Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Antonio Carlos de Barros (República Rio Grandense)



20 de setembro – Dia do Gaúcho


No ano em curso, 2019, transcorre o 184º (centésimo octogésimo quarto) aniversário do início do Movimento Farroupilha. Esse Movimento custou o sacrifício de muitas vidas ao Império Brasileiro e ao Rio Grande de São Pedro, foi a luta interna Brasileira de maior duração, perfazendo 9 (nove) anos, 5 (cinco) meses e 10 (dez) dias.

O Movimento Farroupilha teve início em 19/09/1835 e encerrou em 28/02/1845. Podemos dividir esse Movimento em duas etapas distintas à saber:
REVOLUÇÃO FARROUPILHA – 1835 a 1836
GUERRA FARROUPILHA        - 1836 a 1845.



A Revolução estava tramada, através dos Irmãos componentes da primeira Loja Maçônica do Rio Grande do Sul, a Philantropia & Liberdade, sob a obediência do Grande Oriente Nacional Brasileiro. Essa Loja se originou da "Sociedade Literária Correntino", embrião e baluarte do Movimento Farroupilha. Bento Gonçalves da Silva foi o seu primeiro Presidente sendo portanto, no linguajar Maçônico, o primeiro Venerável Mestre dessa Loja Maçônica.

O planejamento estratégico e logístico das primeiras ações revolucionárias foi desenvolvido entre as colunas desse Templo Maçônico, que existe até hoje e está sediado em Porto Alegre/RS, tendo ali sido firmado o Pacto Revolucionário Farroupilha em 18 de
setembro de 1835.

As causas do conflito foram várias, políticas, econômicas, militares e sociais, mas foi essa última que reuniu os diferentes seguimentos sociais no ideal comum e revolucionário, unindo negros, índios e brancos.

A província de São Pedro (Estado do Rio Grande do Sul) era totalmente abandonada pelo poder central. Inexistia uma única escola pública, as estradas eram precárias, não havia uma ponte construída, a infraestrutura era nenhuma. O Império, que nem mesmo as fronteiras defendiam, eram alvos constantes de invasões castelhanas.

As milícias formadas por cidadãos comuns que, esporadicamente viam-se obrigados relegar a um segundo plano suas atividades diárias e fazer às vezes de exército para defender a Pátria. Apesar do seu continuado sacrifício nessas batalhas de fronteiras e apesar da riqueza da Corte advinda do cultivo do café, apesar do massacre de sua população masculina dizimada pelas guerras, apesar do infindável luto das mulheres Gaúchas, o Rio Grande do Sul não recebia qualquer atenção ou reconhecimento por parte do Império. O descontentamento do povo era total. Em cada casa luzia um candeeiro revolucionário, iluminando as consciências para a rebelião necessária. Havia necessidade de mudanças imediatas e já que pelas palavras não houvera efeitos, quem sabe pelas armas o Rio Grande do Sul faria valer os seus direitos.

Como sendo o homem indicado para comandar a rebelião, e com o apoio total da Maçonaria Gaúcha, Bento Gonçalves da Silva tudo organizou na campanha, principalmente acercando-se de liberais valorosos, marcando o dia 20 de setembro de 1835 para a definitiva explosão armada, desenvolvendo o seguinte plano militar:

Finalidade. Conquistar Porto Alegre e derrubar o Presidente da Província, expulsando junto com o seu suporte militar o Comandante das Armas e assumir o controle total da Província.

Objetivo. Conquistar o controle de Alegrete, São Borja, Cruz Alta e respectivas áreas de influências. Conquistar ainda o controle político e militar de Bagé, São Gabriel, Rio Pardo, Piratini, Encruzilhada, Triunfo, Cachoeira e Viamão.

Para isto, Bento Gonçalves já contava com o apoio das unidades de linha de Jaguarão, Bagé, Rio Pardo e São Gabriel.

Bento Gonçalves da Silva e demais revolucionários, juntaram-se nas imediações da Azenha, com outros revoltosos, em torno de 400(quatrocentos), comandados por José Gomes Vasconcellos Jardim e Onofre Pires e partiram para atacar Porto Alegre, em 19 de Setembro de 1835.

No Dia 20 de Setembro de 1835, Porto Alegre era tomada pelo exercito Farrapo, deflagrando assim, a mais longa luta armada enfrentada pelo Império Brasileiro: A Revolução Farroupilha.

Na batalha do Seival os Farroupilhas derrotaram as Tropas Imperiais. Aproveitando o entusiasmo da vitória, General Antônio de Souza Neto Proclamou a República Rio-Grandense, em 11 de setembro 1836, lendo o seguinte texto aos cavaleiros que se encontravam em formação: “Bravos Companheiros da 1ª Brigada de Cavalaria!!! Ontem obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos da Corte do Rio de Janeiro! São sem número as injustiças feitas pelo Governo Imperial!!! Seu despotismo é o mais atroz!!! Os Rio-Grandenses não estão mais dispostos a sofrer a prepotência de um Governo tirânico, arbitrário e cruel!!! Em todos os ângulos da Província bradamos por Independência, República, Liberdade ou Morte!!! Camaradas! Gritemos pela primeira vez!
VIVA A REPÚBLICA RIO-GRANDENSE!!!
VIVA A INDEPENDÊNCIA!!!
VIVA O EXÉRCITO REPUBLICANO!!!
 “Proclamamos a Independência desta Província, a qual fica desligada das demais do Império e forma um Estado livre e independente, com o título de República Rio-Grandense”
.

A declaração foi realizada no campo dos Meneses, onde trocaram a Bandeira Imperial pela da Bandeira Nacional da República Rio-Grandense. É realizada a Eleição Presidencial, sendo eleito o General Bento Gonçalves da Silva.

Chegada ao Pampa de BENTO GONÇALVES, fugiu do Presídio da Bahia, com o auxílio da Maçonaria e do Cônego Antônio das Mercês.  Bento Gonçalves assume a Presidência.

Criação do HINO RIO-GRANDENSE, Letra de Francisco Pinto da Fontoura e Música de José Joaquim de Medanha.

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o Vinte de Setembro
O precursor da liberdade.

Refrão
Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra.
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.

Mas não basta pra ser livre
Ser forte aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.
Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra.

Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.


Em 1966, durante o Regime Militar, a seguinte estrofe foi oficialmente retirada.

Entre nós reviva Atenas
para assombro dos tiranos
Sejamos gregos na glória
e na virtude, romanos


A partir de 1836, aqui se instalou a República Rio-Grandense, com Bandeira, Hino, Moeda, Imprensa, Impostos e Instituições Governamentais próprias.

Quis Deus o nosso Grande Arquiteto Do Universo guiar os Contendores Irmãos na mesma Luz, para a busca da PAZ, pela: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.

A então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul voltou a ser integralmente parte do Brasil em 28 de Fevereiro de 1845 pelo lado Farrapo e 01 de março de 1845 pelo lado do Império, quando foi assinada a paz entre Farroupilhas e Imperiais.

Fonte:
Texto enviado pelo autor.
Imagem da Revolução Farroupilha: https://escolaeducacao.com.br

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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