - N°18
Maputo, 20 de setembro de 2011 – Ano I – No. 10
Maputo, 06 de setembro de 2011 – Ano I – No. 9

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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