terça-feira, 26 de junho de 2018

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Poemas Escolhidos)


FLAUTA MÁGICA

No alto de minha Figueira
Pousa sempre um tico-tico
Que canta alegre em chorrilho
Quando coloco o CD
Do Altamiro Carrilho.

E o tico-tico de lá
Faz com ele o estribilho:
Canta, canta sem parar,
Ouvindo a flauta tocar
Do grande mestre Carrilho.

E eu fico extasiado
Em meio a tanta beleza,
É um momento encantado:
De um lado a natureza
No trinar do passarinho;
Do outro lado, com a flauta,
O mestre que tanto admiro
Faz magia com o chorinho:
Tocando seu Tico - Tico
O incomparável Altamiro.

A ROSA

Da rosa quero a essência,
O perfume que inebria,
 A pétala sedosa e macia,
A mais pura inocência.

Quero ser também o orvalho,
Que banha seu corpo vadio.
Nas noites de intenso frio
Quero ser seu agasalho!

Quero ser o colibri
A sugar seu doce mel
Ser o seu teto, seu céu,
Seu jardim, seu bem-te-vi.

Quero ser aquele espinho
Que a sua haste protege
Dos insanos e hereges
Que cruzam o seu caminho.

Quero ser o seu pretexto,
Seus enganos e desculpas
Quero ser todas as culpas.
Ser prosa do seu contexto.

ALAMBIQUE

Do bagaço o fogo faço
Para tocar a caldeira
Que esquenta que nem chaleira
Soltando fumo no espaço

Coloco a cana no engenho,
Transformando-a em bagaço.
Do caldo faço o melaço
Que depois vira cachaça...

E assim sai a purinha
Que passarinho não bebe
Mas que desce redondinha
E só toma quem percebe
O segredo da branquinha... 

E o engenho vai tocando
Fumaça na chaminé...
Cachaça é coisa nossa,
Pois agora virou bossa,
É produto brasileiro
Que agrada o mundo inteiro.
Uísque é pra Zé Mané…

CAMPANÁRIO
( Poema dedicado a Ipuca – São Fidélis / RJ – onde vivi minha infância)

Do alto do campanário
da minha pequena aldeia
avisto um lindo cenário
onde a saudade campeia.

Nele os seus campos floridos,
com as cores mais variadas,
vão salpicando as estradas
com seus toques coloridos.

No  peito tenho um vazio
remoendo o meu passado.
Manhã seca de estio,
no rosto os olhos molhados.

E os sinos badalando
anunciam minha dor,
cada toque ressoando,
no meu presente sem cor…

DOR DA SOLIDÃO

Não existe dor maior
Que a dor da solidão...
É dor cruel e perversa
Que não aceita conversa
E nem mesmo explicação!
É dor do só, do sozinho,
É carência de carinho,
Seu sintoma é a paixão.

E essa dor tão doída
Que tanto maltrata a gente
Chega assim tão de repente
Sem sequer bater na porta.
Para ela pouco importa
Se está matando o doente,
Se a "Inês é quase morta".

É uma dor que aniquila,
Que castiga, que maltrata,
É mais forte que a tequila
Mais ardente que a cachaça.
É pior que a dor que tomba,
Mais cruel que a dor que mata.

POEMINHA À PRIMAVERA I

A vida em traje a rigor
Está pronta para a festa...
Durou um ano de espera
O mundo multicolor
Que nos trouxe a PRIMAVERA!

Que essa estação tão linda
Desperte também o amor,
Fazendo brotar na gente
Um mundo cheio de luz,
O desejo mais ardente, 
O querer mais envolvente
Que nos encanta e seduz.

REMINISCÊNCIAS

Trago do tempo passado
O meu mais belo presente;
Dele sou enamorado,
Tive um passado contente.

Minha infância colorida,
Bodoques, atiradeiras
E banhos nas corredeiras
Do Paraíba do Sul.
O sol ardente brilhando
Num céu pintado de azul
Refletia no espelho
D’ água pura e cristalina.
Ah... que saudade que tenho
Daquela linda menina!

Na festa de São João
Quermesse e ladainha,
O namoro com a mocinha
Acelera o coração...
Fogueira, batata doce,
Milho cozido, quentão,
O céu todinho estrelado,
Gente soltando balão.

E esse tempo lembrado
Sei que nunca terá fim,
Eis que pela vida afora
Será para sempre assim...
Pois meu passado ficou
Guardado dentro de mim.

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