Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Mara Melinni (Da Urgência)


Algumas coisas vão sempre ficando pra depois... Ou porque o dia está cheio ou porque parece que o tempo foge depressa, como se estivesse disputando uma corrida com a gente. Por uma razão ou outra, algo - importante - sempre fica de fora. Pra amanhã, pra depois de amanhã, pra semana que vem, quem sabe!

Aí, livrados da urgência, acomodamos tudo no nosso calendário. O horário do trabalho, a vaga no salão, uma viagem, o dia de sair com as amigas, um aniversário, a hora do pilates, fazer compras... Compromissos, datas. Mas não damos conta, mesmo...

E, no meio dessa correria toda, eu percebi uma urgência. E ela justifica as minhas lacunas. De tanto fazer planos e de eles não caberem no meu tempo, perdendo-se no meio do caminho, vi que o mais essencial estava sendo deixado de lado: Me olhar, me admirar. No sentir, no cuidar e... Até no espelho!

E quando me permiti fazer isso, eu pude me esvaziar daquela corrida maluca com as horas e deixar meus pés sentirem a calmaria do chão, descalços, despidos, suavemente. Pude sonhar acordada, sem relógio e, sem cautelas, rabiscar novos projetos, fazer aposta no meu talento, sentir algo diferente, achar beleza no meu sorriso.

Eu fiz, de mim, a minha urgência.

E eu me senti tão plena, que tudo se acomodou melhor e ficou mais prazeroso.

Apaguei as notas do planner e escrevi um só compromisso: Ser feliz!

Fonte:
Blog da autora.

2 comentários:

Mara Melinni disse...

Obrigada por divulgar sempre e tanto os nossos versos e inspirações, querido Feldman! Gratidão... Um abraço.

José Feldman disse...

Mara
Eu que agradeço poder compartilhar suas palavras. Ás vezes me sinto deprimido, por não importa o quanto eu me esforce para oferecer o melhor de si para os outros, recebo mais críticas e tão raros elogios. Mas, daí lembro de suas palavras:

"Nem sempre seremos vistos por nossas qualidades e aptidões. Não é fácil ser reconhecido pelo que somos, aqui dentro. Nunca foi fácil para mim. Nem é para muita gente, eu sei...! Levar a vida defendendo o que se acha certo, é para poucos. E sou dessa minoria. Sou desse bloco, dos que se mostram sem ter vergonha, dos que se expressam com a alma leve porque defendem a bandeira da boa-fé, sem interesse nenhum a não ser o de fazer o bem. Às vezes, falho; no entanto, é, dos meus, baixar a cabeça quando for preciso. Assim como é o fato de, depois de uma dolorosa queda, saber limpar os joelhos feridos, secar o pranto e seguir em frente, ainda que a poeira, áspera e insistente, permaneça no caminho.

Eu queria poder ser vista pelo valor interior que tenho, pelos meus esforços, meus empenhos em prol dos outros, minhas lutas gratuitas que travo, sem esperar nenhuma contrapartida. E queria, ainda, saber não sofrer quando os outros (que só enxergam a si mesmos) desmerecessem o meu valor. Mas entendi - depois de um último embate - que eu sou vista, sim... E de forma suficiente... Límpida... Por aqueles que, verdadeiramente, me respeitam e me reconhecem como eu sou."

Então eu enxugo as lágrimas que escorria por minha face, me ergo de novo e prossigo adiante, com a certeza de que mesmo não podendo agradar a gregos e troianos, alguns poderão se sentir abençoados e mesmo no silêncio posso perceber o sentimento de gratidão. Então, minha amiga, meu muitíssimo obrigado.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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