Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 27 de julho de 2019

Jessé Nascimento (Trovas Esparsas) 2


Afinal, em dois caminhos,
andamos hoje isolados,
como nadam dois peixinhos
em aquários separados.

Ah, primavera de sonho,
ah, sonho de primavera...
Tempo feliz tão risonho,
das ilusões de quimera!

Alguns dias de folia,
quando esquece sua pobreza,
no reino da fantasia
o povo vive a nobreza.

Ante a montanha imponente
e o mar tão vasto e sereno,
eu me quedo reverente:
- Ó Deus, como sou pequeno!

Ao ver-te, eu tive certeza,
foi paixão e sorte minha;
já foste minha princesa,
mas hoje és minha rainha!

A velhice já me alcança,
rugas, canseiras, enfado...
Os meus sonhos e esperança
já são coisas do passado.

Carnaval de antigamente...
Palavras de nostalgia.
Hoje tudo é diferente,
não é a mesma a folia.

Fantasia colorida
e porte de campeão,
ele esquece na avenida
a luta do ganha-pão.

Junto à saudade incontida
de um amor que feneceu,
foste uma insônia atrevida
que jamais trégua me deu...

O Criador, com certeza,
esmerou-se muito bem:
na mulher, na natureza
e na música também.

Por mais que eu tente esconder
de todos a minha idade,
o espelho tem o prazer
de me mostrar a verdade.

Por sua volta aguardei,
tão cheio de ansiedade;
mas foi em vão que esperei,
só restou mesmo a saudade.

Pra acreditar foi um custo;
na primeira gravidez,
levou um tremendo susto:
foram cinco de uma vez!

Que eu jamais seja insensato
na língua, no meu falar,
pois na mentira, de fato,
posso uma vida arruinar.

Se a cada dia me entrego
e me sinto um derrotado,
quanta esperança eu renego
e me rotulo um coitado!

Senhor Deus, misericórdia!
Neste conturbado mundo,
nos corações põe concórdia,
mais perdão e amor profundo!

Tu disseste que me amavas
e eu fingi que acreditei;
sabia que me enganavas,
mas eu também te enganei.

TROVAS À CIDADE DE LINHARES

Ah, pudesse em ti viver,
respirar teus puros ares...
Quero ao menos conhecer
tuas belezas, Linhares!

A ti, entoo o meu canto,
ocupas os meus pensares...
Conhecer-te quero tanto,
ó cidade de Linhares.

Povo bom e hospitaleiro,
paz propagada nos lares;
ah, recanto brasileiro
batizado de Linhares!

Preservas a natureza,
no mar, na terra, nos ares;
por isto, canto a beleza
que existe em ti, ó Linhares!

Sou trovador, és o tema,
mui grato por me inspirares;
és trova, tu és poema,
ó cidade de Linhares!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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