Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ezra Pound (1885 – 1972)



Ezra Weston Loomis Pound (Hailey, Idaho, 30 de outubro de 1885 — Veneza, 1 de novembro de 1972) foi um poeta, músico e crítico que, junto com T. S. Eliot, foi uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do início do século XX. Ele foi o motor de diversos movimentos modernistas, notadamente do Imagismo e do Vorticismo.

Cresceu em Wyncote, perto de Filadélfia e formou-se na universidade da Pennsylvania em 1906. Durante um breve período deu aulas em Crawfordsville, Indiana, e entre 1906-1907 viajou por Espanha, Itália e França. O seu primeiro livro de poemas, A Lume Spento, foi publicado em Veneza em 1908. Nesse ano fixou-se em Londres, onde viveu até 1920 e onde travou conhecimento com alguns dos mais importantes escritores da época: Ford Madox Ford, James Joyce, Wyndham Lewis, W. B. Yeats e T. S. Eliot, entre outros.

Em 1909 publicou Personae e Exultations, a que se seguiu um volume de ensaios críticos intitulado The Spirit of Romance de 1910. Entre 1914-1915 foi co-editor da revista do movimento Vorticista, Blast. Em Londres teve ainda a seu cargo a edição da revista de Chicago Little Review (1917-1919) e a partir de 1920 tornou-se correspondente da publicação The Dial na capital francesa, para onde se mudou em 1921.

Datam de 1920 as publicações de um segundo volume de textos críticos, Instigations, e de Hugh Selwyn Mauberley, uma das suas obras-primas. O poema Homage to Sextus Propertius foi publicado no ano anterior. Conhecedor das literaturas europeia e oriental, Pound associou-se desde muito cedo à escola dos imagistas, que liderou de forma particularmente enérgica. Os adeptos desta corrente poética, fundada em 1912 sob inspiração das ideias de T. E. Hulme, pretendiam explorar de forma disciplinada as potencialidades da imagem e da metáfora, consideradas a essência da poesia. O movimento, que Pound abandonou em 1914, teve a sua expressão na revista inglesa The Egoist (iniciada em 1912) e na revista americana Poetry (a partir de 1914). As raízes do movimento encontravam-se fundamentalmente na poesia chinesa e japonesa, mas os imagistas inspiraram-se também na poesia latina, em poemas da tradição medieval inglesa, nas composições poéticas dos trovadores provençais e em alguns poetas italianos. Nos seus Cantos, publicados numa longa série entre 1917-1949 e inacabados, Pound procurou elaborar uma versão moderna da Divina Comédia.

A fase de maior proximidade do escritor em relação ao movimento imagista é ilustrada pelas obras Ripostes (1912) e Lustra (1916). Em 1924 Pound mudou-se para Itália, onde as teorias económicas que defendeu o associaram ao fascismo, tendo chegado a proferir comunicações anti-democráticas na rádio italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Nos seus tratados económicos e históricos, Jefferson and/or Mussolini de 1935 e Guide to Kulchur de 1938, Pound comprometeu-se definitivamente com o fascismo e foi preso em 1945, tendo sido posteriormente repatriado.

Considerado mentalmente incapaz, foi internado durante 13 anos num hospital psiquiátrico em Washington DC. A acusação de traição foi retirada em 1958 e Pound voltou a Itália depois da sua libertação. Trabalhou nos seus Cantos até 1972, ano da sua morte. A obra, carregada de citações e alusões históricas, permanece uma das mais controversas da poesia deste século. A influência de Ezra Pound e do seu projecto de renovação da linguagem poética fez-se sentir em Joyce, Yeats, William Carlos Williams e particularmente em T. S. Eliot, que submeteu o manuscrito da sua obra The Waste Land à apreciação de Pound antes de o publicar em 1922. As correcções feitas por Pound mereceram-lhe a dedicatória de Eliot: "For Ezra Pound, il miglior fabbro" (A Ezra Pound, o melhor artífice).

Síntese biobibliográfica
1885 Nasce em Hailey, Idaho (30 de outubro).
1901/5 Estudos na Universidade de Pennsylvania e no Hamilton College.
1906 Professor de letras românicas na Universidade de Pennsylvania. Viagem à Europa (Bolsa Harrison).
1907 Leciona francês e espanhol no Wabash College, Crawfordsville, Indiana.
1908 Itália. A Lume Spento, Veneza. Vai para Londres, onde reside até 1920.
1909 Personae e Exultations. Primeiro estudo sobre Arnaut Daniel ("II Miglior Fabbró').
1910 Provença. The Spirit of Romance.
1911 Canzoni.
1912 The Sonnets and Ballate of Guido Cavalcanti. Rispostes.
1913 Personae and Exultatíons. Canzoni and Ripostes. Revista Poetry (abril): A Few Don'ts, postulados do Imagismo. Colabora com Walter Morse Rummel na publicação de Neuf Chansons de Troubadours des Xlle et Xllle Siècles. que inclui a transcrição de duas canções de Arnaut Daniel localizadas por EP na Biblioteca Ambrosiana em Milão e por ele referidas no Canto 20.
1914 Casa-se com Dorothy Shakespear. Edita a antologia Des Imagistes.
Publica Vorticism na Fortnight Review. Participa de Blast, de Wyndham Lewis. (1914-15)
1915 Cathay. Edita a Catholic Anthology.
1916 Lustra. Gaudier Brzeska. "Noh" or Accomplishment e Certain Noble Plays of Japan, dos manuscritos de Ernest Fenollosa. Começa a escrever os Cantos.
1917 A primeira versão dos Cantos 1 a 111 é publicada em Nova York.
1918 Pavannes and Divisions.
1919 Quia Pauper Amavi e Homage to Sextus Propertius. Primeira versão do Canto IV. Começa a compor a ópera Le Testament, sobre textos de Villon.
1920 França (Paris), até 1924. Hugh Selwyn Mauberley. Umbra. Instigations, incluindo as traduções de 10 canções de Arnaut Daniel.
1921 Os Cantos V a VII são publicados em Dial.
1922 The Eight Canto (mais tarde, Canto II).
1923 Indiscretions ou Llne Revue des deux mondes. Os Malatesta Cantos (mais tarde, Cantos VIII, IX, X e XI).
1924 Itália. Antheil and the Treatise on Harmony. O canto XIII e o trecho de "Baldy Bacorí' do Canto XII aparecem na Transatlantic Review, de Ford Madox Ford.
1925 Instala-se em Rapallo. A Draft of XVI Cantos of Ezra Pound for the Beginning of a Poem of some Length (Paris).
1926 Personae: The Collected Poems of Ezra Pound. Apresentação,. em Paris, de "Parolles de Villorí', árias e fragmentos da ópera Le Testament.
1928 A Draft of the Cantos 17-27 of Ezra Pound. Selected Poems, com introdução de T.S Eliot.
1930 A Draft of XXX Cantos. Imaginary Letters.
1931 Guidg Cavalcanti: Rime. How to Read.
1932 Profile: An Anthology.
1933 Active Anthology. ABC of Economics.
1934 Eleven New Cantos: XXX XLI. ABC of Reading. Make it New.
1935 Alfred Venison's Poems. Jefferson andlor Mussolini. Social Credit: An Impact.
1936 The Chinese Written Character as a Medium for Poetry, por Ernest Fenollosa, introdução e notas de E.P. Ta Hio, the Great Learning (tradução).
1937 The Fifth Decade of Cantos. Polite Fssays.
1938 Guide to Kulchur.
1939 Visita aos EE.UU. Doutor honoris causa pelo Hamilton College.
1940 Itália. Cantos LII-LXXI. Começa a fazer transmissões pela Rádio Roma.
1943 O Tribunal do Distrito de Colúmbia formula acusão de traição contra E.P.
1945 Entrega-se em Gênova à tropas norte-americanas (maio). Internação no Campo de Pisa (Disciplinary Training Center). 3 semanas numa gaiola de aço ("gorilla cage"). Após 6 meses de pressão, é transportado de avião aos EE.UU. para ser julgado (novembro). '
1946 Declarado louco e internado no Hospital de Sta. Elisabeth, em Washington, até 1958
1947 The Unwobbling Pivot and the Great Digest of Confucius.
1948 The Cantos of Ezra Pound (incluindo os Pisan Cantos).
1949 O Prêmio Bollingen é outorgado aos Cantos Pisanos.
1950 The Letters of E.P. (1907-1941). Patria Mia. Money Pamphlets.
1953 The Translations of E.P.
1954 Literary Fssays of E.P.
1955 The Classic Anthology defined by Confucius (305 odes).
1956 Section Rock-Drill: 85-95 de los Cantares. Women of Trachis, de Sófocles.
1958 Libertação de Pound. Regresso à Itália.
1959 Thrones: 96-109 de los Cantares.
1960 Impact: Essay on the ignorance and the decline of American Civilization.
1962 A revista The Paris Review publica fragmentos dos Cantos 115 e 116.
1963 Concede entrevista à revista italiana Epoca (24 de março): "Io so di non sapere nulla.".
1965 Assiste aos funerais de Eliot em Londres (4 de fevereiro). Visita Paris, para ser homenageado pelos seus 80 anos com a edição do 1° dos dois grandes volumes consagrados a sua obra pela editora L'Herne e com o lançamento da tradução francesa dos Cantos Pisanos.
1967 Visita o túmulo de Joyce, em Zürich.
1969 Viaja para Nova York, onde lhe exibem o recém-descoberto manuscrito de The Waste Land, corrigido por ele. Late Cantos and Fragments.
1970 Primeira publicação dos Cantos 1 a 117 no volume The Cantos of Ezra Pound (New Directions, Faber & Faber).
1972 Ezra Pound morre em Veneza (1° de novembro). Sepultado no cemitério da ilha de San Michele. Á nova edição de The Cantos (New Directions) inclui um fragmento do Canto 120.

Fonte:
Ezra Pound - Poesia. Editora Universidade de Brasília - 1983.
http://pt.wikipedia.org

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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