Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Machado de Assis (Dom Casmurro)

OTELO OU ÓPERA-BUFA?

A história de Bentinho e Capitu está entre as obras mais requisitadas pelos exames do País

Publicado pela primeira vez em 1899, Dom Casmurro, de Machado de Assis (1839-1908) é objeto de acirradas discussões entre leigos, professores e críticos. Trata-se de um duplo perfeito meticulosamente calculado pelo maior romancista da Língua Portuguesa.

Ao analisar o livro, o leitor deve ter em mente que essa é uma obra passível de duas interpretações fundamentais e antagônicas. A adesão a uma ou a outra dependerá da credibilidade que se atribui ao narrador-protagonista. O famoso pomo de discórdia que alavanca as polêmicas em torno do romance é a questão do adultério: Capitu, esposa de Bentinho, teria ou não o traído com Escobar? Mas será esse o problema nuclear da obra, ou mero pretexto para verificar aspectos maiores?

Órfão de pai aos quatro anos, o narrador-protagonista, Bento Santiago – também conhecido como Bentinho –, vivia sob a tutela da mãe.A viúva, dona Glória, embora moça e bonita, optou pelo luto fechado, disfarçando suas formas em vestidos escuros e sem enfeites, um xale preto e os cabelos presos num coque, ou cobertos por uma touca. Após vender a fazenda em Itaguaí e alguns escravos, mudou-se para a casa da rua de Matacavalos, de onde raramente saía, a não ser para ir à missa.

Para ter companhia, chamou seu irmão, Cosme, e sua prima Justina, ambos viúvos, para viverem com ela. Além deles morava em Matacavalos o agregado José Dias, um dos mais interessantes personagens do universo machadiano. Dias era membro honorário da família desde a época em que era vivo o pai de Bentinho, Pedro Santiago. Chegara durante uma onda de febres dizendo-se homeopata e curou com ajuda de seus livros o feitor e uma escrava. Pedro Santiago, assim, convidou Dias para morar na fazenda mediante um pequeno salário.

Logo depois, Pedro foi eleito deputado, e os Santiago mudaramse para a então capital do Império, Rio de Janeiro. Dias os acompanhou. Convocado para examinar os escravos num segundo surto de febre que abateu Itaguaí, confessou que jamais fora médico. O charlatão, porém, já havia conquistado a família. Quando Pedro Santiago morreu, Dias aprontou suas malas, mas dona Glória pediu-lhe que ficasse. Com um “– Obedeço, minha senhora”, concordou, e desde então permaneceu na casa. Assim, Bentinho vivia entre adultos.

Superprotetora, dona Glória criara o filho sob estreita vigilância. O menino nem sequer ia à escola; tomava lições particulares em casa, com o padre Cabral. Seu único contato estreito extrafa--miliar era Maria Capitolina, a Capitu, menina da casa vizinha, filha
do Pádua e de dona Fortunata. A família da amiga era digna, todavia menos abastada que a de dona Glória. Prova disso é a bela descrição que o narrador faz de Capitu:

Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo, desciam-lhe pelas costas. Morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo. As mãos, a despeito de alguns ofícios rudes, eram curadas com amor, não cheiravam a sabões finos nem águas de toucador, mas com água do poço e sabão comum trazia-as sem mácula. Calçava sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos.

Capitu chegara à vida de Bentinho ainda criança, por volta dos cinco anos. Companheiros de brincadeiras, ele “batizava” as bonecas dela. Mas os anos passaram, e chegou o tempo do amor. Além disso, Bentinho, foco de convergência de sua casa, e até certo ponto seiva para os que desejavam a vitalidade apesar da falta de objetivos, tinha seu futuro neutralizado por uma promessa. Sua mãe, mulher devota, após a perda do primeiro filho, que nascera morto, prometera que, se o próximo fosse homem e vingasse, seria padre.

Na cena que inicia a ação propriamente dita, Bentinho ouviu da varanda o agregado José Dias lembrando à dona Glória que já era época de mandar o garoto, então com 15 anos, para o seminário. Disse-lhe que Capitu, “a filha do Pádua”, por quem nutria mal disfarçado rancor, andava com o menino “pelos cantos”, “em segredinhos”, e que se começassem a namorar seria difícil separá-los. Estupefata, dona Glória negou veemente essa possibilidade, argumentando que eles mal tinham saído das fraldas.Mesmo relutando, a mãe de Bentinho acabou por concordar com o agregado.

Ao ouvir a conversa, o menino, já amadurecido, concluiu que José Dias o denunciara a si mesmo, e da varanda seguiu para a casa da vizinha, que nesse momento já estava escrevendo os nomes de ambos com um prego. Flagrada por ele, tentou encostar-se contra o muro, entretanto Bentinho a tirou dali e leu comovido que no momento seguinte em que pensou amar, era amado.

Bento então contou a Capitu sobre a conversa ouvida. A reação da doce companheira de infância é colérica: “– Beata! Carola! Papa-Missas!”, vociferou para horror silencioso do garoto. E num repente de uma inspiração certamente decantada por tudo o que seus olhos agudos viram ao longo dos anos sob a anestesia daquela gente, Capitu concebeu um plano para livrar o namorado do celibato.

A menina lembrou Bentinho da precariedade financeira de José Dias, já que seu amado seria dono da casa quando crescesse. Lembrou também que o agregado gostava muito de ser elogiado por sua cultura de almanaque e por seus superlativos absolutos sintéticos, que acreditava darem certa dignidade ao seu discurso. Depois de sugerir ao companheiro fazer esses dois preâmbulos, recomendou que pedisse o apoio de José Dias na luta contra o seminário.

Após várias peripécias, que incluíram o primeiro beijo, Bento foi ao seminário. José Dias, porém, estava convencido de que se o menino não ingressasse na carreira eclesiástica iria certamente estudar na Europa, o que a seu ver implicaria acompanhar o futuro acadêmico. Assim conseguiu a promessa de que, se Bento não tivesse sua vocação manifesta em um ano, estaria livre para ser o que desejasse, e sua mãe se livraria da obrigação com Deus, mantendo financeiramente um garoto pobre que almejasse ser padre.

O período de seminário – ao qual, aliás, o temperamento pacato de Bentinho se acostumava – trouxe-lhe o amigo Ezequiel Escobar. Pouco mais velho e também pouco disposto aos votos, Escobar tinha um projeto que não envolvia amores: sua vocação era o comércio. Ambos conseguiram livrar-se do celibato: Bento foi a São Paulo estudar Direito, enquanto Escobar se estabeleceu como próspero comerciante. Em suas muitas viagens levava e trazia a correspondência entre Bento e Capitu, a quem chamava “cunhadinha”. Nesse meio tempo, Escobar conheceu a melhor amiga de Capitu, Sancha.

Os encontros resultaram em dois casamentos: Bento e Capitu; Escobar e Sancha. Estes logo tiveram uma filha, Capituzinha, em homenagem à madrinha. Os protagonistas retribuíram a consideração dos amigos dando o nome Ezequiel ao filho. Logo que Ezequiel nasceu, Escobar sugeriu a Bentinho que trabalhassem pelo casamento de seus filhos.

Os casais se freqüentavam, os pequenos se entendiam. Até que numa noite, depois de anos de convívio – Ezequiel tinha cerca de seis anos e Capituzinha nove –, Bento notou Sancha como não havia notado antes. O mar, onde todas as manhãs Escobar costumava nadar, estava em ressaca. Da janela da casa do amigo, na escuridão da noite, sentia o bramir do oceano; excitado pelo perigo que o aguardava na manhã seguinte ele estava certo de que mais uma vez venceria os caprichos das ondas.

Nessa noite, após o jantar, todos conversavam. Escobar sugeriu que tinha algo a dizer a Bentinho, mas que ficaria para outra ocasião. Este, então, sondou Sancha, que lhe parecia extraordinariamente bonita e acolhedora na ocasião. Ela lhe contou em segredo que o tal projeto era uma viagem à Europa dali a dois anos, os quatro, e rogou-lhe que não contasse ao marido. Ao se despedirem, a mulher de Escobar, a seu ver, apertou-lhe a mão com mais entusiasmo e olhou-o de modo peculiar, o que agravou a atração que sentia por ela naquele momento.

A impressão de cumplicidade sensual entre Sancha e Bentinho dilui-se na manhã seguinte, quando ele acordou com a notícia de que Escobar estava morto, vencido finalmente pelo mar.

A viúva ficou tão transtornada e infeliz que nada havia que cogitar sobre seu amor e fidelidade pelo marido. Ao lado do caixão permanecia aos soluços, amparada pela amiga Capitu, que, diga-se, não chorou, exceto na hora de fechar o caixão, momento em que homens e mulheres choraram. Somente Bentinho suspendeu suas lágrimas ao ver as da mulher “poucas e caladas”, e que ela enxugou “rápido” e, a seu ver, “a furto”.

Tempos depois, após um almoço, Capitu, ainda à mesa, aludiu a uma semelhança entre o olhar do filho e os de duas pessoas que conhecera antes, um amigo de seu pai e o “defunto Escobar”. Bento ponderou para si que não haveria mais de uma dúzia de olhares no mundo, e disse à esposa que em matéria de beleza, os olhos de Ezequiel haviam saído aos dela.

Mas o que se planta no inconsciente, no consciente viceja. O narrador foi tomado pela certeza de que o grande amor de sua vida o havia traído com seu melhor amigo. O único amor, oúnico amigo. A certeza o arrebatou. A partir de então passou a distanciar-se da família. Já não acudia às festas do filho quando chegava do trabalho e costumavam brincar. Evitava a esposa, em longas saídas.

Numa delas, assistiu a Otelo, clássico de William Shakespeare (1564-1616). Como é sabido, Otelo, o mouro de Veneza, casa-se com Desdêmona, rendendo-se ao mútuo e sincero amor que os unia. Mas o falso amigo Iago persuade Otelo de que sua mulher o traía e planta um lencinho da inocente Desdêmona na casa do suposto amante. Otelo mata a esposa e depois se suicida.

No momento em que a platéia assistia ao assassinato de Desdêmona, irrompeu em aplausos. Esses aplausos tanto podem ser entendidos como entusiasmo pela atuação do elenco, quanto como um paralelo ao estado emocional do narrador: ou Capitu é Desdêmona, portanto, inocente, ou a peça pode ser um alerta para a traição de Capitu.

Ao final, Bento, definitivamente dominado pela suspeita, pensa em suicídio colocando veneno no café. Era domingo de manhã, dia de missa. O filho entrou na cozinha exatamente no momento em que Bento se preparava para ingerir a beberagem. Ao ver o garoto, porém, decidiu num lampejo que era o menino quem devia morrer, e lhe ofereceu a xícara. Ezequiel, que já tomara café, ansioso por agradar ao pai que andava tão distante, apanhou a xícara. Quando ia beber, Bento a derrubou de propósito, e começou a chorar. O menino, assustado, puxou-lhe pelas calças, chamando: “ – Papai!”. Ele disse que não era seu pai.

Nesse momento deu-se conta da presença de Capitu. Como o ponto de vista é dele, não sabemos se ela tinha ouvido tudo, ou apenas fora atraída pelo choro de ambos. Capitu pediu ao filho que a esperasse na sala. Bentinho explicou-lhe a terrível suspeita, e a mulher sabia que era a semelhança. Mas a vida, segundo o livro, tem dessas coisas esquisitas, já que a própria Capitu era extremamente parecida com a mãe já falecida de Sancha quando jovem, conforme atestou o próprio Gurgel, o viúvo.

Optaram pela farsa: Capitu e Ezequiel partiriam com Bentinho para a Suíça, com o suposto intuito de dar uma educação européia ao garoto. Ambos nunca mais voltaram. Bentinho nunca assumiu a separação perante a sociedade.

Dona Glória, tio Cosme e José Dias morreram, Capitu também morreu no exílio. Até que Bentinho, definitivamente Dom Casmurro, no tempo em que morava acompanhado de um único escravo, recebeu um dia a visita de Ezequiel, já moço. Após o impacto de ter recebido o cartão de visita, que o fez levar cerca de quinze minutos para descer e receber o rapaz, o narrador deu de cara com o velho companheiro de seminário. É bom lembrar que, para alguém tão parecido com Escobar, Ezequiel guardava diferenças importantes do falecido amigo.

Durante seis meses, dom Casmurro conviveu com Ezequiel e com a suposta semelhança. Ao cabo desses, o rapaz seguiu para Jerusalém, onde morreria de uma febre. O narrador, ao receber a conta do funeral e a cópia do que se escreveu na lápide, diz que custou caro, mas que pagaria o dobro apenas para nunca mais ter de ver Ezequiel.

O arremate da obra é intrigante: citando o capítulo IX, versículo 1, de Jesus, filho de Sirach: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”.

Entre Dois Pólos

Entre o princípio e o fim dessa síntese do enredo de um cosmo, interpõem-se episódios de grande duplicidade interpretativa. Um dos mais celebrados é a ocasião em que Bento Santiago vai sozinho ao teatro, deixando Capitu em casa. Esta alegara estar indisposta. Não tendo gostado da peça, Santiago retirou-se entre o primeiro e o segundo atos e chegando em casa, deparou com Escobar saindo. O amigo disse ter pendências jurídicas a tratar, pendências, no parecer de Bentinho, que poderiam ser resolvidas no dia seguinte. Mais tarde, Capitu alegou que o mal-estar na verdade era uma indisposição a saídas.

Em qualquer hipótese, a obra é bipolar: ou Capitu e Escobar são realmente inocentes da suspeita do narrador, ou são não apenas culpados, mas também cínicos, e não só por ocultarem o caso, mas também pelas repetidas atitudes de dissimulação. Ela é a primeira a aludir à semelhança de olhares entre o do filho e o de Escobar; este, pelo fato de ter proposto o casamento entre Capituzinha e Ezequiel; ambos por terem sido traídos pela genética: o menino indiscutivelmente se parecia com Escobar.

Uma das características marcantes da obra de Machado de Assis é a análise psicológica. O autor chegou até mesmo a antecipar conceitos que mais tarde o próprio Sigmund Freud (1856-1939) formalizaria, como é o caso do complexo de Édipo, claramente prefigurado no romance.

As muitas possibilidades interpretativas da obra merecem um livro. Mas, considerando-se as duas interpretações fundamentais,
evidencia-se que tanto faz optar por uma ou por outra. Se Capitu efetivamente havia traído Bentinho, ele fez o que sabia fazer numa ocasião extrema como essa: mandou a família para a Europa, não assumiu sua separação perante a sociedade, fingiu ir visitá-los todo ano, coisa que na verdade não fazia, deixou o tempo passar, e este se encarregou do resto: a morte dos familiares e da esposa, o retorno imprevisto de Ezequiel.

Caso não tenha sido traído, ele pensou que foi. Então agiu da mesma maneira: mandou a família para a Europa, não assumiu sua separação, etc. Isso nos leva a concluir que tanto faz, e que discutiremos o fato ad aeternum enquanto o velho bruxo do Cosme Velho ri de nós lá do infinito, em sua eterna superação de
tudo quanto é humano.

Fonte:
Revista Discutindo a Literatura. Edicao 13. SP: Editora Escala Educacional. p.22.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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