Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Fahed Daher (Poesias Avulsas)

Acróstico

Bandos passaram, de ilusões variadas,
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.

Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.

Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;

Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.

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Mulher

Você surgiu
do fundo dos tempos,
obra prima de Deus.
Não sei se da costela de um Adão,
ou da sublimidade de uma estrela,
ou a primata em plena evolução...
Mas em você o mundo se revela.
Foi o fogão, foi o tanque,
a lenha, o tacho...
Foi o filho, a cama, o riso
para o macho...
Ombros estreitos,
longos cabelos,
traz nos seus peitos
tantos desvelos.
O século passou
e o homem não ergueu
o templo da bonança
que um dia prometeu.
A máquina chamou você,
você atendeu,
entrou na produção, também,
e ali cresceu.
Lá no banco é o seu sorriso,
no escritório a sua graça,
no volante o seu juizo,
que linda você na praça.
Arquiteta, enfermeira,
empresária, motorista,
doméstica, lavadeira...
Você tem alma de artista.
Mulher do mundo moderno,
seja lá você o que for,
não há nada mais eterno
que o fogo do seu amor.
Não deixe que se perca no serviço
o frescor deste amor, sublime viço;
buscando nessa luta a nova trilha,
não esqueça que é a base da família.
Unindo a máquina ao beijo,
a pá unida à doçura,
o ideal ao desejo,
a garra unida à ternura...
Será tão belo, por certo,
o mundo que está por vir.
Se nesse mundo eu desperto,
eu só quero lhe servir.
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Bárbara

Amo!
E porque amo sorrio.
Quero!
E por querer me empenho.
Não sei se por amar
ou por querer
eu tenho:

Sua paciência que acalma,
os seus beijos que me exaltam,
suas carícias que amansam,
o seu ser onde me encontro.

Serei um rei?
Não sei!
Talvez de um sonho,
de uma quimera...
Se de um império
ou de uma era...
Se sou um rei,
me entreguei
prisioneiro
de você.
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Meu Amigo

Eu sei que não foi fácil entende-lo,
pois do seu tempo ao meu houve mudança
e eu não sabia ver no seu desvelo
a projeção, em mim, de uma esperança.

Foi meu amigo, também pude sê-lo...
Mas nobre e firme na perseverança,
no ar severo você punha o selo
do amor, da disciplina, da esperança.

Chegada a minha vez de estar na idade
que você tinha, quando eu era moço,
posso entender, por mim, sua ansiedade.

Perdoa-me se errei ou se fui grosso,
pois hoje mais preciso com saudade,
sua presença ó Pai!
Que Pai Colosso.
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Meu Pai Amigo

Quero você por companheiro e amigo,
embora eu viva em outras companhias;
quero você, de calças “jeans”, comigo,
um tênis bem legal, cabelo solto
e a alma destravada.

Faça de conta que é um adolescente,
sem compromisso de assinar o ponto,
nem compromisso de pagar o banco,
solto para viver.

Ao menos nuns instantes desta vida
quero escutar seus passos na calçada,
ouvir seu assobio destoado,
contar-lhe uma anedota engraçada
e ouvir seu riso alegre.

E sentaremos numa choparia,
veremos a passagem das garotas
que você gosta, mas disfarçaria
como quem não viu.

E de repente escutar histórias
de quando você tinha a minha idade,
contando até mesmo das maldades
sem pretender me aconselhar demais,
apenas me contar.

E eu contarei, também, os meus segredos,
você me escutará atento e quieto
e eu falarei bem livre , bem sem medo.
aliviando as angústias e incertezas,
que afligem a minhalma.

É fato que serei desobediente
algumas vezes, na hora da chegada,
como você fazia com seu pai,
burlando ,alguma vez , hora marcada,
mas não abusarei.

Mas com certeza nós discutiremos
opiniões políticas, morais
e me dirás que não entendo nada
e direi que você não sabe mais
doque já soube um dia.

E vamos nós jogar o futebol,
passo-lhe um drible, você se aborrece
e passa-me um carrinho desastrado,
fica mancando e se compadece,
achando que é um azar.

Acho bom ter você por companheiro,
ensinando-me a vida e a honestidade;
amigo, mas mantendo a disciplina,
e, conhecendo a minha insegurança,
sem humilhar, comigo você ensina
o caminho do amor.
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Sobre o autor

Nascido em Curitiba, Paraná, décimo filho de casal de libanesas vindos , jovens imigrantes e evoluindo no Brasil às custas de muita persistência e trabalho.

Fahed Daher, formado em medicina pela Universidade do Paraná, exercendo a profissão na especialidade de otorrinolaringologia, frequentando diversos cursos e congressos médicos.

Membro da Associação Médica de Apucarana- da Associação Médica do Paraná. Da Associação Médica Brasileira- Da sociedade Brasileira de Otologia. Da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Da sociedade Paranaense de otorrino.

Tenista, praticante de natação sem ser nadador, gosta de montaria, viagens atividades comunitárias, rotariano, tendo sido governador do distrito 4710, Paraná, anos 95/96 - Palestrante e conferencista.

Na vida social e cultural, foi presidente da APAE, criador de Fundação de ensino técnico, formando mão de obra operária, Presidente diocesano do movimento familiar Cristão, Orador da turma de formatura em medicina. Orador oficial na Plaça de San martin, em Buenos Aires, representando as caravanas brasileiras naquela cidade. Titular ca cadeira 33 da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, Paraná. Efetivo da Academia José de Alencar, em Curitiba. Presidente fundador da Academia de Letras , Artes e Ciências Centro- Norte do Paraná, em Apucarana.- Efetivo do Centro de Letras do Paraná, em Curitiba . Membro ds Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.- Membro da União Brasileira de Trovadores.-Membro do Elos Clube de Londrina (Pr).

Livros publicados: - Oração de formatura - Pureza Pecado poesia I- Pureza Pecado Poesia II. Idílios Idéias Ideais. - Amor Ideal rebeldia.- Participante de 08 coletâneas de poemas.- Participante da obra de Pompília Lopes dos Santos,na obra sesquicentenário da poesia Paranaense. Cronista publicado em 17 jornais do Paraná e 20 jornais do Brasil
.

Fontes:
Soares Feitosa. Jornal de Poesia. http://www.secrel.com.br
http://www.geocities.com/lipoesias/enviadas/fahed.html
http://www.avspe.eti.br/poetas/fahed_biografia.htm

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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