Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ademar Macedo (Carnaval em Trova e Soneto e Uma Setilha)


De sábado a terça-feira
cai na folia o país...
Diverte-se a pátria inteira,
sem medo de ser feliz!
–A. A. DE ASSIS/PR–

Quando encontrei desbotado
seu retrato de arlequim
no carnaval do passado,
senti saudade de mim!
–ALFREDO DE CASTRO/MG–

Ah! Esse amor eu queria...
Mas o destino, afinal,
pôs fim em nossa folia,
logo em pleno carnaval!
–CLENIR NEVES RIBEIRO/RJ–

Na loucura de três dias,
vai-se tentando afogar
as frustrações, nostalgias
que a vida deixa ficar...
–CONCEIÇÃO A. C. DE ASSIS/MG–

Nos quatro dias de momo
ante tanta bebedeira,
eu estarei, não sei como,
quando chegar quarta-feira!
–FRANCISCO JOSÉ PESSOA/CE–

Foliões encantadores,
fantasias colossais...
um mesclado de mil cores,
só nos nossos carnavais!
–GLÓRIA MARSON/SP–

Nos três dias de folia,
aquela atração fatal,
não passou da fantasia
de um amor de carnaval!
–GUILHERME MACHADO/RJ–

Os poetas foliões
vestiram as fantasias,
desfilaram nos cordões
declamando poesias.
–HELOISA CRESPO/RJ–

No carnaval da paixão
no quesito “nosso amor”
a nota da comissão
foi um “dez” e com louvor!
–LARISSA LORETTI/RJ–

Sem amor e sem carinho
no carnaval da ilusão,
vou pular frevo sozinho
no bloco da solidão.
–LUIZ GONZAGA ARRUDA/CE–

Na passarela dos sonhos,
num desfile de magia,
passam pierrôs tristonhos,
num carnaval sem folia...
–MARIA CARRIÇO/RN–

Carnaval!... Grande folia.
Vou mostrar o meu segredo,
vou rasgar a fantasia,
cantando meu samba-enredo.
–MIFORI/SP–

Carnaval exige estudo
para quem busca namoro:
escolha bem, pois nem tudo
que está reluzindo é ouro!!!
–MILTON SOUZA/RS–

Nos carnavais desta vida
muitos desfilam, risonhos,
uma versão colorida
dos seus malogrados sonhos.
–ZENAIDE MARÇAL/CE–

UMA SETILHA DE ADEMAR

Hoje eu faço do “repente”
minha grande alegoria;
nos versos de uma setilha
ponho a minha fantasia
para a festa ser completa;
pois carnaval de poeta
não pode faltar poesia.
–ADEMAR MACEDO/RN–

SONETOS:

Uma Vez Sambista... Sempre Sambista
DE: DARLY O. BARROS/SP
PARA: CARMEN OTTAIANO/SP


Se o sangue ferve e a pele se arrepia,
ao som da Escola, em novo samba-enredo,
sem mais rodeios, veste a fantasia
e a máscara, que é bom guardar segredo!

Esquece os males, entra na folia
que é tempo de alegria e de folguedo,
só não te atrases, nossa bateria
vai esquentar seus tamborins mais cedo!

Quero te ver de novo na Avenida,
suada, sorridente, enrouquecida,
rememorando antigos carnavais

e então, findo o desfile, em plena rua,
te ver sambando, ainda, à luz da lua,
com alma leve e um ar de quero mais!...

Poema da Apoteose
–ELISABETH SOUZA CRUZ/RJ–


Tem gente que se diz carnavalesca
pensando no vestir da fantasia...
Há gente com ideia gigantesca
de mascarar a dor numa folia...

Outras existem, de ilusão dantesca,
às margens de uma suposta euforia,
não indo além da gula romanesca
de saciar o sonho por um dia...

O Carnaval, não mais de antigamente,
anda mesclado de prazer urgente,
com gente que não tira os pés do chão!

Mas Carnaval não tem dia nem mês...
é aquele em que se perde a sensatez
na apoteose de uma inspiração!

Perdi Meu Carnaval
–AMILTON MACIEL MONTEIRO/SP–


Brinquei nos carnavais lindos de outrora,
Um tempo bom e muito diferente
De tudo o que se escuta e vê agora
No modo de folgar de tanta gente.

As graciosas marchas, feito a “Aurora”
E a “Jardineira”, mais que de repente
Sumiram da folia, foram embora,
Expulsas num barulho “ensurdecente”...

O romantismo todo que existia
No jogo de confete e serpentina,
Em busca do romance tão sonhado,

Suponho até que entrou em agonia...
Agora é a adrenalina o que domina...
Pra que xodó?... Tá tudo liberado!

Fonte:
Textos enviados pelo Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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