Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 12 de outubro de 2008

Terça Literária na Biblioteca Demonstrativa de Brasília

Novo projeto na Biblioteca Demonstrativa de Brasília aproxima leitores e autores de obras literárias

A Biblioteca Demonstrativa de Brasília está inaugurando uma nova iniciativa cultural, o Projeto Terça Literária na Biblioteca, que acontecerá uma vez por mês, no intervalo do almoço, às 12h30. Trata-se de um bate-papo informal entre o público leitor e escritores regionais para discutirem temas relacionados à literatura. Os encontros são abertos à participação do público.

O projeto é mais uma ação de estímulo à leitura e ao uso do espaço público da biblioteca. A BDB é um posto avançado da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, na capital da República, vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

A nova iniciativa será inaugurada na próxima terça-feira, dia 14 de outubro, e terá como tema a obra do escritor Machado de Assis.

Os autores convidados para conversar com o público são dois professores estudiosos do tema: da Universidade de Brasília (UnB), Sérgio Waldeck, doutor em Lingüística, co-autor do livro Compreensão e Produção de Textos, da Editora Vozes, e Andrey do Amaral, autor do livro O Máximo e as Máximas de Machado de Assis.

O debate sobre a obra de Machado de Assis é mais uma homenagem que a Biblioteca Demonstrativa de Brasília faz ao grande expoente da literatura brasileira, dentro das comemorações do centenário de sua morte. Desde o dia 29 de setembro está sendo realizada na BDB a mostra Eternamente Machado, uma réplica da exposição que vem sendo feita na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

A mostra reúne cartazes, slides e livros sobre o escritor e está aberta ao público no horário de expediente da biblioteca (2ª a 6ª feira de 7h30 às 23h e aos sábados de 8h às 14h).

A Biblioteca Demonstrativa de Brasília está localizada na Avenida W3 Sul, EQ 506/507.

(Patrícia Saldanha, Comunicação Social, MinC)

Fonte:
Assessoria de Imprensa da BDB. E-mail enviado por Andrey do Amaral

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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